{"id":221,"date":"2019-10-09T21:54:11","date_gmt":"2019-10-10T00:54:11","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=221"},"modified":"2019-10-09T22:03:33","modified_gmt":"2019-10-10T01:03:33","slug":"a-semente-minha-primeira-colheita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=221","title":{"rendered":"A semente &#8211; Minha primeira colheita"},"content":{"rendered":"\n<p>Quem viveu na vila Trentin certamente algum dia comeu feij\u00e3o cor-de-rosa, aquele que ficava com o caldo grosso e era muito gostoso. Creio que at\u00e9 hoje ainda h\u00e1 quem plante daquela esp\u00e9cie, no entanto talvez poucos saibam da origem, de como a esp\u00e9cie foi parar na vila. <\/p>\n\n\n\n<p>Para contar a hist\u00f3ria temos que voltar ao caminh\u00e3o do tio Jos\u00e9, aquele da <a href=\"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=185\">hist\u00f3ria dos pinh\u00f5es<\/a>. O tio trabalhava fazendo fretes de tudo quanto era lugar e numa destas andan\u00e7as foi passar um fim de semana na casa do sogro, o vov\u00f4 B\u00f4rtolo. A\u00ed, no domingo o povo aproveitou para ir de caminh\u00e3o para a missa dominical em Jaboticaba. At\u00e9 a\u00ed nada de novo, na carroceria do caminh\u00e3o cabia todo mundo e na \u00e9poca n\u00e3o havia legisla\u00e7\u00e3o que proibisse carregar gente desta forma. Mas acontece que uma das passageiras era a Bazelides, detalhista, curiosa e amante da natureza ela encontrou uma meia duzia de uns feij\u00f5es desconhecidos, uns cor-de-rosa e outros rosa e branco listadinhos. Logo chegou setembro e ela com o maior zelo plantou os feij\u00f5es m\u00e1gicos num canteiro especialmente preparado na horta. Para surpresa de todos j\u00e1 em janeiro estava colhendo quase um quilograma. A tenta\u00e7\u00e3o de comer foi grande, mas como na \u00e9poca as refei\u00e7\u00f5es eram comunit\u00e1rias na casa da v\u00f3, a quantidade n\u00e3o daria uma cozinhada, logo era preciso multiplicar mais. <\/p>\n\n\n\n<p>Para quem observa a natureza sabe que a multiplica\u00e7\u00e3o de feij\u00f5es se faz por um fator de aproximadamente 60 para um no cedo e 40 para um no tarde, ou seja plantando aquela quantidade em setembro, daria quase um saco e em fevereiro, um pouco menos. S\u00f3 que para os que conhecem a natureza sabem que esta multiplica\u00e7\u00e3o somente \u00e1 poss\u00edvel duas vezes por ano, por isso n\u00e3o valia a pena esperar o fator maior. Assim os feij\u00f5es foram plantados novamente em fevereiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O local escolhido para o plantio foi um pouco adiante do erval da tapera do compadre Or\u00eancio, ele era compadre da m\u00e3e, pois ela foi escolhida para madrinha de uma das filhas dele, assim como o pai e a m\u00e3e eram tamb\u00e9m padrinhos do Jesuis da Matilde, irm\u00e3 do seu Or\u00eancio, do Lor\u00eancio (Lora) e da Ambrosina esposa do Jango (Forquilha). Estas fam\u00edlias j\u00e1 eram moradoras do local antes da chegada dos Trentin. Tudo bem um pouco de hist\u00f3ria n\u00e3o faz mal, mas eu queria falar dos feij\u00f5es cor-de-rosa e o local escolhido foi um pouco adiante do erval, mais ou menos no local onde mais tarde o tio Osvaldo construiria a casa, a segunda casa, n\u00e3o a da <a href=\"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=38\">hist\u00f3ria da taquara furada<\/a>, logo abaixo de um grande umbuzeiro e acima da fonte. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/pinjtor-leo.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-173\" width=\"625\" height=\"960\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/pinjtor-leo.jpg 625w, https:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/pinjtor-leo-195x300.jpg 195w\" sizes=\"auto, (max-width: 625px) 100vw, 625px\" \/><figcaption>N o fundo \u00e0 esquerda da foto pode-se ver os p\u00e9s de erva-mate jovens na tapera do seu Or\u00eancio<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os feij\u00f5es, como quase todas as sementes s\u00e3o m\u00e1gicos e nasceram e cresceram maravilhosamente bem, claro que o tempo ajudou, mas isso \u00e9 s\u00f3 um detalhe. S\u00f3 que l\u00e1 por maio, quase na \u00e9poca da colheita, quando parte das vagens j\u00e1 estavam secas e parte quase prontas, outros moradores antigos  que estavam fazendo provis\u00f5es para o inverno resolveram bater na ro\u00e7a de feij\u00f5es da Bazilides. Uma grande comunidade de formigas sa\u00favas resolveu limpar as folhas e vagens verdes, levaram at\u00e9 alguns feij\u00f5es, mas n\u00e3o foi muita coisa. Elas queriam mesmo as vagens e folhas e os feij\u00f5es secos ou ainda inchados (louros) ficaram abandonados no ch\u00e3o. Dava d\u00f3 de ver!<\/p>\n\n\n\n<p>Mas como os gr\u00e3os j\u00e1 tinham sido catados um por um uma vez na carroceria do caminh\u00e3o n\u00e3o custava fazer a opera\u00e7\u00e3o de novo, s\u00f3 que desta vez a quantidade j\u00e1 era digamos umas 2.400 vezes maior, para uma pessoa isto seria um longo trabalho, mas para quem tinha irm\u00e3s, primas, filhos e sobrinhos isso era uma brincadeira. E assim foi feito. <\/p>\n\n\n\n<p>Tudo o que eu contei at\u00e9 aqui, me foi contado agora passo a narrar minha experiencia. Est\u00e1vamos no final do caf\u00e9 da manh\u00e3 na sala de jantar da vov\u00f3, tomando ch\u00e1-de-mate com leite e comendo p\u00e3o com chimia sob a supervis\u00e3o da nona Rosa que dizia o tempo todo <em>&#8220;bevi mato tosi&#8221;<\/em>  ela chamava o ch\u00e1-de-mate de <em>mato<\/em>. (um dia vou contar as hist\u00f3rias do cafe da manh\u00e3). Eu disse est\u00e1vamos porque o caf\u00e9 da manh\u00e3 era com toda a turma, pelo menos os da tia Rosa, os da tia Irene e n\u00f3s, os da tia Bides. N\u00e3o lembro que anunciou a brincadeira do dia, que era ir juntar feij\u00f5es, mas lembro que um pouco depois a turma toda, acompanhada de varias tias e primas cada um com sua latinha desceu a lomba costeando o mato da caixa d&#8217;\u00e1gua da usina at\u00e9 o alto da cachoeira grande e depois subiu do outro lado at\u00e9 o feijoal. Curiosamente n\u00e3o consigo me lembrar de nenhum dos outros participantes s\u00f3 da Bena. Acho que \u00e9 porque ela tinha uma latinha igual a minha, era uma latinha de talco para crian\u00e7a. Uma latinha quadrada que tinha de lata s\u00f3 o fundo e as laterais de papel\u00e3o, acho que era azul e branca, e at\u00e9, se n\u00e3o me engano era cortada ao meio, um com a parte de baixo e outro com a de cima. <\/p>\n\n\n\n<p>Adultos e crian\u00e7as cada um com sua lata de cocoras, caminhando que nem sapo e catando os feij\u00f5es esparramados, quando se enchia a latinha se despejava numa lata maior e assim foram colhidas duas latas de feij\u00e3o. Agora sim! Dava pra fazer uma cozinhada e guardar semente para o plantio na pr\u00f3xima safra. Esta foi a minha primeira participa\u00e7\u00e3o ativa em colheita, antes, no m\u00e1ximo, tinha roubado algum moranguinho na horta da vov\u00f3. Tamb\u00e9m acho que foi a primeira vez que fui explorado com o tal &#8220;trabalho infantil&#8221;. No entanto devo confessar que foi pr\u00e1 l\u00e1 de divertido e eu teria feito outras vezes, o problema \u00e9 que os adultos da \u00e9poca eram muito criativos e sempre inventavam uma brincadeira nova para as crian\u00e7as, como por exemplo descascar milho com o Catarino, tocar os bois no engenho de moer cana, carregar lenha, picar laranjas para a chimia&#8230; Xiii! Agora acho que fui longe demais al\u00e9m de trabalho infantil periculosidade&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem viveu na vila Trentin certamente algum dia comeu feij\u00e3o cor-de-rosa, aquele que ficava com o caldo grosso e era muito gostoso. 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