A pitangueira

Pessoal os escritos em azul são links para mais histórias complementares. Para entender a história é bom lê-las.

Vamos começar pela história que conheço. Quando conheci “a pitangueira” ela já era adulta e eu era ainda uma criança. A minha primeira referência é que a pitangueira era tão alta que eu não alcançava nos galhos por isso dependia dos maiores como o Pascoal, o Catarino ou algum outro que se dignasse a alcançar algumas frutas ou a me puxar para cima onde ficava encarapitado nos galhos comendo até as pitangas amarelas, porque as vermelhas eram colhidas primeiro pelos maiores. Talvez poucos saibam mas ela nem sempre esteva ao lado da capela, ela ficava ao lado da casa queimada. Não! Ela não mudou de lugar. Na época não tinha capela, a nossa capela era na Esquina Boa Vista, hoje Boa Vista das Missões, o terreno, que hoje é da escola mais o da capela já estavam reservados desde a época que queimou a casa do Beppi e da Pierina, nosso parente filho do tio Jorge Trentin, irmão do Antério. Acho que pode ter sido ele que plantou, pois não tinha nenhuma pitangueira nas redondezas. Na época tinha a escola a antiga que tinha os cepos altos e criava tatuzinho em baixo do assoalho, recém construída, um gramadão, no final a pitangueira e depois a casa queimada. Esta era a referência para localizar a pitangueira. Fora dali só tinha pitangueira e cerejeiras lá pras bandas do seu Pedro e dos Cargnin, da gruta pára baixo. Como eu ainda não ia para a escola, tinha uns cinco ou seis anos, a pitangueira era somente uma referencia casual. Em 1959 nos mudamos para a morada nova, longe da vila e somente em 1961 comecei a frequentar a escola, já com 8 anos na época, aí é que começou a verdadeira história de amor pela pitangueira.

Nossa casa nova tendo em primeiro plano a Mãe, Bazilides, gravida da Luisa, e os três mosqueteiros o Léo, eu e o Leonildo.

Nesta época foi construída a capela, tendo como referência a pitangueira, do outro lado da casa queimada. Ah! e tinha também um poço, que depois foi aterrado para evitar algum acidente já que estava abandonado. Bem! Mas a construção da capela separou a pitangueira da escola, isso teve pelo menos duas consequências: a professora não podia nos controlar no recreio e a gente chegava atrasado na escola por não ouvir a sineta. Para nós, os lá de casa, os filhos do seu Tatão, o Verceli e o Jorge, os do seu Pedro, na época; Milvo, Minervino e Mauri e os Cargnin, Arcangelo e Domingos, mais tarde os do seu Julio Ferreira, e os do seu Alduino Casarin que morávamos daquele lado sempre possibilitava comer umas pitangas cedinho antes da aula.

Mas as verdadeiras história da pitangueira que as meninas se referem talvez sejam as que aconteciam durante o recreio ou depois do terço de domingo à tarde. Nesta época todos tínhamos tamanho suficiente para subir na árvore. Grande parte dos meninos formava dois times para jogar bola, um era o Pascoal mais um goleiro e um jogador, contra o resto. As meninas que ficavam sem pátio para brincar de roda, de caçador, de rico e pobre de maré. maré. maré ou outro brinquedo, e se fosse época de pitanga iam para a pitangueira atrás da igreja, a bem da verdade do lado, mas com relação a professora atrás. Aí elas subiam na pitangueira e algum moleque safado ficava em baixo tentando ver aquilo que não devia. Por isso uma tinha que ficar espantando “os piá”. É claro que muitas vezes ia todo mundo misturado e aí ninguém ligava pra isso. O problema é que quando tocava a campainha as vezes não se ouvia e aí vinha xingão e castigo para os atrasados. Depois a gente cresceu e a pitangueira também, pelos meus cálculos ela está com aproximadamente 65 anos, é claro! Ela deve ter nascido num ano abençoado como 1953, já que gosta tanto de história e histórias.

A pitangueira de minha infância

Obrigado tia Tarcila por me lembrar do Beppi e da Pierina, eu não lembrava mais dos nomes deles. Um dia destes temos que conversar sobre os jogos de prenda, para escrever mais alguma história da vila.

A capelinha visita o Seu Generoso

Atualmente recebo em meus perfis no Facebook e no Whatsapp inúmeras visitas, em vídeo ou imagens piscantes, de Santos, Anjos Milagreiros e até o próprio Deus, que vem enviados por amigos, alguns que mal conheço. Devo confessar que nenhum deles me desperta nem um milésimo da emoção despertada pela capelinha de Nossa Senhora que visitava a família na minha infância. Até que nestes dias a Inezinha, sem imagens, sem luzes, sem musiquinha, sem milagres, ligou uma lembrança na minha memória “A visita da Capelinha na casa do Seu Generoso”. Ela visitava todas as casas, mas vou trabalhar com a dele por duas razões: veio da memória da Inezinha, que era um personagem local, e não tenho tempo para descrever todas, por isso é possível que alguns detalhes sejam de outras casas.

A tarefa da capelinha era visitar as famílias e permanecer um dia em cada casa. O roteiro da visita era quase sempre o mesmo, ela chegava ao cair da tarde e logo depois da janta a gente se reunia na casa com as famílias anteriores e posteriores à visita para rezar o terço. O terço dava uns 15 minutos desde o sinal da cruz inicial até o final, com isso podemos dizer que a oração formal era insignificante, não que eu esteja a desprezar a oração formal, mas é justamente para lembrar que ninguém vai a casa do vizinho, com a família toda para rezar 15 minutos, então porque a visita da capelinha era tão importante?

Esta era a capelinha nova.

A metodologia
O processo consistia em receber a capelinha num dia e levar a capelinha na casa do vizinho no dia seguinte, na casa onde estivesse a capelinha se rezava o terço depois do jantar. Cada capelinha tinha um grupo de mais ou menos trinta famílias ou, se o número fosse muito grande tinha duas capelinhas, como era o caso da Vila Trentin, a capela dos Três Mártires Riograndenses. Assim a visita da capelinha dava mais ou menos um mês.
A prática
No dia que a capelinha chegava na casa da família que antecedia a da gente, a gente ia no terço. No outro dia o terço era na casa da gente e no dia seguinte a gente ia na casa do próximo vizinho, assim sempre tinha três famílias reunidas a cada noite. Assim se provocava a presença de Deus entre nós de acordo com Mateus 18:20 “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” Isso valia para os adultos, porque para as crianças quem tinha que estar presente era o Anjo da Guarda.

A sequência próxima de casa era o Modesto Dalbianco, Seu Batistinha (Grilo), o Jango (Forquilha), a dona Leila, o Florianinho, lá em casa depois seu Luiz Moreira, o outro Jango (Mogango Branco), seu Generoso e tio Valdomiro e depois continuava. Depois que seu Luis Moreira foi embora, seu Jango saiu do grupo e nós levávamos lá no seu Generoso. PS1.: Entre parêntesis os apelidos, não havia bullying na época.
Como vários vizinhos não sabiam puxar o terço o pai e um de nós ia, muitas vezes, em muitas casas desde o Batistinha até seu Generoso. Vou relatar as minhas memórias de uma destas noites.

Os fatos e a história
Acho que era quarta-feira, sempre fica melhor um encontro no meio da semana, era janeiro ou fevereiro, tempo quente e seco e tinha lua cheia, ou melhor era o segundo ou terceiro dia da lua cheia, quando o início da noite é escuro e depois vem aquela lua maravilhosa para brincar ao luar. Eu estava no terceiro ano, aquele que tinha a caveira no livro, por isso eu não queria ir pro terceiro ano, um dia eu conto porque, então era o ano de 1961. O tio Valdomiro recém tinha se mudado para a antiga tapera da finada Balbina, aquela que assombrava os caminhantes noturnos, dela também tenho algumas história pra contar.
O caminho para ir la de casa até seu Generoso…
Primeiro um resumo da biografia do seu Generoso. Conheci ele ainda quando morávamos lá na vó, ele tinha feito uma cirurgia e precisava de cuidados então ficou uns tempos hospedado lá. Depois quando fomos morar na nossa morada ele ficou nosso vizinho, nesta época ele morava com uma senhora viúva que não lembro o nome, que tinha uma filha, a Otília, que chamávamos de “Lesma Coalhada” (nada de bullying) que tinha dois filhos o João e o Laureano. Quando a senhora faleceu, a Otília e os meninos foram embora e nunca mais soubemos deles. E o Seu Generoso ficou sozinho até que ele encontrou uma senhora viúva, lá pras bandas da Jaboticaba Velha e casou-se com ela dentro dos mais restritos ritos da Santa Madre Igreja. Trouxe para casa a esposa, a Alzira , a Delvíria e o Oscar para nossa alegria, mais crianças para brincar.
… ah! o caminho. Bem! O caminho que fazíamos para chegar lá era descer um pouco pela estrada da vila depois entravamos no potreiro do tio Luis atravessávamos a sanga e voilá, estávamos na casa dele. Para atravessar a sanga tinha uma pinguela feita com uma árvore de angico que caíra no barranco e cujos galhos foram parar do outro lado, o único inconveniente para as crianças é que o corrimão de taquara ficava meio alto, e de noite precisava uma iluminação, – Não! lanterna não tinha. Quando não tinha lua (luz do luar) o pai costumava levar um tição de lenha de angico ou camboatã bem acesso, aí quando sacudia ele o ar avivava as brasas dando uma luzinha mixuruca mas suficiente para não tropeçar e/ou para atravessar a pinguela em segurança. Os do tio Valdomiro não tinham pinguela pra atravessar mesmo assim precisavam luz para não tropeçar. O tio costumava vir com um lampiãozinho mas a gurizada vinha correndo. – Gurizada na época era o Cláudio, a Inês (Inezinha) e a Cecília, lá de casa o Léo, o Leonildo, a Luísa e eu. Naquele dia parece que foi combinado. Nós, lá de casa, resolvemos inovar na iluminação e pegamos um vidro acho que era de um remédio chamado Polyascorb, nome comercial para a vitamina C na época, e enchemos de vaga-lumes, daquelas sempre acesas, tinha os pirilampos, aqueles que ficam piscando mas não serviam para nosso propósito. Do outro lado os do tio Valdomiro fizeram a mesma coisa só não sei do que era o vidro. Os vaga-lumes até que davam uma luz interessante, só que quando ficavam parados apagavam a luz, acho que era pra não gastar energia, aí a gente sacudia o vidro e eles acendiam de novo. E assim chegamos à casa do seu Generoso.

Os adultos entraram e sentaram na sala para conversar e tomar chimarrão, as crianças, com os lampiões improvisados esperavam o despontar da lua. Começava uma lasquinha de luz no horizonte que ia brotando e crescendo, dava uns quatro minutos até ficar completa. Este era um tempo de meditação e contemplação, ficávamos todos em silencio, admirando aquela lua maravilhosa que despontava, uns minutos mais e tínhamos a luz do luar para brincar um pouco.
A brincadeira preferida era o esconde esconde que a luz do luar fica ainda mais emocionante porque qualquer sombra poderia ser um esconderijo. O ferrolho ficava bem visível, era um palanque de atar cavalo que ficava no centro do facho de luz do lampião que se projetava no gramado. Enquanto os adultos reunidos contavam causos e sorviam o chimarrão, as crianças corriam como loucos contando, se escondendo, batendo no ferrolho (ou seguro) para se salvar, tropeçando, caindo dando cabeçada, enfim sendo crianças.

Os adultos, conforme Mateus 18:20, reunidos com o intuito de rezar traziam para a sua companhia o próprio Filho de Deus, enquanto a criançada deveria ter uma centena de Anjos da guarda cuidando para não se quebrarem…

Depois a gente rezava o terço e ia para casa, e cansados dormíamos como anjinhos…

Para aqueles que gostam de relembrar como era o fim de tarde fiz uma cantiga de ninar para minha sobrinha com o tema. Foi gravada pelo Ernesto Piovesan, filho da Luisa. O link é para baixar o arquivo Dorme Isabela

Colhendo pinhão de caminhão – Perdidos

O mês de junho sempre reservava surpresas para a gurizada muitas atividades divertidas se faziam no inverno. Dentre as mais esperadas tinha a arrancação da mandioca, pelar cana e a fazeção de açúcar e chimia, a feitura da farinha de mandioca, a lavação do polvilho (temas para escrever)  e colher pinhões no mato da tia Santina, atualmente dos Dalla Nora. Naquele ano foi especial acho que foi no ano de 1959 ou 60, especial porque naquele ano veio o Tio José rato de caminhão, aproveitando as férias de junho, e trouxe o Evaldo e o Dirceu, e fomos todos juntos colher pinhões. Foram juntos também o Catarino e, se não me engano, o Tarcísio e o Narciso do tio Gervásio, o Léo e eu, é claro. Eu era o menorzinho, deixamos o caminhão na estrada em cima da lomba pois não tinha arranque e fazer pegar no frio de manivela era difícil, e lá fomos nós. Uns duzentos metros adiante de onde hoje é a casa dos Dalla Nora tinha um pinheiro com forquilha, o único que conheci, quase na borda do mato. Em poucos minutos os grandes, adultos entraram no mato e voltaram com cipós e taquaras para envarar e subir.

Esta foto do Caminhão do tio José é da época. Na cadeira o Aires, que era ainda muito pequeno e não participou da aventura.

Envarar consiste em atar uma taquara com cipó no tronco do pinheiro com ataduras a cada 60 ou 80 centímetros de forma que os cipós sirvam de apoio para um bastão que serve de degrau e a taquara fica como um corrimão único que facilita a subida. Em poucos minutos o pai já estava lá na copa derrubando pinhas com uma taquara. Não tenho nem ideia de quantas pinhas foram derrubadas mas sei que dava um monte da minha altura, provavelmente não era grande coisa pois eu era bem baixinho. Terminada a derrubada um dos tis começou a quebrar as pinhas dando uma paulada em cada uma e depois nós debulhávamos e íamos colocando os pinhões no saco. Os adultos foram mato adentro procurar outros pinheiros e nós ficamos debulhado. Apesar de pequenos tínhamos prática de debulhar milho e o trabalho terminou rapidinho, foi aí que tivemos a ideia de procurar os adultos. Eles entraram no mato e seguiram a direção leste, nós entramos no mesmo lugar mas pegamos o rumo norte, enquanto eles percorrendo uns trezentos metros atravessavam o mato nós fizemos mais de um quilometro mato afora e não os encontramos. Depois de algumas horas de caminhada achamos o outro lado do mato enquanto isso…
– Alguém busca um saco vazio que este tá carregado – foi o grito que se ouviu de cima do pinheiro.
O tio Luiz voltou e achou os pinhões ensacados, os sacos vazios mas cadê as crianças?
Voltou desesperado que as crianças tinham se perdido no mato.

Se dividiram de dois em dois e saíram a nossa procura, esqueceram os pinheiros, pinhas e pinhões, era preciso achar as crianças. E começaram a vasculhar o mato. Umas duas horas de busca e nada.

Neste meio tempo o grupo dos pequenos saia do outro lado do mato ao norte bem longe do ponto de entrada. Não muito longe tinha uma casa desconhecida dos meninos, mas era preciso criar coragem e chegar para pedir informações, e assim foi feito.
Primeiro batemos palmas em quantia logo depois apareceu uma senhora:
-Boa tarde,cosa vuto?- pediu a senhora.
– Acho que estamos perdidos – explicou o Catarino, ela não entendeu nada.
Nós não conhecíamos a senhora e estávamos muito intimidados até que saiu do galpão um senhor sorridente que veio pro nosso lado perguntando:
– Como chegaram aqui tutti soli?
Era o seu Luiz Marion, ele conhecia alguns de nós e em especial o Catarino que sempre estava la pelo moinho quando ele levava o milho para a moagem.
Tentamos explicar que a gente tinha se perdido no mato enquanto estava procurando os tios que foram derrubar pinhas. Neste meio tempo apareceu um gurizote curioso que ficou nos observando e dentro de alguns minutos a senhora voltou:
Luiiiigi mi cato que lori ga fame. (Luiz eu acho que eles estão com fome) – Pelo sim pelo não ele concordou e nos fez entrar na cozinha onde tinha uma mesa cheia com bolachas e chá de mate com leite.
Até aí tudo estava saindo melhor que a encomenda, nós nem pensávamos em um lanche e estávamos tomando um “chá das quatro” ao estilo da nona Rosa. Enquanto isso o seu Luiz mandou o Tchéo, o filho, atrelar os cavalos na carroça para nos levar de volta pra casa, ou melhor para o caminhão. Mais alguns minutos e estávamos de barriga cheia e fazendo a maior algazarra na carroça com o Tchéo. A gente ia fazendo piruetas para ver a sombra projetada no barranco da estrada.

O sol já se punha no horizonte deixando as sombras compridas e dentro de poucos instantes ia escurecer. O bando de crianças capitaneados pelo Catarino que tinha então uns 13 ou 14 anos ficaria a mercê das feras noturnas, jaguatiricas, graxains, cobras, morcegos, corujas, meu Deus será que vão sobreviver? De noite não tem como procurar, eles devem estar famintos e desarmados. Com exceção do tio Miro todos tinham filhos no grupo e o desespero começou a tomar conta dos grandes.
Mais alguns minutos e não seria mais possível procurar, a escuridão tomaria conta.

Felizmente ainda estava claro quando chegamos ao caminhão e então, capitaneados pelo Tchéo, fomos ao encontro dos adultos, primeiro encontramos o tio Miro e o tio José, que voltavam ao caminhão na esperança de fazer pegar e buzinar muito para nos atrair. Fizeram a gente ficar na carroceria do caminhão enquanto iam procurar os outros, neste meio tempo dispensaram o carroceiro para voltar pra casa e se foram aos gritos tentando atrair os demais adultos.

O sol se pôs e começou a esfriar muito, felizmente não demoraram os adultos a chegar já aliviados apesar de terem colhido uma pequena quantia de pinhões. Mas aí é que começou a verdadeira história ou pelo menos a parte que para nós foi a mais divertida.

O caminhão tinha ficado na lombinha saindo da Vila em direção a Esquina (Boa Vista) um pouco antes da casa do seu Antônio Santi. Como a partida era à manivela não dava pra arriscar depender só dela em dia frio, e assim foi feito. O tio José fez o contato e começaram um a um os adultos a dar manivela, mas o motos só fazia vru e parava. A segunda opção de arranque era fazer pegar no tranco lomba abaixo, era só dar um empurrãozinho, pular na carroceria e aguardar o tio soltar a embreagem para o motor pegar. Ai tudo mudou de figura, os adultos empurraram e pularam na carroceria, o caminhão pegou velocidade e depois de um tranco ouvimos vru, vruuuuuuuu, póf póff chegamos ao fim da ladeira e o motor não pegou. Mais umas tentativas de manivela e a decisão unanime empurrar de volta lomba acima o caminhão para nova tentativa. As crianças teriam que descer para aliviar o peso, descemos e fomos a pé lomba acima, com a certeza que desceríamos a lomba novamente. Não deu outra, embarcamos no caminhão que agora estava freado já em posição de descer sem o empurrãozinho, e na maior algazarra descemos a lomba de novo, o barulho era tanto que nem conseguimos ouvir o vrrrrruuuuuu póf póf de novo, só nos demos conta quando nos mandaram descer de novo para repetir a operação.
… E repetir a operação… … E repetir a operação… … E repetir a operação… Não sei quantas vezes até que o vrruu ficou permanente e o caminhão abriu os olhos (acendeu as luzes) pois já era noite.
Aí o tio manobrou, e voltamos pela picada, que tinha fama de mal assombrada, da qual tenho que contar algumas histórias. Finalmente chegamos em casa já na hora da polenta…

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