PR-π-poca

Prefixo de rádio normalmente usa três letras e alguns números desde uma convenção em 1947 as emissoras brasileiras tem como primeira letra o Z, PY e PX são prefixos para radioamadores e radioescutas. Não sei de onde o tio Miro se inspirou para o prefixo da rádio dele a “PRπpoca”, só sei que fui na inauguração como convidado de honra. Mais tarde também fui operador, ah! querem saber quando?…

Corria o ano de 1963 eu estava já com quase dez anos e era curioso pra mais de metro, vivia fuçando em tudo. Era tido como um pequeno gênio, na pratica, nunca fui muito inteligente o que eu era? observador, detalhista e curioso… Bem mas vamos ao que interessa.

Se eu estou certo era no domingo dia 15 de setembro de 1963, estão duvidando de minha memória? querem saber como me lembro da data? foi no domingo antes do nascimento do meu irmão Laudelino.

Na foto a tia Iria com o Léo no colo. Em primeiro plano o boi Pintor da junta Mansinho e Pintor. No fundo a casa do seu Orêncio, local onde mais tarde o Tio Argemiro construiria sua morada. Atualmente mora no local o Osmar Fassini

O tio Argemiro tinha se mudado há pouco tempo para o outro lado do rio, perto do to Osvaldo. Construiu a casa no lugar da antiga tapera do seu Orêncio ao lado do erval. O lugar era privilegiado pois tinha eletricidade apesar de ser fora da vila.

Mas vamos ao assunto: Ele estava terminando o curso por correspondência de rádio reparação do Instituto Radio Técnico Monitor e no kit de práticas tinha uma série de componentes que possibilitavam a montagem de um transmissor de Amplitude Modulada – AM (naquele tempo ainda não tinha sido inventada a Freqüência Modulada – FM). O transmissor era baseado num conjunto de válvulas muito populares na época, a retificadora 35W4 e a amplificadora, osciladora, moduladora 50C5. tantas funções numa válvula me fazem pensar numa ancestral do circuito integrado. Mas não é para falar de eletrônica que escrevo este poster e sim para falar da inauguração da rádio do tio Miro.

Então logo após a missa voltamos de Jaboticaba de carona no caminhão do Rigon da Boa Vista e descemos a pé até a vila passando pela picada que ia desde a faixa de Boa Vista a Jaboticaba até a morada do Joãozinho Pegoraro. Neste dia não fui direto pra casa mas sim fui pra casa do tio Miro conhecer a traquitana. Num chassi de ferro tinha um alto falante, que funcionava como microfone e logo atrás duas válvulas com aquela luzinha avermelhada e mais uma resistência também avermelhada que dissipava um calor danado. Estava tudo sobre uma mesinha no centro da sala. Chegamos e o tio foi logo ligando o equipamento para esquentar, também ligou o rádio receptor e ficamos aguardando o aquecimento. Findos alguns minutos e feitos alguns ajustes no transmissor era hora de sintonizar o receptor e em alguns instantes começou uma microfonia danada, era preciso levar o receptor pra mais longe. Feito isso até o receptor estar o mais longe que pudemos começou-se a transmissão. Passávamos músicas de um rádio sintonizado em outra emissora e falávamos qualquer coisa nos intervalos. Do outro lado do vale, na cancha de toras da serraria, perto do barbaquá que incendiou alguns anos depois, (essa é outra historia pra contar) tinha alguém com uma bandeira acenando para dar retorno que o rádio do vovô estava sintonizando corretamente.

Considerada inaugurada a rádio PRpipoca fomos para casa o próximo passo seria dar uso prático ao invento, isso ocorreu pouco tempo depois na festa dos padroeiros. Em breve terei que contar também esta história.