{"id":197,"date":"2014-04-06T00:15:13","date_gmt":"2014-04-06T00:15:13","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=197"},"modified":"2014-05-28T00:50:34","modified_gmt":"2014-05-28T00:50:34","slug":"festa-no-varejao-terceiro-episodio-da-bicicleta-do-padre-joao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=197","title":{"rendered":"Festa no Varej\u00e3o (terceiro epis\u00f3dio da bicicleta do padre Jo\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p>(A primeira parte desta hist\u00f3ria ouvi de minha m\u00e3e, Bazilides Carolina Piovesan, a segunda do tio \u00c2ngelo Chierentin).<br \/>\n&#8220;Naquele tempo&#8221;, como come\u00e7ava o serm\u00e3o do padre Francisco Goetler, muitas vezes a \u00fanica missa dominical que os cat\u00f3licos podiam assistir no ano era na festa do padroeiro. Que segundo meu pai podia acontecer seis meses antes ou seis meses depois da data, mas tudo bem, quando o padre podia vir a\u00ed tinha a festa. O padre vinha de aranha\u00b9 de Palmeira das Miss\u00f5es e se hospedava na casa de meu av\u00f4 Bortolo, que o acompanhava para responder a missa em latim. De l\u00e1 do v\u00f4 eles iam passando pelas capelas, durante a semana e rezando missas, que apesar de eventos extraordin\u00e1rios, eram missas comuns. A capela que estivesse pr\u00f3xima da festa do padroeiro ficava com a missa do domingo, a\u00ed como todas as capelas pr\u00f3ximas estavam sabendo todos se reuniam l\u00e1 para a festa. Da\u00ed uns tr\u00eas ou quatro meses o padre voltava e fazia outro tour de confiss\u00f5es, missas, batizados e casamentos. Esta era a parte da tradi\u00e7\u00e3o religiosa.<br \/>\nOutra parte da tradi\u00e7\u00e3o, na \u00e1rea da intend\u00eancia da Linha do Coqueiro, do inspetor concessionado, Jardelino de Oliveira, era a fartura de churrasco e bebida nas festas, que em geral acabava com uma briga hom\u00e9rica no final do dia. H\u00e1 esta hora o padre j\u00e1 tinha ido embora e o inspetor nem sempre conseguia acalmar os \u00e2nimos o que em geral acabava em algum ferido ou morto. Motivo para a pr\u00f3xima briga na pr\u00f3xima festa. Isto n\u00e3o era diferente no Varej\u00e3o, distante uns 15 quil\u00f4metros da Vila Trentin.<br \/>\nProvavelmente os brig\u00f5es confessavam seus desejos de vingan\u00e7a para o padre antes da missa o que come\u00e7ou torn\u00e1-lo receoso de festas na regi\u00e3o. Foi a\u00ed que o santo homem teve uma ideia brilhante \u2013 os gringos rec\u00e9m instalados na regi\u00e3o, Vila Trentin e Jaboticaba, gozavam de fama de cidad\u00e3os respeit\u00e1veis, eles poderiam impor respeito nas festas, e quem sabe ajudar o inspetor a manter a ordem.<br \/>\nEra l\u00e1 pelo m\u00eas de junho e a visita do padre coincidia com o padroeiro do varej\u00e3o, S\u00e3o Jo\u00e3o, ia ter festa. O padre convidou para fazerem parte da comitiva, os quatro patriarcas, Bortolo e Ant\u00f4nio Trentin e Aur\u00e9lio e At\u00edlio Zanon, que apesar de gostarem de um bom vinho, n\u00e3o iriam beber e todos iriam munidos de calabrotes\u00b2 que ficariam guardados na aranha para serem usados se fosse necess\u00e1rio. Estava quase tudo pensado, menos o transporte, a princ\u00edpio iriam os cinco na aranha do padre e na do tio Ant\u00f4nio. O padre chegou na ter\u00e7a-feira, rezou missa em Jaboticaba, combinou com os tios At\u00edlio e Aur\u00e9lio e veio pra vila Trentin, onde ficava religiosamente hospedado com o Bortolo, meu av\u00f4, de onde sairia para rezar missas nas capelas da Santa Rita, S\u00e3o Luiz, Santa Maria Goretti, Tr\u00eas M\u00e1rtires (na \u00e9poca rezava na escola Roque Gonzales, a velha, depois o Brizola mandou construir uma outra. Um dia destes conto a hist\u00f3ria das escolas. Eu estudei o primeiro e segundo anos na velha, depois na Brizoleta). Desnecess\u00e1rio \u00e9 dizer que o padre Francisco viu a bicicleta do Lino por l\u00e1 e ficou fascinado, ele j\u00e1 tinha usado uma delas na Alemanha antes de vir para o Brasil.<br \/>\nQuando no s\u00e1bado o tio Ant\u00f4nio falou que n\u00e3o poderia ir n\u00e3o tinha como comunicar aos outros que n\u00e3o teria transporte. Chegado o domingo os Zanon iriam a p\u00e9 at\u00e9 a encruzilhada da Linha S\u00e3o Luiz onde teriam o transporte por aranha. Como s\u00f3 tinha uma aranha o padre s\u00f3 poderia levar os Zanon, mas nenhum deles sabia responder a missa em latim, o Bortolo n\u00e3o poderia faltar, foi a\u00ed que o padre teve mais uma ideia brilhante: &#8211; ele iria de bicicleta, com a bicicleta do Lino, e os outros tr\u00eas de aranha, estava resolvido o problema.<\/p>\n<div id=\"attachment_198\" style=\"width: 222px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Roda-D\u00e1gua.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-198\" class=\"size-medium wp-image-198\" alt=\"Tio Angelo Chierentin, grande art\u00edfice em madeira, foi ele que fez a minha bicicleta de pau. Na foto aparecem ele, a Catia e a tia Rosa tendo ao fundo uma roda d'\u00e1gua constru\u00edda por ele.\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Roda-D\u00e1gua-212x300.jpg\" width=\"212\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Roda-D\u00e1gua-212x300.jpg 212w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Roda-D\u00e1gua-725x1024.jpg 725w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Roda-D\u00e1gua.jpg 992w\" sizes=\"(max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-198\" class=\"wp-caption-text\">Tio Angelo Chierentin, grande art\u00edfice em madeira, foi ele que fez a minha bicicleta de pau. Na foto aparecem ele, a Catia e a tia Rosa tendo ao fundo uma roda d&#8217;\u00e1gua constru\u00edda por ele.<\/p><\/div>\n<p>(aqui come\u00e7a a narrativa do tio \u00c2ngelo) Paralelo a isso a juventude tamb\u00e9m estava planejando ir \u00e0 festa e o meio de transporte escolhido foi &#8220;bicicleta de pau&#8221; para acompanhar o padre. Os da aranha pegaram a estrada e pouco tempo depois sumiram na frente, o grupo \u00c2ngelo Chierentin, Argemiro, Luis, \u00c9rico e Santo Trentin e Lino Piovesan, ora passavam ora eram ultrapassados pelo padre. Na descida como gostavam da adrenalina, desciam quase sem freio ganhando grande velocidade e ultrapassando o religioso na maior gritaria, mas quando vinha a subida eles perdiam e eram ultrapassados, na pr\u00f3xima ladeira vinha a revanche.<br \/>\nDepois de passarem pela linha S\u00e3o Lu\u00eds tinha umas descidas bem acentuadas o que possibilitava, para os mais arrojados, atingir velocidades de um cavalo a galope, pelos meus c\u00e1lculos uns 40 Km\/h. Tinha uma ladeira, um pouco antes do passo do arroio Jaboticaba, que atravessava quase duas col\u00f4nias, (nos meus c\u00e1lculos pelo Google, aproximadamente 600 metros) tinha uma curva mediana \u00e0 direita e terminava no passo do rio, lugar espraiado que permitia atravessar pulando sobre as pedras ou por dentro d\u2019\u00e1gua. Pelo lado de dentro da curva tinha um barranco bastante alto e um canavial de um casal de idosos que morava num ranchinho ao lado. Depois de empurrar as bicicletas por aproximadamente cem metros da subida depois do seu Elias Manfio, a turma embarcou nas bicicletas e despencou ladeira abaixo, o padre, precavido, foi segurando no freio para n\u00e3o pegar muita velocidade, pois conhecia o fim da ladeira onde todos teriam que parar para atravessar o passo com as bicicletas nas costas, a comitiva de aventureiros confiava na possibilidade de frear antes do rio. Com o aumento da velocidade ainda antes da curva, e da adrenalina, a turma come\u00e7ou a maior gritaria, que chamou a aten\u00e7\u00e3o da senhora idosa. \u2013 Meu Deus! &#8211; Gritou ela &#8211; Uma carro\u00e7a em disparada vai ser um desastre na chegada do passo. Imediatamente correu para o canavial que ficava sobre o barranco por onde a \u201ccarro\u00e7a em disparada\u201d deveria passar e tratou de fazer alguma coisa para parar os cavalos. Cortou uma grande bra\u00e7ada de cana e come\u00e7ou a jogar na estrada no exato momento que a troupe entrava na curva, n\u00e3o houve tempo para frear a idosa acabava de fazer um \u201cstrike\u201d, o \u00fanico a cair com eleg\u00e2ncia foi o religioso que vinha mais de vagar e um pouco atr\u00e1s.<br \/>\nInda bem que tinha o rio logo abaixo para lavar-se, se por na linha e prosseguir at\u00e9 a festa do Varej\u00e3o.<br \/>\nTerei que pesquisar mais um pouco para narrar a aventura da festa, at\u00e9 qualquer dia.<\/p>\n<p>1. Aranha &#8211; Esp\u00e9cie de charrete com apenas duas rodas, tracionada por um cavalo que podia transportar at\u00e9 tr\u00eas pessoas.<\/p>\n<p>2. Calabrote &#8211; Relho de cabo fino f\u00e1cil de carregar sob os pelegos. (RS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(A primeira parte desta hist\u00f3ria ouvi de minha m\u00e3e, Bazilides Carolina Piovesan, a segunda do tio \u00c2ngelo Chierentin). &#8220;Naquele tempo&#8221;, como come\u00e7ava o serm\u00e3o do padre Francisco Goetler, muitas vezes a \u00fanica missa dominical que os cat\u00f3licos podiam assistir no ano era na festa do padroeiro. Que segundo meu pai podia acontecer seis meses antes [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-197","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-tio-lino"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/197"}],"collection":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=197"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/197\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":202,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/197\/revisions\/202"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=197"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=197"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=197"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}