{"id":308,"date":"2014-06-16T18:54:00","date_gmt":"2014-06-16T21:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=308"},"modified":"2015-06-30T16:06:57","modified_gmt":"2015-06-30T19:06:57","slug":"o-arrodeador-de-bandeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=308","title":{"rendered":"O arrodeador de bandeira"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o fui capaz de determinar com precis\u00e3o de onde surgiu o termo \u201cbandeira\u201d para designar o monte de espigas de milho colhido. Um costume ancestral na colheita do milho consiste em calcular o centro de um quadrado de lavoura de mais ou menos 6 bra\u00e7as (13,32 metros) de lado, colher as espigas neste centro deitar as canas, (hastes do p\u00e9 de milho) e depois ir colhendo ao redor e jogando o milho no ponto inicial at\u00e9 ter um monte de espigas, conhecido como bandeira. Em biologia a ponta da haste terminada num penacho ou pend\u00e3o, a flor masculina, \u00e9 tamb\u00e9m chamada de bandeira. O ato de colher as espigas e deitar a haste\u00a0tamb\u00e9m \u00e9 chamada de deitar bandeira, talvez venha da\u00ed o nome bandeira para o monte de espigas colhidas. At\u00e9 aqui apenas definimos o monte de milho colhido que depois era carregado na carro\u00e7a, ou gaiota no caso do Lino, para ser levado para casa.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-312\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/1977-bois-L-300x189.jpg\" alt=\"Gaiota, dirigida pela Leda, uns 15 anos ap\u00f3s o epis\u00f3dio narrado.\" width=\"300\" height=\"189\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/1977-bois-L-300x189.jpg 300w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/1977-bois-L-150x94.jpg 150w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/1977-bois-L-600x378.jpg 600w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/1977-bois-L.jpg 1154w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Quando fazia tempo bom era urgente a colheita para aproveitar o milho bem seco que durava mais no paiol, por isso era comum pedir ajuda de algum vizinho para acelerar a colheita, o nosso vizinho era, em geral, o seu Generoso, naquele dia pela manh\u00e3 o L\u00e9o e eu est\u00e1vamos na aula, O pai e o vizinho trabalharam desde bem cedinho, o tempo estava bom, e ao meio dia j\u00e1 carregaram uma gaiotada de milho que foi descarregada logo ap\u00f3s o almo\u00e7o. Em seguida voltaram para a lavoura, aquela que ficava entre o canavial e as fontes, desta vez o L\u00e9o e eu fomos juntos. Quase quatro horas\u00a0tinha milho suficiente para carregar uma carga.\u00a0Carregamos e o pai foi para casa descarregar e trazer a merenda, o ch\u00e1 das quatro. Um bule com ch\u00e1 de mate com leite e fatias de p\u00e3o com chimia. Na volta al\u00e9m do lanche o Leonildo veio de carona, ele tinha na \u00e9poca uns oito anos, j\u00e1 participava de muitas atividades na lavoura, mas quebrar milho exigia bastante for\u00e7a nas m\u00e3os ent\u00e3o ele ajudava mais no servi\u00e7o de carregar.<br \/>\nPara fazer render o servi\u00e7o, seu Generoso come\u00e7ava a bandeira um pouco mais longe, umas 10 bra\u00e7as, a\u00ed eu e o Leo \u00edamos colhendo perto da bandeira e ele e o pai iam pelas beiradas, pois tinham mais for\u00e7a para atirar as espigas longe. Ele gostava de usar este m\u00e9todo pois facilitava tamb\u00e9m na hora de recolher porque tinha montes (bandeiras) maiores o que significava menos paradas para carregar. S\u00f3 tinha um inconveniente, em fun\u00e7\u00e3o da dist\u00e2ncia o milho ficava um pouco mais esparramado. Para resolver o problema bastava dar uma volta ao redor da bandeira jogando as espigas mais distantes para o centro, este trabalho se chamava \u201carrodear a bandeira.\u201d<br \/>\nEst\u00e1vamos no finalzinho do ver\u00e3ozinho de maio, os dias j\u00e1 come\u00e7avam a encurtar prenunciando o inverno e tinha umas nove bandeiras para carregar e faltava um trecho pequeno para terminar a lavoura. Seu Generoso queria terminar a empreitada e o L\u00e9o e eu ajud\u00e1vamos ele, o pai come\u00e7ava a carregar, e o dia ia chegando ao fim. As bandeiras ainda n\u00e3o tinham sido arrodeadas, o que dificultava o trabalho do pai, e iria dificultar mais ainda com o crep\u00fasculo. Foi a\u00ed que seu Generoso pediu que o Leonildo arrodeasse as bandeiras enquanto n\u00f3s termin\u00e1vamos de quebrar o restinho do milho. O Leonildo respondeu prontamente a solicita\u00e7\u00e3o at\u00e9 porque n\u00e3o ficava bem desobedecer o vizinho, e l\u00e1 se foi ele. J\u00e1 come\u00e7ava a escurecer quando colhemos as \u00faltimas espigas, fomos ent\u00e3o ajudar o Leonildo antes que escurecesse de vez. Passamos pela primeira e achamos muito milho esparramado, seu Generoso n\u00e3o disse nada, juntamos as espigas esparramadas e amontoamos no centro e fomos adiante. Na outra tamb\u00e9m tinha muito milho esparramado, a\u00ed ele falou que achava que o guri n\u00e3o estava enxergando direito. Repetimos a cena e quando caminh\u00e1vamos para a terceira vimos uma cena que fez com que seu Generoso n\u00e3o parasse de rir por uma boa meia hora&#8230; O \u201carrodeador de bandeira\u201d chegava naquele momento \u00e0 quinta, e come\u00e7ava seu trabalho, deu uma volta pela esquerda e n\u00e3o satisfeito outra pela direita sem juntar uma espiga sequer e se foi em dire\u00e7\u00e3o a pr\u00f3xima bandeira. Ele estava arrodeando as bandeiras&#8230; O Seu Generoso caiu na gargalhada. O Leonildo estava cumprindo\u00a0ao p\u00e9 da letra a ordem dada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o fui capaz de determinar com precis\u00e3o de onde surgiu o termo \u201cbandeira\u201d para designar o monte de espigas de milho colhido. 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