{"id":156,"date":"2018-05-27T18:56:35","date_gmt":"2018-05-27T21:56:35","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/sb\/?p=156"},"modified":"2018-05-27T19:32:20","modified_gmt":"2018-05-27T22:32:20","slug":"o-vigario-e-as-formigas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liceobr.com\/sb\/?p=156","title":{"rendered":"O vig\u00e1rio e as formigas"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Talvez o t\u00edtulo correto fosse melhor <strong>\u201cO reitor e as formigas\u201d<\/strong>, mas \u201co vig\u00e1rio e as formigas\u201d soa mais agrad\u00e1vel aos acostumados com a lenda da \u201ccigarra e as formigas\u201d, mas essa n\u00e3o \u00e9 uma lenda. Baseado em informa\u00e7\u00f5es do professor Ademar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O terreno h\u00e1 pouco doado pelo benfeitor e inolvid\u00e1vel amigo, Santo Pazzini, estava a ser desbravado pelos destemidos padres oblatos e seus seminaristas, era o come\u00e7o de um grandioso projeto de constru\u00e7\u00e3o de um semin\u00e1rio, mas sobretudo de uma leva de cidad\u00e3os conscientes e engajados na causa social de S\u00e3o Francisco de Sales. Os tr\u00eas pr\u00e9dios iniciais estavam conclu\u00eddos o dos quartos dos padres com um s\u00f3t\u00e3o, dormit\u00f3rio dos meninos; a capela, no centro e o refeit\u00f3rio-cozinha-lavanderia onde tamb\u00e9m ficavam a clausura e dormit\u00f3rio das auxiliares. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando falei em desbravar era exatamente isso, na \u00e9poca o Braga era cercado de mato por todos os lados, o terreno do semin\u00e1rio tinha apenas a frente aberta o resto do terreno era mato. \u00a0Com a chegada dos seminaristas nos anos 1956 e 1957 era preciso aproveitar o terreno para produzir alguma coisa que ajudasse na economia dom\u00e9stica, uma horta era, no momento, uma op\u00e7\u00e3o que se apresentava como educativa e econ\u00f4mica. Os seminaristas aprenderiam o valor do trabalho e produziriam alimentos para si pr\u00f3prios, diga-se de passagem dois nobres objetivos. <\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_159\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/sb\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/padres-alemao2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-159\" class=\"size-medium wp-image-159\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/sb\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/padres-alemao2-300x222.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"222\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/sb\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/padres-alemao2-300x222.jpg 300w, https:\/\/liceobr.com\/sb\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/padres-alemao2-150x111.jpg 150w, https:\/\/liceobr.com\/sb\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/padres-alemao2-768x568.jpg 768w, https:\/\/liceobr.com\/sb\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/padres-alemao2-1024x757.jpg 1024w, https:\/\/liceobr.com\/sb\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/padres-alemao2-406x300.jpg 406w, https:\/\/liceobr.com\/sb\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/padres-alemao2.jpg 1862w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-159\" class=\"wp-caption-text\">Padres pioneiros da prov\u00edncia alem\u00e3. Da esquerda para a direita atras Pe. Paulo Stray, Pe.Henrique, Irm\u00e3o Marcos, na frente Pe Theodoro Syberichs, Pe Guilherme Wetzel, e Irm\u00e3o Eug\u00eanio. O Ir. Eug\u00eanio \u00e9 do primeiro grupo de alem\u00e3es que veio para o Brasil, o Ir. Marcos do terceiro, os demais do segundo grupo. na \u00e9poca da foto j\u00e1 eram falecidos os pioneiros Alfredo Engeltinger e Antonio Paul<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A divis\u00e3o de tarefas acontecia mais ou menos desta forma: O padre Theodoro comandava a economia da constru\u00e7\u00e3o o padre Henrique comandava a par\u00f3quia, o padre Paulo Stray era o reitor, o Irm\u00e3o M\u00e1rio, ainda piazote comandava a obra, o irm\u00e3o Eugenio, o das abelhas, coordenava a horta, o irm\u00e3o Fernando, que tocava viol\u00e3o com o viol\u00e3o nas costas, Nossa quantas lembran\u00e7as\u2026 Mas n\u00e3o era esta hist\u00f3ria de desbravadores que eu queria contar, \u00e9 a das formigas. Vamos a ela.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Com a ajuda da gurizada a horta come\u00e7ava a mostrar seus primeiros frutos e isso era muito bom, significava comida de qualidade na mesa, mas, sempre tem um mas, as formigas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Bem j\u00e1 que as formigas s\u00e3o um personagem importante merecem pelo menos um par\u00e1grafo. Elas estavam acostumadas no mato onde as folhas caem naturalmente e ficava muito f\u00e1cil para cultivar a sua horta. Claro! Formigas, em especial as sa\u00favas, pertencentes \u00e0 tribo Attini, t\u00eam hortas subterr\u00e2neas onde elas cultivam champignons, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Leucoagaricus gongylophorus, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">o fungo que lhes fornece alimento. Para isso usam folhas poderes como adubo, mas com a derrubada dos matos elas tiveram que mudar seus h\u00e1bitos e come\u00e7ar a procurar adubo para seus fungos por conta pr\u00f3pria. Os matos agora ficavam um quil\u00f4metro ou mais de suas casas por isso a pr\u00f3xima op\u00e7\u00e3o era a de buscar o rico alimento cultivado pelos seminaristas na horta, dispon\u00edvel, macio de qualidade e por a\u00ed vai, j\u00e1 que a erva mate que sobrara do mato e os pinheiros n\u00e3o s\u00e3o uma boa op\u00e7\u00e3o. Imaginem que festa, uma d\u00fazia de garotos e um irm\u00e3o religioso cultivando uma horta s\u00f3 para elas\u2026 Epa! n\u00e3o era para elas, pelo menos este era o pensamento do reitor\u2026<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Da noite para o dia a horta fora colhida pelas formigas e o reitor entrou em p\u00e2nico,<br \/>\n&#8211; Como estes bichinhos podem devastar tanto?<br \/>\n&#8211; Prrrecisamos contrrrolar estes bichinhos. Sentenciou o padre Paulo durante o jantar.<br \/>\n&#8211; Mas como n\u00e3o conhecemos nenhuma forma plaus\u00edvel. Retrucou o padre Henrique.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Humildemente o Irm\u00e3o M\u00e1rio explicou que entre seus conterr\u00e2neos de usava despejar a \u00e1gua da primeira fervura da mandioca, ainda quente, nos ninhos. Mas a op\u00e7\u00e3o se mostrou invi\u00e1vel pois as mandiocas que foram plantadas ainda n\u00e3o tinham ra\u00edzes. Na \u00e9poca n\u00e3o existiam ainda os venenos e foi a\u00ed que o reitor teve uma ideia brilhante.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Na naturreza (disse ele com aquele erre gutural caracter\u00edstico) as forrmigas ten predadorres, temos que acharr um jeito de ca\u00e7arr estes insectos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como a gurizada era fissurada em santinhos ele teve uma ideia. A gurizada podia ca\u00e7ar formigas no recreio e a cada cem formigas receberiam um santinho. Estipulado o plano e o pre\u00e7o, um centavo de santinho por formiga, logo a turma toda foi comunicada da decis\u00e3o do reitor. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foi assim que o terror das formigas come\u00e7ou: <em>aqueles guris bonzinhos que estavam plantando comida agora revelaram a verdadeira inten\u00e7\u00e3o, era para fazerem as formigas prisioneiras, e pior, eles n\u00e3o tinham respeito nenhum, soldados, trabalhadoras, rainhas zang\u00f5es, todos sem exce\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a ser feitos prisioneiros e em lotes de cem em cem eram vendiam para um gigante que as escravizava. N\u00e3o! N\u00e3o! Ele matava a todas realmente era uma guerra insana e mesmo com o ex\u00e9rcito de milhares de formigas n\u00e3o conseguiriam vencer aquele pequeno ex\u00e9rcito de seminaristas. <\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto a turma dos colegas do Ademar Andolhe, Pedro Kemmer, Wili Ferreira,Jo\u00e3o Carlos Guterres de Moura, Juvenal G. De Moura, Lennir da Rosa Gobi, Pedro Kronbauer, Jaime Kovalewki, Domingo Zandona, Abilio Kummel, Ereno Kaiser, Sergio Trentin, Jos\u00e9 M. Santi, Romeu Winkc, Jo\u00e3o Pedrotti e alguns mais que n\u00e3o me lembro, enchiam as p\u00e1ginas de seus cadernos com santinhos, a moeda de troca do padre Paulo. Quando o estoque de santinhos estava quase no fim e o reitor teria que come\u00e7ar a inflacionar as formigas eis que um general do ex\u00e9rcito usando uma t\u00e1tica especial \u00a0come\u00e7a a aparecer com mais e mais formigas a ponto do pre\u00e7o ir para mil formigas por santinho. Foi a ru\u00edna das formigas o Jos\u00e9 Santi passou a usar a t\u00e1tica do tamandu\u00e1, enfiava um talo de folha de mandioca no ninho das formigas e tirava alguns instantes depois com quase uma centena de formigas das grandes, os soldados. E foi assim que a popula\u00e7\u00e3o do reino das formigas foi dizimada, os estoques de santinhos de todos os padres foi quase a zero, teve at\u00e9 padre tentando passar aquelas notas (que n\u00e3o valiam nada) que tinham a figura de Santos Dumont como santinho, e o Jos\u00e9 passou a ser uma esp\u00e9cie de her\u00f3i da horta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o sei se ele pagou os direitos autorais dos tamandu\u00e1s, mas guerra \u00e9 guerra.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez o t\u00edtulo correto fosse melhor \u201cO reitor e as formigas\u201d, mas \u201co vig\u00e1rio e as formigas\u201d soa mais agrad\u00e1vel aos acostumados com a lenda da \u201ccigarra e as formigas\u201d, mas essa n\u00e3o \u00e9 uma lenda. Baseado em informa\u00e7\u00f5es do &hellip; <a href=\"https:\/\/liceobr.com\/sb\/?p=156\">Continuar a ler <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-156","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nao-categorizado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/sb\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/sb\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/sb\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/sb\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/sb\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=156"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/liceobr.com\/sb\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/156\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":160,"href":"https:\/\/liceobr.com\/sb\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/156\/revisions\/160"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/sb\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/sb\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/sb\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}