{"id":201,"date":"2019-04-23T23:31:15","date_gmt":"2019-04-24T02:31:15","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=201"},"modified":"2019-04-23T23:31:15","modified_gmt":"2019-04-24T02:31:15","slug":"a-capelinha-visita-o-seu-generoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=201","title":{"rendered":"A capelinha visita o Seu Generoso"},"content":{"rendered":"\n<p>Atualmente recebo em meus perfis no Facebook e no Whatsapp in\u00fameras visitas, em v\u00eddeo ou imagens piscantes, de Santos, Anjos Milagreiros e at\u00e9 o pr\u00f3prio Deus, que vem enviados por amigos, alguns que mal conhe\u00e7o. Devo confessar que nenhum deles me desperta nem um mil\u00e9simo da emo\u00e7\u00e3o despertada pela capelinha de Nossa Senhora que visitava a fam\u00edlia na minha inf\u00e2ncia. At\u00e9 que nestes dias a Inezinha, sem imagens, sem luzes, sem musiquinha, sem milagres, ligou uma lembran\u00e7a na minha mem\u00f3ria &#8220;A visita da Capelinha na casa do Seu Generoso&#8221;. Ela visitava todas as casas, mas vou trabalhar com a dele por duas raz\u00f5es: veio da mem\u00f3ria da Inezinha, que era um personagem local, e n\u00e3o tenho tempo para descrever todas, por isso \u00e9 poss\u00edvel que alguns detalhes sejam de outras casas. <\/p>\n\n\n\n<p>A tarefa da capelinha era visitar as fam\u00edlias e permanecer um dia em cada casa. O roteiro da visita era quase sempre o mesmo, ela chegava ao cair da tarde e logo depois da janta a gente se reunia na casa com as fam\u00edlias anteriores e posteriores \u00e0 visita para rezar o ter\u00e7o. O ter\u00e7o dava uns 15 minutos desde o sinal da cruz inicial at\u00e9 o final, com isso podemos dizer que a ora\u00e7\u00e3o formal era insignificante, n\u00e3o que eu esteja a desprezar a ora\u00e7\u00e3o formal, mas \u00e9 justamente para lembrar que ningu\u00e9m vai a casa do vizinho, com a fam\u00edlia toda para rezar 15 minutos, ent\u00e3o porque a visita da capelinha era t\u00e3o importante? <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright is-resized\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Aparecida.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Aparecida.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-203\" width=\"213\" height=\"160\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Aparecida.jpg 850w, https:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Aparecida-300x225.jpg 300w, https:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Aparecida-768x576.jpg 768w, https:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Aparecida-400x300.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 213px) 100vw, 213px\" \/><\/a><figcaption>Esta era a capelinha nova. <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><em>A metodologia<\/em><br>O processo consistia em receber a capelinha num dia e levar a capelinha na casa do vizinho no dia seguinte, na casa onde estivesse a capelinha se rezava o ter\u00e7o depois do jantar. Cada capelinha tinha um grupo de mais ou menos trinta fam\u00edlias ou, se o n\u00famero fosse muito grande tinha duas capelinhas, como era o caso da Vila Trentin, a capela dos Tr\u00eas M\u00e1rtires Riograndenses. Assim a visita da capelinha dava mais ou menos um m\u00eas.<br><em>A pr\u00e1tica<\/em><br>No dia que a capelinha chegava na casa da fam\u00edlia que antecedia a da gente, a gente ia no ter\u00e7o. No outro dia o ter\u00e7o era na casa da gente e no dia seguinte a gente ia na casa do pr\u00f3ximo vizinho, assim sempre tinha tr\u00eas fam\u00edlias reunidas a cada noite. Assim se provocava a presen\u00e7a de Deus entre n\u00f3s de acordo com  <a href=\"https:\/\/www.bibliaonline.com.br\/acf\/mt\/18\/20+\">Mateus 18:20<\/a> <em> &#8220;Porque, onde estiverem dois ou tr\u00eas reunidos em meu nome, a\u00ed estou eu no meio deles.&#8221; <\/em>Isso valia para os adultos, porque para as crian\u00e7as quem tinha que estar presente era o Anjo da Guarda.  <\/p>\n\n\n\n<p>A sequ\u00eancia pr\u00f3xima de casa era o Modesto Dalbianco, Seu Batistinha (Grilo), o Jango (Forquilha), a dona Leila, o Florianinho, l\u00e1 em casa depois seu Luiz Moreira, o outro Jango (Mogango Branco), seu Generoso e tio Valdomiro e depois continuava. Depois que seu Luis Moreira foi embora, seu Jango saiu do grupo e n\u00f3s lev\u00e1vamos l\u00e1 no seu Generoso. <em>PS1.: Entre par\u00eantesis os apelidos, n\u00e3o havia bullying na \u00e9poca. <\/em><br>Como v\u00e1rios vizinhos n\u00e3o sabiam puxar o ter\u00e7o o pai e um de n\u00f3s ia, muitas vezes, em muitas casas desde o Batistinha at\u00e9 seu Generoso. Vou relatar as minhas mem\u00f3rias de uma destas noites.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os fatos e a hist\u00f3ria<\/strong><br>Acho que era quarta-feira, sempre fica melhor um encontro no meio da semana, era janeiro ou fevereiro, tempo quente e seco e tinha lua cheia, ou melhor era o segundo ou terceiro dia da lua cheia, quando o in\u00edcio da noite \u00e9 escuro e depois vem aquela lua maravilhosa para brincar ao luar. Eu estava no terceiro ano, aquele que tinha a caveira no livro, por isso eu n\u00e3o queria ir pro terceiro ano, um dia eu conto porque, ent\u00e3o era o ano de 1961. O tio Valdomiro rec\u00e9m tinha se mudado para a antiga tapera da finada Balbina, aquela que assombrava os caminhantes noturnos, dela tamb\u00e9m tenho algumas hist\u00f3ria pra contar.<br>O caminho para ir la de casa at\u00e9 seu Generoso&#8230; <br>Primeiro um resumo da biografia do seu Generoso. Conheci ele ainda quando mor\u00e1vamos l\u00e1 na v\u00f3, ele tinha feito uma cirurgia e precisava de cuidados ent\u00e3o ficou uns tempos hospedado l\u00e1. Depois quando fomos morar na nossa morada ele ficou nosso vizinho, nesta \u00e9poca ele morava com uma senhora vi\u00fava que n\u00e3o lembro o nome, que tinha uma filha, a Ot\u00edlia, que cham\u00e1vamos de <em>&#8220;Lesma Coalhada&#8221; <\/em>(nada de bullying) que tinha dois filhos o Jo\u00e3o e o Laureano. Quando a senhora faleceu, a Ot\u00edlia e os meninos foram embora e nunca mais soubemos deles. E o Seu Generoso ficou sozinho at\u00e9 que ele encontrou uma senhora vi\u00fava, l\u00e1 pras bandas da Jaboticaba Velha e casou-se com ela dentro dos mais restritos ritos da Santa Madre Igreja. Trouxe para casa a esposa,  a Alzira , a Delv\u00edria  e o Oscar para nossa alegria, mais crian\u00e7as para brincar.<br>&#8230; ah! o caminho. Bem! O caminho que faz\u00edamos para chegar l\u00e1 era descer um pouco pela estrada da vila depois entravamos no potreiro do tio Luis atravess\u00e1vamos a sanga e voil\u00e1, est\u00e1vamos na casa dele. Para atravessar a sanga tinha uma pinguela feita com uma \u00e1rvore de angico que ca\u00edra no barranco e cujos galhos foram parar do outro lado, o \u00fanico inconveniente para as crian\u00e7as \u00e9 que o corrim\u00e3o de taquara ficava meio alto, e de noite precisava uma ilumina\u00e7\u00e3o, &#8211; N\u00e3o! lanterna n\u00e3o tinha. Quando n\u00e3o tinha lua (luz do luar) o pai costumava levar um ti\u00e7\u00e3o de lenha de angico ou camboat\u00e3 bem acesso, a\u00ed quando sacudia ele o ar avivava as brasas dando uma luzinha mixuruca mas suficiente para n\u00e3o trope\u00e7ar e\/ou para atravessar a pinguela em seguran\u00e7a. Os do tio Valdomiro n\u00e3o tinham pinguela pra atravessar mesmo assim precisavam luz para n\u00e3o trope\u00e7ar. O tio costumava vir com um lampi\u00e3ozinho mas a gurizada vinha correndo. &#8211; Gurizada na \u00e9poca era o Cl\u00e1udio, a In\u00eas (Inezinha) e a Cec\u00edlia, l\u00e1 de casa o L\u00e9o, o Leonildo, a Lu\u00edsa e eu. Naquele dia parece que foi combinado. N\u00f3s, l\u00e1 de casa, resolvemos inovar na ilumina\u00e7\u00e3o e pegamos um vidro acho que era de um rem\u00e9dio chamado Polyascorb, nome comercial para a vitamina C na \u00e9poca, e enchemos de vaga-lumes, daquelas sempre acesas, tinha os pirilampos, aqueles que ficam piscando mas n\u00e3o serviam para nosso prop\u00f3sito. Do outro lado os do tio Valdomiro fizeram a mesma coisa s\u00f3 n\u00e3o sei do que era o vidro. Os vaga-lumes at\u00e9 que davam uma luz interessante, s\u00f3 que quando ficavam parados apagavam a luz, acho que era pra n\u00e3o gastar energia, a\u00ed a gente sacudia o vidro e eles acendiam de novo. E assim chegamos \u00e0 casa do seu Generoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Os adultos entraram e sentaram na sala para conversar e tomar chimarr\u00e3o, as crian\u00e7as, com os lampi\u00f5es improvisados esperavam o despontar da lua. Come\u00e7ava uma lasquinha de luz no horizonte que ia brotando e crescendo, dava uns quatro minutos at\u00e9 ficar completa. Este era um tempo de medita\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o, fic\u00e1vamos todos em silencio, admirando aquela lua maravilhosa que despontava, uns minutos mais e t\u00ednhamos a luz do luar para brincar um pouco. <br>A brincadeira preferida era o esconde esconde que a luz do luar fica ainda mais emocionante porque qualquer sombra poderia ser um esconderijo. O ferrolho ficava bem vis\u00edvel, era um palanque de atar cavalo que ficava no centro do facho de luz do lampi\u00e3o que se projetava no gramado. Enquanto os adultos reunidos contavam causos e sorviam o chimarr\u00e3o, as crian\u00e7as corriam como loucos contando, se escondendo, batendo no ferrolho (ou seguro) para se salvar, trope\u00e7ando, caindo dando cabe\u00e7ada, enfim sendo crian\u00e7as. <\/p>\n\n\n\n<p>Os adultos, conforme Mateus 18:20, reunidos com o intuito de rezar traziam para a sua companhia o pr\u00f3prio Filho de Deus, enquanto a crian\u00e7ada deveria ter uma centena de Anjos da guarda cuidando para n\u00e3o se quebrarem&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois a gente rezava o ter\u00e7o e ia para casa, e cansados dorm\u00edamos como anjinhos&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Para aqueles que gostam de relembrar como era o fim de tarde fiz uma cantiga de ninar para minha sobrinha com o tema. Foi gravada pelo Ernesto Piovesan, filho da Luisa. O link \u00e9 para baixar o arquivo <a href=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Dorme-Isabela.wma\">Dorme Isabela<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atualmente recebo em meus perfis no Facebook e no Whatsapp in\u00fameras visitas, em v\u00eddeo ou imagens piscantes, de Santos, Anjos Milagreiros e at\u00e9 o pr\u00f3prio Deus, que vem enviados por amigos, alguns que mal conhe\u00e7o. 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