{"id":102,"date":"2018-01-25T21:54:10","date_gmt":"2018-01-26T00:54:10","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/sb\/?p=102"},"modified":"2018-01-26T06:41:32","modified_gmt":"2018-01-26T09:41:32","slug":"titanic-dos-pampas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liceobr.com\/sb\/?p=102","title":{"rendered":"Titanic dos pampas"},"content":{"rendered":"<p>Este feriad\u00e3o teria um novo sabor, desta vez \u00edamos acampar no Rinc\u00e3o Re\u00fano. Como de sempre foram escolhidos os treze &#8220;capit\u00e3es de barraca&#8221;, a equipe da cozinha, a equipe de seguran\u00e7a, a da lou\u00e7a e finalmente designados os ocupantes de cada barraca.<br \/>\nPrimeiro ato era revisar a barraca, cada grupo revisava a sua e verificava tudo at\u00e9 os m\u00ednimos detalhes, sempre faltava uma estaca ou gancho e era preciso providenciar com anteced\u00eancia o substituto pois na hora do acampar n\u00e3o teria mais tempo para resolver nada. As listas de coisas para checar eram revisadas exaustivamente, nunca sobrava muito espa\u00e7o para o improviso, exceto para o cascudo e o cientista louco, que sempre davam um jeito de fazer alguma improvisa\u00e7\u00e3ozinha.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o vamos fugir do assunto, vamos para o Rinc\u00e3o Re\u00fano, logo ali passando Campo Novo.<\/p>\n<p>As recomenda\u00e7\u00f5es quanto a montagem das barracas, a organiza\u00e7\u00e3o dos pertences pessoais como: roupas, cal\u00e7ados, apetrechos de pesca, algum jogo de tabuleiro, lanterna, ferramentas pessoais e por a\u00ed vai. Acess\u00f3rios para o grupo como: bolas, raquetes, boias, algum outro acess\u00f3rio esportivo, lampi\u00f5es, lonas para a cozinha, apetrechos de cozinha, comida, ferramentas b\u00e1sicas, etc. Tudo certo!<\/p>\n<p>A seguir vinha uma pr\u00e9dica sobre quest\u00f5es de seguran\u00e7a e comportamentos desejados e esperados de cada um. Ah! E as regras:<\/p>\n<ul>\n<li>N\u00e3o nadar em local considerado perigoso, no a\u00e7ude tinha um lado que tinha \u00e1rvores secas, era perigoso, a margem direita dom rio. Justamente deste lado da barragem \u00e9 que ficava o mato que margeava a represa,\n<div id=\"attachment_111\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/sb\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/acude1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-111\" class=\"wp-image-111\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/sb\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/acude1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"237\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-111\" class=\"wp-caption-text\">Uma parte do a\u00e7ude tinha restos de \u00e1rvores&#8230;<\/p><\/div>\n<p>o lugar melhor para a cozinha, as barracas-dormit\u00f3rio ficavam na outra ponta da barragem, na margem esquerda do rio, uma \u00e1rea gramada e onde o a\u00e7ude era mais raso e indicado para o banho. Toda esta margem do rio tinha casas e lavouras por isso o acesso para pesca se fazia pelo outro lado.<\/li>\n<li>N\u00e3o nadar \u00e0 noite.<\/li>\n<li>N\u00e3o gritar socorro por brincadeira.<\/li>\n<li>N\u00e3o sair em grupos de menos de tr\u00eas pessoas, caso houvesse um acidente um ficava com o acidentado e o outro sairia para chamar socorro.<\/li>\n<li>Cuidar de seus pertences pessoais e dos acess\u00f3rios de acampamento individuais.<\/li>\n<li>N\u00e3o tocar a lona da barraca por dentro em caso de chuva.<\/li>\n<li>N\u00e3o entrar na barraca com cal\u00e7ado.<\/li>\n<li>e mais uma s\u00e9rie que n\u00e3o me lembro&#8230;<\/li>\n<\/ul>\n<p>Assim na sexta-feira chegamos ao para\u00edso, o rinc\u00e3o Re\u00fano.<\/p>\n<p>Cada grupo armou sua barraca e tudo come\u00e7ou como o planejado mas&#8230;<\/p>\n<p>Uma senhora que morava pr\u00f3xima a barragem, na margem esquerda, al\u00e9m de excelente remadora tamb\u00e9m simpatizou com a turma e deixou a disposi\u00e7\u00e3o o seu ca\u00edque de fabrica\u00e7\u00e3o caseira com um remo. O dito ca\u00edque podia transportar uns quatro seminaristas de cada vez, como sempre fui bom e matem\u00e1tica fiz logo o c\u00e1lculo isto daria uns 12 grupos mais os padres e irm\u00e3os, suponhamos que alguns n\u00e3o quisessem navegar digamos seriam 10 grupos o que daria uma hora aproximadamente por grupo por dia. Mas a matem\u00e1tica de verdade n\u00e3o funcionava assim, logo come\u00e7aram as disputas de quem andava mais ou menos, quem ficava mais tempo, quem sabia remar, quem tinha medo e a confus\u00e3o se generalizou. Como n\u00e3o tinha regra porque isso n\u00e3o fora planejado come\u00e7aram a surgir uns probleminhas.<\/p>\n<p>Neste \u00ednterim, o Cascudo, aficionado da arte da pesca e o cientista louco, que tamb\u00e9m gostava de pescar, mas amava o contato com a natureza se desgarraram da tropa, depois de lavar a lou\u00e7a do almo\u00e7o, e foram armar espinheis e caminhar pela margem direita. Foram at\u00e9 o fim da represa, onde o arroio des\u00e1gua nela para l\u00e1 armarem seus espinheis. Um problema enfrentado era que um tinha que atravessar o arroio e depois segurando uma ponta do espinhel descer rio abaixo pela outra margem at\u00e9 um lugar prop\u00edcio para a atividade. Nestas idas e vindas uma surpresa &#8211; um ca\u00edque naufragado &#8211; num lugar relativamente raso.<\/p>\n<p>&#8211; Ser\u00e1 que d\u00e1 pra tirar?<br \/>\n&#8211; Vamos tentar!<\/p>\n<p>O rio era raso mas tinha uma grande camada de lodo no fundo. A primeira tentativa de entrar para i\u00e7ar o Titanic come\u00e7ou a dar problemas, mesmo arrega\u00e7ando ao m\u00e1ximo as cal\u00e7as n\u00e3o dava. Nenhum dos dois tinha ido com roupa de banho o jeito foi mesmo se pelar e entrar no lodo, como era mato o lugar estava razoavelmente seguro para uma loucura destas. Puxa daqui, sacode dali e o dito se mexeu, em poucos minutos estava em terra firme e o melhor com um remo dentro.<br \/>\nNos lavamos vestimos as roupas e fomos analisar as causas do naufr\u00e1gio. A conclus\u00e3o foi obvia e imediata. Uma fissura longitudinal no fundo do casco. O mais:\u00a0amurada, bico de proa, assento de proa, balizas, hastilhas, assento de meia-nau tudo perfeito, apenas o assento de popa um pouco deteriorado.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o vai flutuar com esta rachadura.<br \/>\n&#8211; Ser\u00e1 que podemos dar um jeito?<br \/>\n&#8211; Vamos ver o que temos de ferramentas e material&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o era grande coisa de ferramentas, al\u00e9m da sacolinha pra carregar os peixes um canivete, um gancho de arame e a latinha de minhocas, material nada. Mas \u00e9 a\u00ed que o conhecimento cient\u00edfico da natureza nos tirou do apuro. Tinha muito capim taboa nas margens do arroio, mas nenhum aglutinante. Das aulas de geografia do professor Rota lembrei das seringueiras que quando tem a casca riscada sai uma esp\u00e9cie de cola o l\u00e1tex, mas por aqui n\u00e3o tem seringueira. Da\u00ed come\u00e7aram as suposi\u00e7\u00f5es que \u00e1rvore pode fazer o mesmo ou parecido? Logo veio na lembran\u00e7a figueira, e tinha uma pr\u00f3xima ao barrac\u00e3o da cozinha. Ela vai ser a solu\u00e7\u00e3o, enquanto o Cl\u00e9sio limpava com um pauzinho apontado o podre da fissura no casco, sa\u00ed mato afora da cata da figueira e n\u00e3o demorou muito achei uma \u00e1rvore bem nova, com a casca mole, muito boa para fazer os valinhos em V como os seringueiros. Uma meia hora depois e j\u00e1 esgotada a paci\u00eancia j\u00e1 tinha uns 40 mililitros de leite de figueira na latinha das minhocas, voltei ao barco. Catamos folhas secas de capim e come\u00e7amos passar o leite de figueira, esperamos at\u00e9 ficar grudento.<\/p>\n<div id=\"attachment_112\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/sb\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/actaboa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-112\" class=\"size-full wp-image-112\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/sb\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/actaboa.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"215\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-112\" class=\"wp-caption-text\">Capim taboa na margem do a\u00e7ude<\/p><\/div>\n<p>Viramos o barco para colocar a palha de baixo para cima, pois \u00e9 este o sentido da for\u00e7a de empuxo, a\u00ed quando o barco estivesse na \u00e1gua esta pressionaria para firmar mais ainda o capim da fenda. Algumas horas de trabalho e a nau estava pronta para navegar. Pena que n\u00e3o tinha nem uma cachacinha para rebatizar o ca\u00edque antes de lan\u00e7ar na \u00e1gua.<\/p>\n<p>&#8211; Flutuou! Viva!<br \/>\n&#8211; Vamos embarcar primeiro um depois o outro, e aguardaremos um tempo para ver se n\u00e3o vai fazer \u00e1gua.<\/p>\n<p>Aguardamos uns minutos e estava tudo Ok, resolvemos partir, agora relembrando as aulas de hist\u00f3ria resolvemos praticar a navega\u00e7\u00e3o de cabotagem, ou seja, ir seguindo pela margem da represa evitando lugares fundos ou que fossem longe da margem caso a nau afundasse. Apesar de ter que constantemente desviar espinheiros e gravat\u00e1s fomos singrando mansamente por aproximadamente 15 minutos quando avistamos um pescador compenetrado na margem, o Paulo Roberto. Ao nos ver chamou-nos para a margem, atracamos e ficamos conversando por uns minutos quando ele pediu carona e foi logo avisando.<\/p>\n<div id=\"attachment_113\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/sb\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/acude3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-113\" class=\"wp-image-113\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/sb\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/acude3.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"216\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-113\" class=\"wp-caption-text\">singrando docemente pr\u00f3ximo a margem<\/p><\/div>\n<p>&#8211; Voc\u00eas quebraram uma regra, estavam somente em dois se eu falar com o padre os dois est\u00e3o ferrados por isso vou junto. (Na hora nem nos damos conta que ele tamb\u00e9m havia quebrado a regra)<\/p>\n<p>O grande neg\u00f3cio \u00e9 que agora t\u00ednhamos um ca\u00edque s\u00f3 para n\u00f3s, poder\u00edamos ficar o dia todo navegando, e assim foi feito navegamos pelo meio do a\u00e7ude sem se preocupar com a hora. S\u00f3 que depois de algum tempo a \u00e1gua come\u00e7ou amolecer o l\u00e1tex e minar lentamente para dentro do ca\u00edque. Foi a\u00ed que a latinha de minhocas do Paulo mostrou sua utilidade e a composi\u00e7\u00e3o da tripula\u00e7\u00e3o ficou assim: um remava, outro tirava \u00e1gua com a latinha e ou outro pescava. Como j\u00e1 era quase hora da janta fomos em dire\u00e7\u00e3o ao ancoradouro das barracas para buscar os pratos. Pegamos os pratos e talheres, que eram guardados nas barracas, e j\u00e1 retorn\u00e1vamos ao barco quando o padre Guilherme nos abordou. Queria saber do barco, explicamos que t\u00ednhamos encontrado abandonado um pouco acima da cozinha, (omitimos que eram quase dois quil\u00f4metros) e que estava fazendo um pouco d&#8217;\u00e1gua por isso tem\u00edamos deixar nas m\u00e3os dos inexperientes. Certamente ele calculou que o ca\u00edque era igual o outro e que suportaria quatro tripulantes. Exigiu que o deix\u00e1ssemos embarcar, embarcou e rumamos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cozinha.<\/p>\n<p>Com mais peso a press\u00e3o do empuxo da \u00e1gua come\u00e7ou a for\u00e7ar o capim da fenda e em pouco tempo a \u00e1gua come\u00e7ou a subir descontroladamente. O Eucl\u00e9sio estava no turno de tirar \u00e1gua, o Paulo remava e eu era o felizardo do turno que n\u00e3o durou muito tempo pois tive que come\u00e7ar a tira \u00e1gua com o prato. A esta altura j\u00e1 estava quase entrando \u00e1gua nos sapatos do padre que estava sentado na proa. N\u00e3o tivemos outro jeito que pedir a ele que tamb\u00e9m ajudasse a remover a \u00e1gua de lastro pois est\u00e1vamos afundando. Vendo a situa\u00e7\u00e3o ele n\u00e3o teve d\u00favidas em ajudar. Para andar mais r\u00e1pido me ajoelhei no fundo e comecei a remar com o prato. Neste meio tempo o Eucl\u00e9sio deixou cair a latinha na \u00e1gua, ainda faltavam uns trinta metros para atingir a margem.<\/p>\n<p>A\u00ed foi um &#8220;Deus nos acuda&#8221;. O Pulo remava que parecia um motor, eu no prato remava do outro lado desesperadamente, o Eucl\u00e9sio tirava \u00e1gua aos punhados e o padre tirava \u00e1gua com o prato e rezava. Acho que foi na f\u00e9 dele que nos permitiu chegar a salvo na margem.<\/p>\n<p>No outro dia de manh\u00e3 revisamos o ca\u00edque e calculamos que somente podia levar dois tripulantes e um passageiro. A\u00ed passamos o dia levando de um em um nossos colegas que tinham que tirar \u00e1gua enquanto nos divert\u00edamos remando ou pescando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este feriad\u00e3o teria um novo sabor, desta vez \u00edamos acampar no Rinc\u00e3o Re\u00fano. 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