{"id":237,"date":"2019-10-29T16:33:07","date_gmt":"2019-10-29T19:33:07","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=237"},"modified":"2019-10-29T16:33:07","modified_gmt":"2019-10-29T19:33:07","slug":"a-tafona-e-a-mandioca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=237","title":{"rendered":"A tafona e a mandioca"},"content":{"rendered":"\n<p>Esta hist\u00f3ria poderia ter uns quatro ou cinco t\u00edtulos diferentes como &#8220;O fac\u00e3o e o fumo bravo&#8221;, &#8220;A mandioca e a azedinha&#8221;, &#8220;O polvilho e o biju&#8221;, &#8220;Chegar \u00e9 f\u00e1cil sair nem tanto&#8221;, dependendo do ponto de vista do narrador. Vou falar do meu, e da tafona do seu Facin (Fassini) que conheci quase no final de sua atividade, depois veio a do seu Artur, esta muitos conheceram. Os m\u00e9todos de trabalhar nas duas era muito semelhante s\u00f3 que a do seu Fassini tinha uma caracter\u00edstica muito peculiar, para chegar com uma carro\u00e7ada de mandioca l\u00e1 era muito f\u00e1cil, para sair com um ou dois sacos de farinha era dif\u00edcil, precisava duas juntas de bois na carro\u00e7a. Voc\u00eas deves estar se perguntando porque. Primeiro vou falar da localiza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Do lado esquerdo do rio, na gruta, onde os rios se juntam. Isso mesmo, bem a\u00ed onde tem os banheiros, come\u00e7ava a valeta que levava \u00e1gua para a roda d&#8217;\u00e1gua da tafona, a valeta seguia em n\u00edvel at\u00e9 a dire\u00e7\u00e3o da curva do rio e depois tinha uma calha que ia at\u00e9 a roda que ficava quase na embocadura do arroio que vinha de l\u00e1 dos Pegoraro. A estrada de acesso passava ao lado da casa do seu \u00c2ngelo e dona Olinda Fassini e despencava uns 40 metros em menos de 200 metros de percurso. Descer era moleza, sair de l\u00e1, tinha que pedir ajuda a Deus, ao Anjo, ao Santo e umas duas juntas de bois. Por favor n\u00e3o interpretem mal, Deus e os bois s\u00e3o criador e criaturas, logo n\u00e3o h\u00e1 nada de mal coloc\u00e1-los juntos, o Anjo, tamb\u00e9m conhecido como \u00c2ngelo era o ser criativo que inventou uma especie de catraca para evitar que a carro\u00e7a voltasse quando os bois tinham que dar uma descansada. O artefato funcionava ao contr\u00e1rio da travas dos carros de lomba, apontava para o ch\u00e3o e impedia a carruagem de voltar.  O Santo (se n\u00e3o me engano faleceu recentemente) \u00e9 claro era um dos carroceiros que tinha uma junta de bois excelente e era atrelada na ponta para fazer uma for\u00e7a extra. <\/p>\n\n\n\n<p>Nesta \u00e9poca eu ainda morava no casar\u00e3o do vov\u00f4 na vila e os mandiocais eram nas terras que mais tarde seriam do Santo Trentin e do Tio Luis, quase em frente a morada do seu Peixoto, onde fui morar depois dos sete anos. A arranca\u00e7\u00e3o da mandioca era algo extraordin\u00e1rio, os adultos iam na frente arrancando os p\u00e9s de mandioca e a crian\u00e7ada ia atr\u00e1s com uma enxadinha tirando as ra\u00edzes que ficavam na terra. Como a Mandioca era de dois anos crescia no meio dela o &#8220;fumo bravo&#8221; que davam tr\u00eas galhos numa forquilha bem exata a uns 80 cent\u00edmetros do ch\u00e3o. Eles eram perfeitos para uma brincadeira. A gente se pendurava, uma crian\u00e7a em cada galho e o tio Anjo vinha com o fac\u00e3o e numa faconada certeira derrubava a arvoreta para ver para que lado ca\u00eda. Como eu era pequeno quase sempre caia por cima dos outros. Quem se lembra desta brincadeira? Tamb\u00e9m por ficar dois anos parada a terra dava tempo das azedinhas, que cresciam pelo meio, darem batata, uma esp\u00e9cie de cenourinha branca quase transparente e doce, a gente limpava a terra e comia. Mas isso \u00e9 assunto pra outra hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JyfUeiZIlkQ\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Da\u00ed as ra\u00edzes da mandioca-brava, aquela chamada prata, que a casca das ra\u00edzes era branca e que grudava pouca terra iam para a carro\u00e7a e com ela at\u00e9 a tafona. L\u00e1 uma s\u00e9rie de mecanismos lavavam, tiravam a casca cori\u00e1cea superficial, depois ralavam transformando tudo numa pasta, a\u00ed entravam as crian\u00e7as de novo. A gente enchia um saquinho de algod\u00e3o com aquela pasta e ia lavar no tanque do polvilho, lavava at\u00e9 sair toda a \u00e1gua branca e devolvia a pasta pro tanque que depois ia pro forno para secar. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que tinha de bom mesmo era o carolo torradinho, o carolo era o que sobrava na peneira da farinha, quase todo formado de fibras do pavio da mandioca e de peda\u00e7os de casca quebrados maiores e torrados, normalmente era usado pra alimentar animais. Mas a gente escolhia os mais gordinhos, os peda\u00e7os de casca torrados e comia com a\u00e7\u00facar mascavo ou at\u00e9 mesmo puro. Era uma esp\u00e9cie de sucrilhos de antigamente. E tinha tamb\u00e9m o biju, era feito da pasta de mandioca mo\u00edda com um pouco de a\u00e7\u00facar e torrado numa frigideira untada de banha. O meu problema atual \u00e9 que n\u00e3o consigo mais lembrar o que era mais gostoso dos dois. O certo \u00e9 que s\u00f3 de pensar me d\u00e1 \u00e1gua na boca. <\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde os Oliveira tamb\u00e9m instalaram uma tafona, com um monte de tecnologias a mais. Isto significa que da\u00ed devem vir mais uma meia duzia de hist\u00f3rias. E por falar em Oliveira, tem uma hist\u00f3ria da v\u00f3 Balbina que assombrou o tio Neni, quando ele ia ver a namorada&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta hist\u00f3ria poderia ter uns quatro ou cinco t\u00edtulos diferentes como &#8220;O fac\u00e3o e o fumo bravo&#8221;, &#8220;A mandioca e a azedinha&#8221;, &#8220;O polvilho e o biju&#8221;, &#8220;Chegar \u00e9 f\u00e1cil sair nem tanto&#8221;, dependendo do ponto de vista do narrador. &hellip; <a href=\"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=237\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-237","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/237","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=237"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/237\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":239,"href":"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/237\/revisions\/239"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=237"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=237"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=237"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}