{"id":270,"date":"2014-05-30T22:56:44","date_gmt":"2014-05-30T22:56:44","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=270"},"modified":"2016-05-18T21:58:33","modified_gmt":"2016-05-19T00:58:33","slug":"excesso-de-velocidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=270","title":{"rendered":"Excesso de velocidade&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>A velocidade sempre fascinou a humanidade, desde a \u00e9poca das cavernas os humanos tentam descobrir m\u00e9todos de se locomover mais r\u00e1pido, naquele tempo era compreens\u00edvel pois, n\u00e3o raro, tinham que fugir de algum predador muito mais veloz que eles. Escapar de um predador produzia um prazer indiz\u00edvel, equivalia a nascer de novo, por isso a corrida foi se incorporando ao fazer humano como fonte de adrenalina e consequentemente de prazer. Isso explica porque naquele 19 de maio de 1948 os irm\u00e3os Achiles e Abel disputavam uma carreira. As carreiras eram compar\u00e1veis aos atuais rachas feitos entre jovens atualmente. Como naquele tempo s\u00f3 existiam cavalos por l\u00e1 \u00e9 natural que as corridas fossem nesta modalidade. Uma das divers\u00f5es preferidas da gurizada, quando tinha apenas um cavalo a corrida era feita da seguinte forma: dividia-se a cancha em duas metades e o corredor a p\u00e9 come\u00e7ava na metade enquanto o cavaleiro percorria o trecho todo. Diversas modalidades eram usadas para este tipo de competi\u00e7\u00e3o, a mais comum era a cancha reta, que em geral apresentava alguns problemas porque n\u00e3o tinha grandes retas nas estradas e caminhos. Por isso a carreira terminava na reta, mas o espa\u00e7o para desacelera\u00e7\u00e3o ficava numa curva.<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/ld3ZPofgvMg\" width=\"420\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><br \/>\n<em>Os Piovesans:\u00a0Thereza, Odila, Clementina, Lino, Pio, Inacio, Maria e Abel cantando. note-se que o Abel ao movimentar-se evidencia a perna quebrada.<\/em><br \/>\nComo nos rachas, as curvas em alta velocidade sempre representaram perigo, mesmo nas corridas de cavalos, e por isso sempre foram\u00a0prop\u00edcias para acidentes.<br \/>\n&#8211; L\u00e1 v\u00eam os dois irm\u00e3os cavaleiros em alta velocidade, passo a passo, paleta a paleta, numa corrida emocionante, se aproximam da linha final, praticamente, emparelhados, e&#8230; cruzam a linha de chegada!<br \/>\nOs cavalos ainda correm um pouco na curva enquanto os cavaleiros praticam as manobras de desacelera\u00e7\u00e3o, o cavalo do Abel resvala e l\u00e1 se v\u00e3o os dois para o ch\u00e3o, n\u00e3o houve vencedores. O Abel saiu com uma perna quebrada e o Achiles teve que teve que carregar o mano para casa.<br \/>\nO que tinha de mais avan\u00e7ado na \u00e9poca para ossos quebrados era a pr\u00e1tica exercida pelo Domingos Casarin, tradicional arrumador de ossos de Nova Palma, que procedeu a entala\u00e7\u00e3o da perna, ap\u00f3s ter posto os ossos no lugar. Para imobilizar um membro quebrado era feito a entala\u00e7\u00e3o usando preferencialmente talas de taquara de 25 a 30 cent\u00edmetros de comprimento por tr\u00eas ou quatro de largura, enroladas em um pano macio, em geral tiras de um len\u00e7ol velho. As talas eram colocadas ao redor da perna ou bra\u00e7o quebrado e fixadas com mais tiras de pano, coladas com breu. Este tipo de imobiliza\u00e7\u00e3o era muito eficiente e f\u00e1cil de fazer com os recursos limitados que havia naquela \u00e9poca. Fico a imaginar o que foi a arruma\u00e7\u00e3o do osso sem anestesia, embora seu Domingos tivesse bastante pr\u00e1tica, com certeza n\u00e3o foi brincadeira.<br \/>\nQuem j\u00e1 quebrou um osso sabe muito bem que a dor que se segue nos dias subsequentes \u00e9 algo capaz de fazer qualquer um delirar. E \u00e9\u00a0no p\u00f3s-quebradura que a hist\u00f3ria toma rumos diferentes, existem duas vers\u00f5es explicativas para o ocorrido. A primeira d\u00e1 conta de que uma noite deu um temporal e o Abel tendo levado um susto sem perceber mexeu a perna colando fora do lugar. Mais tarde, quando foram tiradas as ataduras e talas, percebeu que sua perna estava alguns cent\u00edmetros mais curta, o que mais tarde lhe deu problemas de coluna.<br \/>\nMas existe outra vers\u00e3o, a do irm\u00e3o Lino. Segundo o ele o Abel era son\u00e2mbulo, chegando muitas vezes a levantar a noite, em noite de lua, e encangar os bois e ir lavrar dormindo. Falaremos disso noutra oportunidade. Estando ele convalescendo, ap\u00f3s a fratura da perna ele ficou v\u00e1rios dias na cama, teve febre e era mantido acordado o dia todo para poder dormir quando o cansa\u00e7o e a dor tomassem conta dele \u00e0 noite. Depois do segundo ou terceiro dia come\u00e7ava a aliviar a dor e ele conseguia descansar melhor durante o dia, numa noite, ainda cedo, quando a fam\u00edlia se preparava para jantar algu\u00e9m viu o Abel passar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 estrebaria caminhando com extrema dificuldade e o nono gritou:<br \/>\n<em>&#8211; Cossa sito drio fare?<\/em> (O que voc\u00ea est\u00e1 fazendo?)<br \/>\nAo que o Abel respondeu tranquilamente:<br \/>\n<em>&#8211; Vao tchapare i boi par arare.<\/em> (Vou pegar os bois para lavrar)<br \/>\nFoi um corre-corre sa\u00edram todos para faz\u00ea-lo voltar para a cama.<br \/>\nApesar do servi\u00e7o do arrumador de ossos ter sido feito com esmero, os ossos que estavam quebrados na diagonal sofreram um deslizamento que acabou fazendo com que a perna ficasse mais curta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A velocidade sempre fascinou a humanidade, desde a \u00e9poca das cavernas os humanos tentam descobrir m\u00e9todos de se locomover mais r\u00e1pido, naquele tempo era compreens\u00edvel pois, n\u00e3o raro, tinham que fugir de algum predador muito mais veloz que eles. 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