O final dos anos 60 foi bem tumultuado no Braga, em 69 a comunidade começou a reivindicar um ginásio para a comunidade, o seminário já oferecia esta graduação acadêmica aos internos o que precisava era formalizar ou institucionalizar a abertura do seminário para estudantes externos. O processo começou com a abertura formal de uma escola da comunidade, o Ginásio Comercial Manoel Braga, que inicialmente funcionou no seminário. Depois ocupou umas salas na escola da cidade e finalmente em 1970 mudou-se para a sede própria na hoje Avenida Marechal Floriano umas duas quadras acima da igreja. Os professores eram os mesmos do seminário acrescidos de alguns de técnicas comerciais.
E foi no ano de 1970 que se resolveu dar uma cara mais científica ao currículo dos braguenses e além de português, matemática, geografia, história, moral e cívica, técnicas comerciais, ciências, inglês, artes domésticas e educação física acrescentou-se introdução á física e química, que não tinha professor.
Como cientista louco eu tinha me destacado em 69 nas aulas de química geral e inorgânica, com o padre Edmundo e em física com o padre Henrique, neste ano, após a experiência de fazer o segundo grau em Cerro Largo, os padres resolveram oferecer o cientifico no seminário. Como isso imobilizava muitos padres professores no seminário decidiu-se que estudaríamos em Três Passos no Colégio Ipiranga e os padres voltariam para as paróquias. Tem umas belas histórias pra contar deste tempo.Eu estava cursando o segundo científico em Três Passos.
Voltemos ao Braga! A recém criada disciplina de introdução á física e química precisava de um professor. Como já falei anteriormente os padres professores não estavam mais no seminário, foram para as paróquias de Santa Barbara e Palmeira, foi aí que a direção resolveu testar um novo professor, eu. Fui nomeado professor de introdução á física e química, já no final de abril. Uma de minhas primeiras atividades foi o conselho de classe do primeiro bimestre. E foi nele que ouvi dos outros professores as reclamações dos alunos, como eu ainda não conhecia todos tive que apelar para as fichas de matrícula para identificar pela foto. Três coisas me marcaram na reunião: O professor de matemática, o padre que fumava um cigarro atras do outro insistindo que não deixaria de fumar na sala de aula, mas aos alunos era proibido fumar até no recreio. A professora Alicia insistindo que era preciso dar exemplo e tentar compreender a juventude. E os outros professores reclamando que não sabiam mais o que fazer para inibir a cola nas provas. Quase fiquei traumatizado com estas informações pois na próxima semana eu aplicaria a primeira prova aos meus novos alunos.
Depois de uma noite em claro tentando achar uma resposta decidi que usaria o conceito de matriz quadrada. Tinha quatro filas de classes na sala de aula, se eu fizesse três provas diferentes e distribuísse em sequência nenhum aluno ficaria próximo de outro com prova igual aí ficaria difícil de colar, mas eu resolvi fazer melhor, datilografei três provas diferentes com aparência muito parecida, aí se alguém tentasse colar, copiaria do colega a resposta errada, se é que ele estava certo. Apliquei a prova e fiquei de olho fingindo que estava cuidando a cola mas sem muito cuidado. recolhidas as provas começou a maratona da correção, alunos que eu tinha certeza que sabiam estavam com respostas certas riscadas e assinaladas as erradas, em resumo não deu pra dar nota pra ninguém. Aí espalhei as provas no chão do quarto na posição de cada aluno e fiz um mapa de como as informações circularam. Cada um que tinha certeza de uma resposta passou para os demais colegas, só que esta era errada para a outras duas provas e só ficaria certa na terceira prova que chegasse. Anulei a prova e fiz outra, mas foi divertido ver a cara dos alunos quando descobriram que as provas eram diferentes.
Só o que não estou bem lembrado é dos nomes dos alunos, se puderem me ajudar comentem que vou acrescentando. Vou colocar alguns: Evaristo, Zezerino, Maurinho, Flori, Clovis………….