{"id":283,"date":"2020-03-19T14:08:20","date_gmt":"2020-03-19T17:08:20","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=283"},"modified":"2020-03-19T15:26:19","modified_gmt":"2020-03-19T18:26:19","slug":"quem-ri-por-ultimo-brincando-de-indio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=283","title":{"rendered":"Quem ri por \u00faltimo&#8230; (brincando de \u00edndio)"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde o final de setembro at\u00e9 meados de mar\u00e7o, quando o clima est\u00e1 quente, uma soneca ap\u00f3s o almo\u00e7o \u00e9  sempre  bem vinda. Mesmo porque com o calor\u00e3o do sol a pino n\u00e3o \u00e9 muito saud\u00e1vel trabalhar. Por isso nesta \u00e9poca do ano nossa vida tinha uma rotina diferenciada. A gente almo\u00e7ava, tirava uma sesta, tomava chimarr\u00e3o, tomava o ch\u00e1 das quatro e depois ia para a lavoura. Bem! Pelo menos era esta a rotina do pai, a nossa era um pouco diferente. Mas antes de falar dela devem ser esclarecidos alguns pontos. <\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro: tomar banho de barriga cheia d\u00e1 congest\u00e3o, \u00e9 perigoso e pode matar, esta hist\u00f3ria \u00e9 para mostrar como uma pessoa pode morrer ou quase por causa de um banho depois do almo\u00e7o.<br>Segundo: enquanto os pais sesteiam as crian\u00e7as ficam por a\u00ed, aos cuidados do anjo da guarda.<br>Terceiro: nem sempre os pais dormem enquanto dormem&#8230;<br>Quarto: pais s\u00e3o criativos, mas crian\u00e7as saud\u00e1veis tamb\u00e9m s\u00e3o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>O hor\u00e1rio do meio dia, no ver\u00e3o \u00e9 bastante quente e um banho de rio \u00e9 a melhor coisa para ativar o \u00e2nimo para ir trabalhar depois do ch\u00e1 das quatro, um costume ingl\u00eas adotado pela fam\u00edlia Trentin-Piovesan. A rotina de ver\u00e3o era mais ou menos assim: De manh\u00e3 aula, almo\u00e7o ao meio dia depois uma sesta, enquanto isso as crian\u00e7as ficam por a\u00ed, depois cimarr\u00e3o na sombra, conversa, o ch\u00e1 das quatro e ir para a lavoura, pois nesta hora o sol j\u00e1 est\u00e1 mais brando, trabalhar at\u00e9 uns quatro dedos de sol&#8230; e ir para casa tratar os porcos galinhas vacas, se lavar, ler um capitulo de um livro, jantar, rezar o ter\u00e7o e lavar a lou\u00e7a e finalmente dormir.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos por partes, muita coisa voc\u00eas sabem mas algumas precisam de explica\u00e7\u00e3o. Certamente  aula, almo\u00e7o,  sesta, cimarr\u00e3o, sombra, conversa, o ch\u00e1 das quatro e lavoura todos sabem o que \u00e9. Vou come\u00e7ar pelos <em>quatro dedos de sol<\/em>, \u00e9 uma forma de calcular a hora, assim, voc\u00ea estende o bra\u00e7o para o poente e dobra a m\u00e3o em \u00e2ngulo reto com os quatro dedos juntos e o polegar pra cima, se como dedo m\u00ednimo no horizonte voc\u00ea tapa o sol com o indicador da m\u00e3o s\u00e3o quatro dedos de sol, se fosse com o dedo m\u00e9dio seriam tr\u00eas e assim por diante ate o dedo m\u00ednimo um dedo. Assim se calcula a hora e d\u00e1 certo sempre e para todos porque quando se \u00e9 crian\u00e7a e os dedos s\u00e3o menores o bra\u00e7o \u00e9 mais curto, um sistema naturalmente autom\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Tratar os porcos galinhas e vacas fica melhor explicado na m\u00fasica &#8220;Dorme Isabela&#8221; uma composi\u00e7\u00e3o minha, letra e m\u00fasica  na voz do Ernesto Piovesan, da Lu\u00edsa, que tamb\u00e9m fez o arranjo musical. Tenho que contar a hist\u00f3ria. <\/p>\n\n\n\n<p>Quando a Isabela, da Leda, era pequena ficava o dia todo na minha casa e era muito apegada ao &#8220;tio Liliquinho fofinho&#8221;, eu, e sempre queria que eu cantasse para ela dormir. Eu ia cantando todas as cantigas de ninar que conhecia e sempre ela perguntava se eu j\u00e1 tinha cantado esta para outras crian\u00e7as. Eu inocentemente respondia, esta eu cantava pra tia L\u00fa, esta cantava pro tio Lade, ou esta eu cantava pra tua m\u00e3e ou ainda esta eu cantava pra Ana ela ouvia e adormecia. Tudo corria normalmente at\u00e9 que ela come\u00e7ou a cobrar se n\u00e3o tinha nenhuma que fosse s\u00f3 pra ela eu n\u00e3o tinha. At\u00e9 que um dia, j\u00e1 de saco cheio resolvi dar fim ao problema, contei a hist\u00f3ria de nosso dia a dia de inf\u00e2ncia em forma de cantiga de ninar. A\u00ed vai a letra:<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/Dorme%20Isabela.mp3\">Dorme Isabela<br>Cantiga de ninar ga\u00facha (marchinha) <\/a><br> (Clicando no nome poder\u00e3o ouvir o arranjo com a voz do Ernesto.) <\/h1>\n\n\n\n<p>\/: O sol se vai. A noite vem<br>Dorme Isabela, dorme meu bem. :\/<\/p>\n\n\n\n<p>1 &#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;  Devagarinho a bicharada silencia.<br>A passarada se recolhe pros seus ninhos.<br>A crian\u00e7ada vai cessando a gritaria.<br>E pouco a pouco se achegando pro ranchinho.<\/p>\n\n\n\n<p>\/: O sol se vai. A noite vem<br>Dorme Isabela, dorme meu bem. :\/<\/p>\n\n\n\n<p>2 &#8211; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Chaleira chia enquanto a m\u00e3e prepara o mate<br>O fogo arde no braseiro do fog\u00e3o<br>Um pi\u00e1 resmunga e l\u00e1 fora o cusco late<br>\u00c9 o pai que chega com os bois no carret\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p> \/: O sol se vai. A noite vem<br>Dorme Isabela, dorme meu bem. :\/ <\/p>\n\n\n\n<p>3 &#8211;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depois a cuia vai passando m\u00e3o em m\u00e3o<br>Um livro conta hist\u00f3ria que nos encanta<br>No lusco fusco duma luz de lampi\u00e3o<br>Enquanto a m\u00e3e l\u00e1 no fog\u00e3o prepara a janta.<\/p>\n\n\n\n<p> \/: O sol se vai. A noite vem<br>Dorme Isabela, dorme meu bem. :\/ <\/p>\n\n\n\n<p>4 &#8211;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depois da janta a crian\u00e7ada se acomoda<br>Pra cerimonia de encerrar aquele dia<br>Ajoelhados, debru\u00e7ados sobre os bancos.<br>Rezando o ter\u00e7o na hora da Ave Maria.<\/p>\n\n\n\n<p>\/: O sol se foi. E \u00e9 noite j\u00e1<br>Dorme Isabela, pra descansar. :\/<\/p>\n\n\n\n<p>Ai criei outro problema, a m\u00fasica era comprida e eu as vezes n\u00e3o tinha paci\u00eancia para cantar toda e deixava alguma estrofe de fora, ela reclamava &#8211; faltou a do braseiro ou faltou a do ter\u00e7o &#8211; e eu me obrigava a cantar a musica completa que ela ouvia atentamente at\u00e9 o refr\u00e3o &#8220;pra descansar&#8221; e dormia como se tivesse sido desligada.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora \u00e9 que vem a verdadeira hist\u00f3ria \u00e9 &#8220;crian\u00e7as ficam por a\u00ed&#8221;. As crian\u00e7as L\u00e9o, Liceo e Leonildo s\u00f3 esperavam a m\u00e3e terminar a lou\u00e7a e ir sestear para debandar rumo ao rio para um reconfortante banho depois do almo\u00e7o. O po\u00e7o preferido era o dos pinheiros ou o da cachoeirinha que ficava um pouco mais abaixo no meio do mato. O banho tinha que ser pelado sen\u00e3o o pai e a m\u00e3e poderiam ver as roupas molhadas, mas no meio do mato n\u00e3o tinha problema. Ent\u00e3o, roupas pro ch\u00e3o e tchabum, l\u00e1 iam os tr\u00eas para a \u00e1gua. um pouco antes da hora do pai e a m\u00e3e acordar, voltar para casa como uns anjinhos para eles n\u00e3o desconfiarem de nada. Eu acho que foram os cabelos molhados que nos tra\u00edram&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia&#8230; naquele dia quando sa\u00edmos do banho e subimos a barranca do rio n\u00e3o encontramos as roupas. Bem! Foi s\u00f3 juntar cr\u00e9 com l\u00e9 que conclu\u00edmos que tinha sido o pai que recolhera as roupas e n\u00e3o precisava ser g\u00eanio para saber que ele levara para casa e provavelmente estavam no nosso quarto. Come\u00e7amos a montar uma estrat\u00e9gia para reaver as ditas roupas. Primeiro era preciso chegar na casa, bem isso n\u00e3o era muito dif\u00edcil de fazer escondido, tinha uns duzentos metros de mato depois uns cinquenta metros de mandiocal, que estava com uns cinquenta cent\u00edmetros de altura, dava pra ir rastejando, depois as bananeiras, o arvoredo e o terreiro. Para chegar no quarto tinha que atravessar a cozinha onde a m\u00e3e estava, o jeito era esperar que ela sa\u00edsse pra horta. Ficamos escondidos atras das bananeiras a espera, s\u00f3 que a\u00ed aconteceu um fato complicador, a Dorva chegou pra visitar o padrinho e a madrinha. L\u00e1 ficaram ela e a m\u00e3e de conversa, a m\u00e3e na cozinha e e Dorva sentada no degrau. Explico: a divis\u00e3o da sala pra cozinha era s\u00f3 um degrau, a cozinha era de ch\u00e3o batido e a sala de assoalho que ficava uns vinte cent\u00edmetros mais alto e formava um degrau muito bom pra sentar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/ostres0001-700x1024.jpg\" alt=\"Leo Liceo e Leonildo\" class=\"wp-image-290\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/ostres0001-700x1024.jpg 700w, https:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/ostres0001-205x300.jpg 205w, https:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/ostres0001-768x1123.jpg 768w, https:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/ostres0001-1050x1536.jpg 1050w, https:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/ostres0001-1400x2048.jpg 1400w, https:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/ostres0001-scaled.jpg 1751w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption>Os tr\u00eas protagonistas na frente da casa com a m\u00e3e<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A frente da casa  com o &#8220;carreto&#8221; da pra distinguir bem a porta da frente, a janela da sala e a do quarto do pai e da m\u00e3e. A porta da cozinha ficava \u00e0 direita na parede lateral. Pode-se ver ao fundo as \u00e1rvores de erva-mate, as mais altas e as laranjeiras, as menores Atras das laranjeiras ficava o bananal onde nos escondemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a chegada da visita complicou a coisa, t\u00ednhamos que encontrar uma sa\u00edda. A sa\u00edda foi convencer o Leonildo a se vestir com uma tanga de folhas de bananeira, entrar discretamente na casa pegar as nossas roupas, pular a janela do nosso quarto, que ficava nos fundos, e trazer as roupas pra n\u00f3s que ficamos esperando nas bananeiras. Confeccionada a tanga, o indiozinho se p\u00f4s em marcha, entrou discretamente na casa, mas para chegar no quarto tinha que passar na frente da Dorva, a\u00ed \u00e9 que aconteceu a verdadeira hist\u00f3ria. <\/p>\n\n\n\n<p>O menino todo pimp\u00e3o, de tanga e sem camisa, entra na casa e a visita logo percebe o inusitado:<br>&#8211; Que lindinho, brincando de \u00edndio!<br>A m\u00e3e n\u00e3o diz nada porque j\u00e1 imagina o que aconteceu ela sabe que as roupas est\u00e3o no quarto e o pai j\u00e1 foi pra ro\u00e7a. Ele nem estava a\u00ed pros apuros da piazada pelada. Mas a Dorva n\u00e3o se conteve.<br>&#8211; Que gracinha. <br>E pegou  na tanga de bananeira. O menino se assustou e deu um pinote deixando a tanga na m\u00e3o da afilhada. Foi a\u00ed que ela percebeu que ele estava nu e come\u00e7ou a rir sem parar daquele jeito que s\u00f3 ela sabe fazer. Quase morreu de rir, por isso eu disse que banho depois do almo\u00e7o pode matar. Acho que est\u00e1 rindo at\u00e9 hoje. <\/p>\n\n\n\n<p>O menino pegou as roupas dele e dos irm\u00e3os, pulou a janela, se vestiram e foram pra ro\u00e7a. A\u00ed foi a vez do pai rir&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o final de setembro at\u00e9 meados de mar\u00e7o, quando o clima est\u00e1 quente, uma soneca ap\u00f3s o almo\u00e7o \u00e9 sempre bem vinda. Mesmo porque com o calor\u00e3o do sol a pino n\u00e3o \u00e9 muito saud\u00e1vel trabalhar. 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