{"id":22,"date":"2014-04-24T23:40:26","date_gmt":"2014-04-24T23:40:26","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=22"},"modified":"2014-04-24T23:40:26","modified_gmt":"2014-04-24T23:40:26","slug":"o-sagitariano-e-o-escorpiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=22","title":{"rendered":"O sagitariano e o escorpi\u00e3o."},"content":{"rendered":"<p>Segundo Pierre Levy, quando desenvolvemos uma tecnologia da intelig\u00eancia, tecnologia que auxilia nos processos de conhecimento, racioc\u00ednio ou mem\u00f3ria, passamos a usar as nossas capacidades para outros fins e deixamos \u00e0s tecnologias o trabalho de arquivar estes dados. Por isso, atualmente \u00e9 bastante dif\u00edcil encontrar um jovem que tenha mem\u00f3rias de sua inf\u00e2ncia anterior ao quarto ou quinto ano. Tudo foi registrado em foto, v\u00eddeo ou outra tecnologia e os c\u00e9rebros deixaram de se preocupar com isso. Da mesma forma a escrita, por cristalizar as hist\u00f3rias, que ser\u00e3o lidas \u201cad infinitum\u201d est\u00e3o acabando com os contadores de hist\u00f3rias. Para n\u00e3o deixar morrerem as hist\u00f3rias contadas por nossos tios e av\u00f3s \u00e9 que eu me proponho a escrever um pouco de minhas mem\u00f3rias, j\u00e1 bastante fragmentadas, mas que podem ser reacendidas com fragmentos de outras hist\u00f3rias, por isso \u00e9 que eu pe\u00e7o que aqueles que lembram, n\u00e3o importa que seja de forma fragmentada, me ajudem a compor a hist\u00f3ria de nossa fam\u00edlia, naqueles moldes que eram contadas quando \u00e9ramos crian\u00e7as.<br \/>\nNa hist\u00f3ria da Fam\u00edlia Piovesan, relatei h\u00e1 pouco de como meu pai, O <a title=\"Tio Lino\" href=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=217\" target=\"_blank\">\u201cTio Lino\u201d<\/a> fazia parte da vida das crian\u00e7as como eu e muitos primos, e at\u00e9 dos que n\u00e3o eram sobrinhos dele. N\u00e3o muito diferente foi a participa\u00e7\u00e3o das tias \u201cSila\u201d, \u201cDona\u201d e \u201cM\u00edmi\u201d, respectivamente Tarcila Trentin, Donatila Trentin e Ludmila Trentin, sem contar das irm\u00e3s mais velhas que n\u00e3o tinham apelidos exceto minha m\u00e3e, a \u201cTia Bides\u201d, Basilides Carolina Trentin Piovesan. A hist\u00f3ria de hoje tem como protagonista a tia Mimi, lembro com muito carinho dela, e voc\u00eas entender\u00e3o por que em breve.<br \/>\nN\u00e3o se precisar a data, anos mais tarde soube que eu tinha ao redor de um ano e meio, ent\u00e3o deveria ser o ano de 1955, provavelmente na sa\u00edda do inverno, pois as \u00e1rvores andavam meio desfolhadas e os tachos de fazer a\u00e7\u00facar ainda estavam instalados. A tia M\u00edmi estava fazendo carrinhos para a crian\u00e7ada, cortava um carretel de linha ao meio, obtendo assim duas rodas, furava uma lata de sardinhas em dois lugares na transversal e colocava um palito de madeira como eixo e as duas metades do carretel como rodas. Pronto estava feito um carrinho de transportar terra. Eu observava e esperava que sa\u00edsse o meu. S\u00f3 que os maiores sempre eram contemplados antes, eu estava ficando impaciente, deveria estar enchendo o saco. Quando pedi mais uma vez pelo meu carrinho ela alegou que n\u00e3o tinha palito para o eixo.<br \/>\nComo sempre fui um homem decidido, como \u00e9 comum aos sagitarianos, tomei a iniciativa,<\/p>\n<div id=\"attachment_23\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/acucar.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-23\" class=\"size-large wp-image-23\" alt=\"como se faz a\u00e7ucar\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/acucar-1024x703.jpg\" width=\"640\" height=\"439\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/acucar-1024x703.jpg 1024w, https:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/acucar-300x206.jpg 300w, https:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/acucar.jpg 1164w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-23\" class=\"wp-caption-text\">Na falta de uma foto dos tachos do tempo do vov\u00f4, resolvi ilustrar este post com o trabalho de fazer a\u00e7\u00facar com o tio Marcelino, a m\u00e3e, o Leonidas, o Leonildo e a Leda ao fundo<\/p><\/div>\n<p>peguei uma faca de mesa do \u201csecchiaro\u201d da v\u00f3, daquelas com cabo grosso de ferro e ponta redonda, e fui ao mundo procurar um eixo pro meu carro.<br \/>\nSa\u00ed entre o moinho e o galp\u00e3o. Passei pelo forno dos tachos de fazer a\u00e7\u00facar, pelo engenho de moer cana e fui at\u00e9 os fundos do engenho de serra, melhor entre o engenho e a valeta que levava \u00e1gua para a usina. Um pouco antes da ponte de passar com a serragem sobre a valeta achei uma arvoreta que, segundo meu julgamento, deveria ser da grossura ideal para fazer o dito eixo. E comecei a cortar&#8230;<br \/>\nAlguma coisa aconteceu que n\u00e3o tenho mais nenhuma lembran\u00e7a depois disso, elas voltam alguns dias mais tarde. A hist\u00f3ria continua a partir de relatos de terceiros&#8230;<br \/>\nUm dos filhos do Tio Ant\u00f4nio Trentin, provavelmente o \u00c9rico ouviu gritos de crian\u00e7a perto do monte de serragem e foi prontamente acudir, me encontrou aos berros, ainda com a faca na m\u00e3o. Imediatamente pensou que eu tivesse me cortado, mas n\u00e3o achou sinal nenhum de corte, foi ent\u00e3o que percebeu uma picada de algum bicho na minha m\u00e3o direita, pr\u00f3ximo da base do polegar. Levou-me para casa e come\u00e7aram os cuidados m\u00e9dicos do Vov\u00f4, mas precisava saber do que foi a picada. L\u00e1 foram n\u00e3o sei quantos tios e primos, procurar a fera que me picara. Procura daqui, procura dali e l\u00e1 estava o quase assassino, um escorpi\u00e3o preto, relativamente comum na regi\u00e3o, segundo alguns com capacidade de matar um animal pequeno ou uma crian\u00e7a. Felizmente eu tinha um av\u00f4 que apesar de abst\u00eamio sempre tinha em casa uma cachacinha com guassatonga, com guin\u00e9 e outras po\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas, assim eu fui remediado, mas ainda correndo risco de vida.<br \/>\nMinhas mem\u00f3rias retornam alguns dias mais adiante. Meu dedo polegar direito desmesuradamente inchado, a\u00ed entra em cena outra tia, a Tia Donatila me dizendo que eu morreria se chupasse dedo inchado. Eu n\u00e3o usava chupeta e para dormir, chupava o dedo. Imaginem a angustia de n\u00e3o poder chupar o dedo por medo de morrer, e n\u00e3o poder dormir sem chupar o dedo. Eu n\u00e3o tinha ideia do que era morrer, mas imaginava que seria muito pior do que a dor da picada do escorpi\u00e3o, foram dias de p\u00e2nico. Eu s\u00f3 conseguia dormir uns pingadinhos no colo da Nona Rosa, que fazia quest\u00e3o de ficar comigo no colo quase o dia inteiro.<br \/>\nSarei, o dedo desinchou e eu fiquei sem sequelas, a n\u00e3o ser o medo de morrer e, por conta disso, quando me disseram que a representa\u00e7\u00e3o da morte era o esqueleto, passei a ter pavor de esqueleto, a ponto de n\u00e3o querer passar para o terceiro ano na escola s\u00f3 porque tinha a figura de um esqueleto no livro&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo Pierre Levy, quando desenvolvemos uma tecnologia da intelig\u00eancia, tecnologia que auxilia nos processos de conhecimento, racioc\u00ednio ou mem\u00f3ria, passamos a usar as nossas capacidades para outros fins e deixamos \u00e0s tecnologias o trabalho de arquivar estes dados. 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