{"id":150,"date":"2018-04-27T21:48:13","date_gmt":"2018-04-28T00:48:13","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/sb\/?p=150"},"modified":"2018-04-27T22:03:56","modified_gmt":"2018-04-28T01:03:56","slug":"jipp-e-as-politicas-sociais-e-economicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liceobr.com\/sb\/?p=150","title":{"rendered":"JIPP e as pol\u00edticas sociais e econ\u00f4micas."},"content":{"rendered":"<p>Corria o ano de 1969 e o Braga ainda n\u00e3o tinha Mumu. Foi nesta \u00e9poca que a irm\u00e3 Alicia, certamente movida pela situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de algumas fam\u00edlias e social de um bando de alunos, resolveu come\u00e7ar um movimento que se tornou em pouco tempo, depois da primeira reuni\u00e3o, a Juventude Interessada Pelo Pr\u00f3ximo &#8211; JIPP. Mas antes de falar da JIPP \u00e9 preciso fazer uma breve an\u00e1lise politica, econ\u00f4mica e social da \u00e1rea metropolitana do Braga-RS e arredores.<\/p>\n<p>Mesmo n\u00e3o sendo a capital da erva mate, o Braga sempre foi um grande produtor do referido ingrediente da bebida mais popular destes pampas, o chimarr\u00e3o. A erva mate crescia pelos matos naturalmente o que fazia com que estes tivessem um grande valor econ\u00f4mico. Hoje os ecologistas diriam que \u00e9 Agro floresta, isto mesmo um mato que tem como ser explorado economicamente sem deixar de ser mato. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o no munic\u00edpio era o erval do Pazzini que ficava entre o semin\u00e1rio e a granja do semin\u00e1rio e que tinha o cemit\u00e9rio velho no meio, mas isto \u00e9 assunto para outros causos, era o \u00fanico erval cultivado. Daqui j\u00e1 conclu\u00edmos que a erva mate estava no meio do mato e Braga tamb\u00e9m, era uma cidade cercada de mato por todos os lados, e melhor que isso um mato produtivo. O \u00fanico problema \u00e9 que tirar a erva do mato exigia muita m\u00e3o de obra, assim com exce\u00e7\u00e3o do Pazzini todos os outros produtores estavam em desvantagem e para superar isso surgiu uma organiza\u00e7\u00e3o social bem interessante. <iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tSX1jEggjdg\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><br \/>\n<strong><em>Um pouco de como se faz erva-mate a v\u00eddeo n\u00e3o foi feito no Braga, mas na regi\u00e3o, mostra como era colhida a erva no mato.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>1. O propriet\u00e1rio do mato cedia um local para o trabalhador construir sua casa e fazer uma rocinha. Mas&#8230;<br \/>\n2. Tinha que trabalhar exclusivamente para ele na colheita da erva na \u00e9poca da safra, que ia de maio a setembro mais ou menos. E&#8230;<br \/>\n3. A cada tr\u00eas ou quatro anos tinha que mudar a casa de lugar.<br \/>\nEu sei voc\u00eas est\u00e3o curiosos porque o item 3. Vamos analisar passo a passo. O cidad\u00e3o mora na terra e tem uma rocinha para o pr\u00f3prio sustento, cria um porquinho, galinhas, etc. De vez em quando o dono da terra vem buscar alguma coisa que deve ser dada em troca da moradia. O cidad\u00e3o trabalha para o dono da terra e \u00e9 remunerado pelo seu trabalho. Mas&#8230; Sempre tem um mas, n\u00e3o existe contrato algum entre as partes, por isso o pagamento em porcos, galinhas, milho ou o que quer que seja n\u00e3o \u00e9 considerado aluguel. Logo depois de cinco anos algu\u00e9m poderia reivindicar o usucapi\u00e3o.<\/p>\n<p>Espera a\u00ed! E o que isso tem a ver com a JIPP?<br \/>\nBem! Pensem comigo, os cidad\u00e3os tem obriga\u00e7\u00e3o de trabalhar na colheita da erva mate, quando a colheita vai at\u00e9 muito tarde, digamos depois de setembro, a lavoura deles s\u00f3 pode ser plantada depois e fica tarde e produz pouco, logo se a gente ensina as esposas que ficam em casa a plantar alguma coisa tipo horta eles ter\u00e3o o que comer. Est\u00e1 a\u00ed o plano social da professora de portugu\u00eas, o n\u00famero um. A segunda parte do plano \u00e9 esta: A turma vai para a escola de manh\u00e3 e o que faz a tarde? Na \u00e9poca n\u00e3o tinha muita coisa pra fazer, ent\u00e3o visitar estas fam\u00edlias poderia servir para, no m\u00ednimo, tr\u00eas finalidades: Compartilhar conhecimento de horticultura com as fam\u00edlias, ocupar os jovens no contraturno (esta palavra foi inventada muito tempo depois mas a pr\u00e1tica j\u00e1 existia) e dar uma oportunidade aos seminaristas mais t\u00edmidos a se socializarem e as garotas a se encontrar com eles fora da aula e ter assunto para escrever os di\u00e1rios e praticar a desinibi\u00e7\u00e3o e orat\u00f3ria e&#8230; Bah! Era tanta coisa boa num s\u00f3 movimento que n\u00e3o tem como descrever, por isso vou me limitar a minha experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Depois da reuni\u00e3o de funda\u00e7\u00e3o do grupo, nos sal\u00f5es do subsolo do sal\u00e3o paroquial formaram-se dois grupos um para o Braguinha e outro para o Flor da Serra, a partir de agora minha experi\u00eancia \u00e9 com o Braguinha, a turma de quarta-feira. Neste dia logo depois do almo\u00e7o a gente ia at\u00e9 a frente da igreja matriz onde esperava a turma toda chegar, depois a gente ia at\u00e9 a encruzilhada do Braguinha onde o grupo se dividia. Minhas primeiras visitas foram para o grupo de fam\u00edlias da esquerda, uns 500 metros depois da estrada principal tinha a primeira casa, se \u00e9 que poderia ser chamada de casa, onde cheg\u00e1vamos, tom\u00e1vamos chimarr\u00e3o e jog\u00e1vamos conversa fora at\u00e9 achar uma brecha para falar de fazer uma horta. Na segunda casa o processo era o mesmo. A terceira casa esta era a do Lourencinho, sempre faceirinho, s\u00f3 estranhava que chegavam homens com mo\u00e7as junto. Tem cada hist\u00f3ria&#8230; \u00c9 que a esposa dele era bem mais jovem que ele e recebia frequentemente visitas de homens que vinham tomar um mate ou uma caipirinha, e como ele n\u00e3o tinha em casa davam dinheiro para ele ir ao armaz\u00e9m comprar. L\u00e1 ia ele enquanto a a esposa fazia sala, quarto e tudo mais pra visita at\u00e9 ele voltar. Fiquei pouco tempo nesta rota depois fui para a rota rumo a Redentora, tamb\u00e9m uns 500 metros e entravamos num caminho a esquerda onde tinha mais tr\u00eas fam\u00edlias, nesta rota fiquei um bom tempo com a Vilma. Esta foi bem produtiva, fizemos horta carpimos plantamos rabanetes, repolhos, alface, o rabanete era para conquistar a fam\u00edlia pois em quatro ou cinco semanas j\u00e1 estava produzindo. De lambuja esta rota tinha muita cerejeira, pitangueira e araticum para a gente colher no caminho. Algum tempo mais tarde fiz a rota da direita da estrada com a Terezinha e a irm\u00e3 da Tuti, esta rota tinha fam\u00edlias mais estabilizadas e acomodadas era mais dif\u00edcil de trabalhar.<\/p>\n<p>Nunca fui na turma de quinta-feira rumo ao Flor da Serra, mas posso garantir que o melhor de tudo foi que esta atividade me transformou de um rato de biblioteca que mal levantava os olhos para falar num tagarela que n\u00e3o cala nunca. Sem contar com a apraz\u00edvel companhia das meninas tanto nas visitas \u00e0s fam\u00edlias como nas reuni\u00f5es de planejamento das quintas \u00e0 noite. Mas&#8230;<\/p>\n<p>Sempre tem um mas. Um belo dia a professora Alicia resolvei acabar com tudo.<\/p>\n<p>Anos mais tarde descobri a raz\u00e3o. Viv\u00edamos em \u00e9poca de regime de exce\u00e7\u00e3o e aquele trabalho social despertou interesse dos detentores do poder, a professorinha foi convidada, nos moldes de convites que eram feitos na \u00e9poca, a dar explica\u00e7\u00f5es, segundo os m\u00e9todos usados na \u00e9poca para obter informa\u00e7\u00f5es, sobre o movimento. E finalmente foi gentilmente\u00a0 convidada a encerrar a atividade antipatri\u00f3tica que exerc\u00edamos. Em outras palavras, fazendo um trocadilho,<em> &#8220;A Alicia foi acusada de estar aliciando jovens para o comunismo&#8221;.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Corria o ano de 1969 e o Braga ainda n\u00e3o tinha Mumu. 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