{"id":39,"date":"2013-11-11T21:46:48","date_gmt":"2013-11-11T21:46:48","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=39"},"modified":"2013-11-11T21:49:46","modified_gmt":"2013-11-11T21:49:46","slug":"39","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=39","title":{"rendered":"O champanhe do tio Jorge."},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_40\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/linhabase1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-40\" class=\"size-large wp-image-40\" alt=\"Neste vale residia o tio Jorge, vizinho do tio David\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/linhabase1-1024x283.jpg\" width=\"640\" height=\"176\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/linhabase1-1024x283.jpg 1024w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/linhabase1-300x83.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-40\" class=\"wp-caption-text\">Neste vale residia o tio Jorge, vizinho do tio David<\/p><\/div>\n<p>A foto original do autor encontra-se no <a title=\"Panoramio\" href=\"http:\/\/www.panoramio.com\/photo\/22110371\" target=\"_blank\">Panoramio<\/a><\/p>\n<p>Eu estava com 16 anos,\u00a0e era a primeira vez que eu ia a Nova Palma, para a primeira missa do padre Reinaldo Piovesan, \u00a0quis ent\u00e3o aproveitar para conhecer os lugares de que a m\u00e3e e o pai nasceram, e n\u00e3o podia faltar Linha Base. E foi por isso que fui dormir na casa do tio Pio para acordar cedo na ter\u00e7a-feira para pegar o \u00f4nibus at\u00e9 linha base e ficar um dia na casa do tio David e tia Maria.<br \/>\nO sol ainda n\u00e3o tinha aparecido, em Nova Palma ele n\u00e3o costuma aparecer t\u00e3o cedo, mas os galos da redondeza j\u00e1 tinham cantado bastante quando o visitante acordou meio sonolento e come\u00e7ou a sequencia de atividades programadas para o dia: acordar, tomar caf\u00e9, arrumar a mochila, se despedir dos tios e dos primos e sair apressadinho para a rodovi\u00e1ria, pois afinal \u00f4nibus n\u00e3o espera, mas estava em cima da hora e o caf\u00e9 foi sacrificado, afinal o tio David n\u00e3o ia negar caf\u00e9 para um sobrinho. J\u00e1 est\u00e1vamos dobrando a esquina perto da rodovi\u00e1ria quando o primo Tarc\u00edsio, que caminhava mais depressa avistou o dito cujo que j\u00e1 dobrava a esquina em dire\u00e7\u00e3o a Linha Base. A solu\u00e7\u00e3o era esperar o pr\u00f3ximo hor\u00e1rio, no outro dia de manh\u00e3.<br \/>\nDe volta para casa surgiu a ideia de fazer o trajeto a p\u00e9, quando falamos para o tio Pio ele achou a ideia boa, afinal s\u00e3o apenas oito quil\u00f4metros, mas a tia Clementina achou que seria loucura fazer uma caminhada daquelas. Argumento daqui e dali, pr\u00f3s e contras analisados ficou decidido, o trajeto seria feito a p\u00e9, e para encurtar o caminho, o Tarc\u00edsio e eu iriamos subir o morro do Pelegrin e sair na estrada l\u00e1 perto do Olivo Santi. A\u00ed deu tempo para tomar caf\u00e9 arrumar a mochila decentemente e sa\u00edmos morro acima. (Esta viagem \u00e9 uma hist\u00f3ria completa que vai ficar para outra oportunidade.)<br \/>\nChegamos \u00e0 casa do tio l\u00e1 pelas 11 horas da manh\u00e3, como o Tarc\u00edsio era de casa simplesmente sumiu pelos potreiros, foi andar a cavalo, e n\u00e3o sei mais o qu\u00ea. Eu s\u00f3 conhecia o tio e a tia ent\u00e3o comecei a ser apresentado para um e para outro e a conversa durou at\u00e9 a hora do almo\u00e7o. Depois do almo\u00e7o o tio foi me mostrar as lavouras, o gado, os porcos e um pouco da redondeza. Foi quando pedi a ele se o tio Jorge Trentin morava perto, ele em disse que era bem pertinho e se eu quisesse at\u00e9 poder\u00edamos ir l\u00e1. N\u00e3o esperei ele terminar a frase e concordei, pois estava louco para conhecer mais aquele pedacinho de mundo. J\u00e1 no final da tarde pegamos uma trilha que levava das lavouras dos Pegoraro \u00e0s dos Trentin e n\u00e3o demorou muito est\u00e1vamos l\u00e1. O tio Jorge e a tia \u00c2ngela nos receberam bem ao estilo dos Trentin, lamentando que n\u00e3o tiv\u00e9ssemos avisado para fazerem uma janta \u00e0 altura das visitas. Outro contratempo \u00e9 que os guris iam para o ensaio do coral e somente o casal ficaria em casa, o que n\u00e3o dava nem uma mesa de <em>cinquilho<\/em>, a solu\u00e7\u00e3o seria <em>trissete<\/em>. Enquanto a tia fazia a polenta o tio Jorge apareceu com uma garrafa de champanhe para tomarmos como aperitivo, era um champanhe do ano passado que ele n\u00e3o conseguiu vender porque tinha ficado muito forte, a uva amadureceu demais, ficou com grau alco\u00f3lico muito alto. Era um champanhe seco que parecia ferver dentro da boca, estralava bolhinhas entre a l\u00edngua e o c\u00e9u da boca, confesso que n\u00e3o achei nada de errado.<br \/>\nPara a janta o tio trouxe mais uma garrafa de champanhe, depois enquanto jog\u00e1vamos conversa fora, entre uma partida e outra de <em>trissete<\/em>, acho que tomamos mais umas quatro garrafas de champanhe. J\u00e1 era quase meia noite quando os guris voltaram do ensaio, a\u00ed percebemos que j\u00e1 era hora de ir para casa, inda mais que eu tinha que tomar o \u00f4nibus para J\u00falio de Castilhos no outro dia. (onde fiquei dois dias na casa do Arlindo e da tia In\u00eas, primos me cobrem e complementem esta hist\u00f3ria).<br \/>\nNo caminho, apesar de estarmos os dois\u00a0a chutar pedras, por conta do champanhe, iluminando o caminho com um ti\u00e7\u00e3o em brasa que o tio ia sacudindo para alumiar o caminho, insisti com o tio que eu n\u00e3o poderia perder o \u00f4nibus no outro dia e que, se fosse necess\u00e1rio me jogasse um balde de \u00e1gua. Chegamos em casa e todos estavam dormindo, o tio me indicou o quarto, e eu ca\u00ed na cama como uma pedra.<br \/>\nO sol j\u00e1 tinha dado o ar da gra\u00e7a, em Linha Base ele levanta cedo, o caf\u00e9 j\u00e1 estava pronto, todo mundo tinha levantado, feito muito barulho, e eu continuava roncando. N\u00e3o podia perder aquele \u00f4nibus, e o tio David muito consciente de sua responsabilidade de acordar o sobrinho, bateu a porta do quarto e como n\u00e3o obteve resposta, entrou. E agora \u2013 n\u00e3o \u00e9 que ele continua a dormir como um anjinho \u2013 (Viu pelo menos enquanto durmo pare\u00e7o um anjinho). Mas esta hora o \u00f4nibus j\u00e1 estava a caminho, o tio foi at\u00e9 a janela e abriu para deixar entrar a luz do sol e nada do sobrinho acordar. Algo deveria ser feito, foi a\u00ed que ele decidiu assumir sua fun\u00e7\u00e3o de despertador, foi at\u00e9 a cozinha serviu-se de um objeto e chegou na janela&#8230;<br \/>\nChu\u00e1! At\u00e9 que ele foi legal, s\u00f3 veio com uma caneca de \u00e1gua fria em lugar do balde que eu tinha pedido&#8230;<br \/>\nVesti-me, lavei o rosto tomei caf\u00e9 e desta vez n\u00e3o perdi o \u00f4nibus rumo a J\u00falio de Castilhos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A foto original do autor encontra-se no Panoramio Eu estava com 16 anos,\u00a0e era a primeira vez que eu ia a Nova Palma, para a primeira missa do padre Reinaldo Piovesan, \u00a0quis ent\u00e3o aproveitar para conhecer os lugares de que a m\u00e3e e o pai nasceram, e n\u00e3o podia faltar Linha Base. E foi por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-39","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/39"}],"collection":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=39"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/39\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/39\/revisions\/44"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=39"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=39"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=39"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}