{"id":228,"date":"2019-10-26T21:21:06","date_gmt":"2019-10-27T00:21:06","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=228"},"modified":"2019-10-26T21:21:06","modified_gmt":"2019-10-27T00:21:06","slug":"o-foguinho-encantado-da-aroeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=228","title":{"rendered":"O foguinho encantado da aroeira"},"content":{"rendered":"\n<p>Depois de penar por muitos anos jogando no banhado, o Ipiranga ganhou um campo patrolado. N\u00e3o! n\u00e3o estou falando daquele do alto do morro, mas da \u00e9poca que foi patrolada a pra\u00e7a que se transformou em campo de futebol. Que belo tempo! Os que jogavam ocupavam o campinho da pra\u00e7a, ao norte atr\u00e1s da goleira ficava o Bar do seu Vito, ao leste bem no cantinho, o sal\u00e3o de baile, que depois foi a casa da tia Santina, ao sul ficava o capim e no oeste a escola, a igreja e o timbozal. Que sombra boa!<\/p>\n\n\n\n<p>A gente rezava o ter\u00e7o e depois os que jogavam iam pro campo e os outros ficavam olhando o jogo da sombra. E  os maiores  jogando prenda ou  a crian\u00e7ada brincando nas t\u00e1buas da copa. Foi num destes domingos que conheci a Elenir Antunes. Num destes domingos cheios de atividade tamb\u00e9m, para fazer desfeita a uma menina da vila, me armei de toda a coragem que um t\u00edmido como eu pode arranjar e fui me misturar \u00e0 torcida dos visitantes, o time de Tiradentes, onde conheci e ganhei o endere\u00e7o da In\u00eas Justina Polleto. Na \u00e9poca n\u00e3o tinha internet, telefone, Whatsapp, Facebook&#8230; enfim, se morava longe o jeito era namorar por correspond\u00eancia. Nem vou falar nas confus\u00f5es deste namoro at\u00e9 porque ela tinha uma prima com o mesmo nome  e as cartas foram parar na casa da outra. O meu objetivo \u00e9 falar da coragem&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o vamos l\u00e1, a gente ficava na vila t\u00e9 quase o anoitecer depois ia para casa, a p\u00e9 \u00e9 claro! A gente ficava espiando pra todos os lados de medo de qualquer barulhinho ou outro sinal, ainda mais que a regi\u00e3o \u00e9 bem conhecida pelas apari\u00e7\u00f5es de fantasmas. Foguinho, cavalo sem cabe\u00e7a, cachorro preto, cobra de fogo no banhadinho do tio Luis, cobra com azas, isso era comum. Normalmente estas apari\u00e7\u00f5es eram muito r\u00e1pidas que a gente n\u00e3o tinha tempo de ver direito, mas o foguinho da aroeira&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 pra situar os atuais moradores, se tiverem interesse em verificar se ainda ocorre o fen\u00f4meno. O foguinho aparecia na aroeira que tinha atr\u00e1s da escola, no matinho onde a gurizada ia fazer xixi no final do recreio. No fundo do terreno da escola Roque Gonzales tinha uma patente com setor masculino e feminino, s\u00f3 que os guris n\u00e3o usavam. Quase atr\u00e1s da patente tinha a famosa aroeira, nem de dia a gente ia muito perto, ela ficava quase onde \u00e9 hoje a casa do Gaspar. Creio que o ano era 1962, rec\u00e9m tinha sido constru\u00edda a Brizoleta, escola com duas salas de aula, a pra\u00e7a tinha sido aplainada com patrola o que fez com que o barranco da rua ficasse mais alto. Como eu era baixinho ficava quase na altura dos olhos. O que possibilitou para a crian\u00e7ada ver o foguinho, que antes ningu\u00e9m sabia de sua exist\u00eancia. Ao cair da tarde, quando a gente vinha da rua que hoje passa em frente ao armaz\u00e9m do Mauri e dobrava para o lado da igreja, tinha em frente, ao lado da escola a aroeira contra o horizonte e a gente via um foguinho que cintilava. S\u00f3 que este n\u00e3o era destes que a gente mal v\u00ea, se a gente ficasse parado o foguinho estava l\u00e1, podia chamar outras pessoas que tamb\u00e9m viam. Claro que a primeira vez que vimos quase morremos de medo e descemos correndo at\u00e9 o bar do H\u00e9rcules para chamar algum adulto que pudesse nos acompanhar para casa. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o lembro quem nos acompanhou, mas quando chegamos ao local a gente via o foguinho e os adultos n\u00e3o, foi a\u00ed que algu\u00e9m teve a ideia de se abaixar. E n\u00e3o \u00e9 que o foguinho tava l\u00e1! Bem no p\u00e9 da aroeira. O corajoso disse que ia ver de perto mas para surpresa de todos os presentes quando a gente se aproximava o foguinho sumia. Assim a \u00e1rvore que j\u00e1 tinha fama de causar alergia passou a ter um ar de mist\u00e9rio. Ningu\u00e9m chegava muito perto dela em especial \u00e0 noite. Muita gente viu o tal sinal misterioso at\u00e9 que l\u00e1 por setembro desapareceu de vez. Mais tarde, numa segunda-feira de lua cheia, ou melhor na ter\u00e7a-feita a gurizada que ia fazer xixi no matinho achou a aroeira ca\u00edda no meio de um baita buraco quadrado em degraus. <\/p>\n\n\n\n<p>Alguns anos mais tarde consultei o Florinal e o Seu Chico Flores que eram especialistas em <a href=\"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=103\">guardados de ouro<\/a> mas n\u00e3o obtive nenhuma explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica. No entanto a resposta mais plaus\u00edvel me foi dada pelo seu Domingos Lereno, <a href=\"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=118\">especialista em triangula\u00e7\u00f5es<\/a>. Segundo ele, verificando as dire\u00e7\u00f5es e posi\u00e7\u00f5es poderia ser o lampi\u00e3o da venda do seu Donato Rodrigues, onde hoje \u00e9 a Santa Rosa, que ficava vis\u00edvel do local no inverno, pois a grande maioria das arvores do mato que impediam a vis\u00e3o eram timb\u00f3s, que derrubam a folha nesta \u00e9poca. Infelizmente n\u00e3o foi mais poss\u00edvel confirmar a hip\u00f3tese j\u00e1 que a aroeira j\u00e1 tinha apodrecido.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de penar por muitos anos jogando no banhado, o Ipiranga ganhou um campo patrolado. N\u00e3o! n\u00e3o estou falando daquele do alto do morro, mas da \u00e9poca que foi patrolada a pra\u00e7a que se transformou em campo de futebol. 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