Fórmula Zero ou A fábrica de rodas do Zamberlan

Há pouco fora finalizada a construção da nova padaria, lavanderia, clausura, enfim o grande prédio em L que dentre outros cômodos tinha também a cantina onde se guardava o vinho de missa. O madeirame que fora usado na construção da caixaria para as vigas e lajes de concreto em grande parte foi usado para a construção do galpão da lenha no matinho ao lado da gruta. mas ainda sobrara boa parte da madeira, em especial tábuas quase todas bastante recortadas e com furos de pregos. Este material estava depositado perto da casinha das abelhas do irmão Eugênio. Foi aí que alguém teve uma ideia brilhante, quem sabe aqueles loucos que deixavam de jogar futebol para fazer trabalhos manuais não poderiam dar um destino nobre ao material?

Não pude precisar exatamente de quem foi a ideia mas alguns pedaços de tábua começaram a aparecer na sala de trabalhos manuais onde com arco de serra manual começavam a serem recortadas algumas rodas. Um seminarista habilidoso com arco manual conseguia cortar uma roda de uns 30 centímetros de diâmetro em alguns dias, claro que era somente no recreio. Começou a se desenhar a idéia de fazer carros de lomba para a diversão e em alguns dias surgiu o primeiro. Não sei se o desenho era do Luis Crespon ou do José Pavan, mas o fato é que um carro de lomba começou a circular a quadra com um dirigindo e outros impulsionando, pois ao redor da quadra era plano.

A novidade começou a provocar disputas de quem dirigiria a carruagem e quem impulsionaria, é claro que os donos sempre estavam numa ou noutra posição. Não deu uma semana e estavam até os aficionados pelo futebol na sala de trabalhos manuais, mas…

É claro alguma coisa não funcionava, a falta de habilidade, os instrumentos rudimentares, a falta de paciência entre outros começou a criar um clima de ansiedade até que…

Creio que foi o Jorge Marquetti procurou uma alternativa, procurou a marcenaria do pai do nosso colega Zmberlan para saber dele se ele podia cortar rodas e quanto cobrava por dois pares de rodas. Nem é preciso dizer o resto, o seu Zamberlan virou, da noite para o dia, uma espécie de ídolo dos seminaristas, as rodas feitas por ele eram perfeitas, nem precisava lixar e foi assim que a grande fábrica de carros de lomba do seminário começou com a fabricação terceirizada de rodas.

Mesmo assim para construção do chassi, eixos, mecanismos de direção e frenagem ainda se exigia alguma habilidade, mas já tinha um modelo, era só copiar, no entanto…

Eu ainda não tinha meu carro de lomba porque não tinha dinheiro para mandar cortar rodas e estava fazendo mais ou menos como a raposa das uvas. E foi assim que num belo dia fui procurado pelo Jorge Marqueti, com quatro rodas embaixo do braço querendo saber se poderíamos fazer um carro diferente e foi assim que começou um novo projeto.

Algumas modificações eram necessárias:

  • Sentar na tábua que era ao mesmo tempo chassi era algo impensável.
  • Encosto para as costas era indispensável.
  • Freio acionado com os pés era desejável.

Por solicitação do Jorge o carro deveria ser confortável, seguro e sofisticado, e assim foi feito. No desenho de cima o carro padrão, no de baixo a limusine.

Assim surgiu o único carro de lomba diferenciado, evidentemente mais pesado e com perfil arrojado. Evidentemente para correr ao redor da quadra não era o ideal pois exigia mais força para impulsionar, em compensação para descer a lomba da frente do seminário era uma beleza, o problema era empurrar de volta lomba acima.

Dentro de pouco tempo já tinha pista de corrida ao redor da pista de salto, da barra e da quadra,m pista com direito a curvas e pontes pequenas lombadas e tudo o que tem direito na fórmula 1. O pow pow dos chutes à bola foi gradualmente sendo substituído pelo rrrrrr crec crec dos carros em correría durante o recreio todo. Todos os carros, sem exceção tinham uma equipe o dono e o mecânico, que se revezavam entre piloto e motor ou seja lá o que for, mas era divertido, até que um dia alguém teve a ideia de fazer uma corrida, só que não podia ser na lomba porque a mecânica do carro do Liceo e do Jorge levaria vantagem e aí democraticamente a decisão foi tomada que a corrida seria na pista. A pista foi sinalizada e o Irmão Mário com apito e cronômetro dava a largada e cronometrava o tempo do circuito, e assim, no final teríamos um vencedor…

Até hoje não sei quem venceu o que sei é que ficamos em último lugar, tudo por culpa da mecânica do nosso carro que era mais pesado e como diria o Irmão João “non bon para corrida na pista”. Nem para ser empurrado lomba acima, mas excelente para descer lomba…

One thought on “Fórmula Zero ou A fábrica de rodas do Zamberlan

  1. Meu Deus, hoje domingo dia 09/12/18 Eu sou Jair Luiz Demarco, estudei nos anos de 1973-1974-1975 no seminário, Pe. Guilherme. Chorei de emoção ao ver a foto de frente do seminário, a capela, fui coroinha, eu tocava o ARBON do Irmão Mário (teclado) Queria saber mais dessa época e não encontro os amigos de TUNAS-SC Dari o seu irmão Erní, Jorge, Bamberg, Serginho Kunfker, Formentini, Afonso, Sergio, Clóvis. etc. Que saudades Meu deus.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *