Primórdios do CTG

Já passou há muito o tempo em que a gente se reunia na casa do vô para ouvir o programa do Valter Broda e do Pinguinho no rádio.  Até pouco tempo só o domingo era o dia de congraçamento e descanso. Depois da missa ou terço dominical o restante do dia era preenchido por um carteado no bar, para os homens casados. Visitas às comadres pelas senhoras, que sempre tem um motivo para visitar alguém. As crianças? Bem! As crianças andam soltas pelas redondezas, delas vou falar outro dia. Alguns jogam um futebolzinho, outros um futebolzão. Os jovens, nas intermináveis rodas de prenda na sombra dos timbós do patio da capela,  praticam jogos que facilitam a escolha dos futuros pares de namorados. Namorados que esperam ansiosos para o novo encontro no próximo domingo.

Nem é preciso dizer que cada uma das frases acima dá um livro se for contada nos detalhes. Mas a verdade é que durante a semana não havia motivos de encontro o que ficava limitado a algum serrão por motivos de aniversário ou outro qualquer em alguma casa ou as cantorias do tio Lino, alguma roda de viola dos Oliveira ou dos Cargnin, mas nada que desse motivo para a comunidade toda se reunir mais que um dia por semana.

Foi lá nos anos 60, a Vila Trentin, acho que por invenção do tio Miro, passou a ter mais uma oportunidade de convívio social na semana, a noite de CTG. Final de expediente na oficina, a serragem precisa ser removida, a oficina varrida, hoje é quarta-feira dia de se reunir para cantar dançar declamar e muito mais. Cada um apresentando seus talentos e com uma diferença de tudo mais. Uma grande diferença das reuniões dominicais, aqui todos se reúnem desde os patriarcas até as crianças, mais parece uma festa de família.

O povo janta cedo a começa a fluir em direção a oficina agora com o status de sede de convívio social, evidentemente que está sem poeira e bem iluminada, afinal energia não é problema para quem tem usina própria. O pessoal vai se acomodando como pode, bancos improvisados, uma serra circular ou uma aplainadeira agora promovidas a mesa e o espaço central de montagem de móveis agora é a pista de dança.  Vale tudo, desde uma gaita bem tocada pelo tio Ângelo, uma moda de viola com os irmãos Oliveira, uma performance dos irmãos Arcanjo e Domingos Cargnin com sua rabeca feita em casa até as cantorias em grupo das famílias do tio Lino e tio Luis.

Padre Theodoro registrou as primeiras manifestações do CTG para mostrar na Alemanha.

Padre Theodoro registrou as primeiras manifestações do CTG para mostrar na Alemanha.

Passado algum tempo o movimento social ganhou fama e começou a vir gente de outros povoados, no entanto a glória foi quando apareceu numa quarta feira o Padre Theodoro com um gravador. Uma das noitadas seria registrada em fita para mostrar na Alemanha, na próxima viagem de ferias que ele fizesse. A primeira vez não deu muito certo e na outra semana estava o vigário de novo na Vila. A noite de quarta-feira era única, era a oportunidade de ver reunidos os patriarcas, Bortolo Trentin, Antônio Trentin, Artur Oliveira, Pedro Dalbianco e Ângelo Fassini com suas senhoras. Os jovens casados com esposas e filhos e a juventude.

Tentando tornar viva esta história compus um xote, a música com dança que me encantava naqueles encontros, chamado “Baile dos Trentin” qualquer dia posto uma gravação decente do mesmo.

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