{"id":180,"date":"2014-03-15T02:21:17","date_gmt":"2014-03-15T02:21:17","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=180"},"modified":"2018-10-02T13:51:48","modified_gmt":"2018-10-02T16:51:48","slug":"a-bicicleta-do-padre-joao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=180","title":{"rendered":"A bicicleta do padre Jo\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Mais um \u00a0peda\u00e7o da vida do Lino<\/p>\n<p>Trabalhando na sociedade juntamente com os cunhados, o sogro, a fam\u00edlia do tio Ant\u00f4nio Trentin e o patriarca Serafim Trentin e a nona Rosa, tendo como vizinhos seu Artur Oliveira, \u00c2ngelo Fassini, At\u00edlio Zanon pertencentes \u00e0 nova comunidade de italianos que se radicaram no local, o Lino come\u00e7ava mais e mais aumentar seu circulo de amizades em fun\u00e7\u00e3o de seu cuidado com os animais, mas apesar de tudo isso ainda n\u00e3o tinha um cavalo para montaria, as op\u00e7\u00f5es para se deslocar um pouco mais longe eram a gaiota de bois, eficiente mas bastante lenta, a aranha com cavalo do sogro ou as famosas bicicletas de pau, comuns para todos os jovens de menos de 40 anos na regi\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_181\" style=\"width: 235px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/bicicleta.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-181\" class=\"size-medium wp-image-181\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/bicicleta-225x300.jpg\" alt=\"Esta \u00e9 uma r\u00e9plica das famosas &quot;bicicletas de pau&quot; feita pelo tio \u00c2ngelo Chierentin, em 2007, especialmente para mim em reconhecimento pela preocupa\u00e7\u00e3o em conservar a hist\u00f3ria.\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/bicicleta-225x300.jpg 225w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/bicicleta.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-181\" class=\"wp-caption-text\">Esta \u00e9 uma r\u00e9plica das famosas &#8220;bicicletas de pau&#8221; feita pelo tio \u00c2ngelo Chierentin, em 2007, especialmente para mim em reconhecimento pela preocupa\u00e7\u00e3o em conservar a hist\u00f3ria.<\/p><\/div>\n<p>A bicicleta de pau era uma grande auxiliar nas caminhadas, sem pedais apenas podia ser montada lomba abaixo, e dependendo das condi\u00e7\u00f5es da estrada corria a canhada toda e at\u00e9 podia subir uma parte da lomba do outro lado, movida pela in\u00e9rcia, depois era empurrada lomba acima at\u00e9 o topo onde come\u00e7ava um novo ciclo. Era o meio de transporte mais comum entre os italianos para se deslocar para outras capelas nos domingos de festa. Pequenas dist\u00e2ncias como da Vila Trentin a Jaboticaba uma hora de caminhada se transformava em menos de meia hora de bicicleta, logo podemos ver a vantagem do uso desta tecnologia. Parece loucura usar um ve\u00edculo que s\u00f3 anda lomba abaixo, mas a verdade \u00e9 que foi muito \u00fatil naqueles tempos, no entanto a verdadeira loucura ainda estava por acontecer&#8230;<br \/>\n<strong>A bicicleta do Padre Jo\u00e3o<\/strong><br \/>\nAqui precisa se abrir um par\u00eantesis para um primo, quase um irm\u00e3o mais velho para o Lino, o padre Jo\u00e3o Piovesan. Nas f\u00e9rias de fim do ano de 1953, o seminarista, j\u00e1 quase padre, Jo\u00e3o Justo Piovesan empreendeu uma pequena aventura que precisa ser registrada para que se possa continuar a hist\u00f3ria. Ele se preparava para visitar os pais e irm\u00e3os em Frederico Westphalen, numa \u00faltima viagem antes de sua ordena\u00e7\u00e3o. Na \u00e9poca o transporte dispon\u00edvel era o trem de Santa Maria at\u00e9 Santa Barbara e depois tomar o \u00f4nibus \u201cFerrovi\u00e1rio\u201d at\u00e9 Frederico. O dito \u00f4nibus fazia a linha de Santa Barbara a Ira\u00ed, duas ou tr\u00eas vezes por semana,\u00a0quando conseguia vencer os atoleiros. Conta-se que muitas vezes passava dias sem aparecer devido \u00e0s m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es das estradas, neste caso se cumulavam passageiros esperando em Santa Barbara, quando sa\u00eda superlotado, demorava mais uns dias para aparecer. Esta era a op\u00e7\u00e3o de transporte do jovem di\u00e1cono Jo\u00e3o Piovesan, talvez ele tenha pensado em fazer o trecho a p\u00e9, poderia ser menos demorado, no entanto ele optou por uma outra solu\u00e7\u00e3o: uma bicicleta Goricke, 1951, seminova, neg\u00f3cio de ocasi\u00e3o, que o padrinho, o tio Antonio (toni Torchio) deu de presente na ordena\u00e7\u00e3o diaconal, economizaria a passagem trem-\u00f4nibus, faria um belo esfor\u00e7o mas ganhava a liberdade.<br \/>\nPelo caminho alternativo: Cruz Alta-Condor-Palmeira das Miss\u00f5es, ficava apenas 290 quil\u00f4metros, hoje se faz de carro em pouco mais de tr\u00eas horas.<br \/>\nNa ocasi\u00e3o o Jo\u00e3o Justo preparou a mochila com algumas roupas, pacotes e mais pacote de publica\u00e7\u00f5es como: Revista Rainha dos Ap\u00f3stolos, calend\u00e1rios religiosos e Anu\u00e1rios Cat\u00f3licos, e p\u00f4s o p\u00e9 na estrada, ou melhor, no pedal da Goricke aro 28 rumo a ao Baril, nome de Frederico Westphalen na \u00e9poca.<br \/>\n\u00c0 medida que o caminho era percorrido o aventureiro ia fazendo amigos e vendendo livros, revistas e fazendo assinaturas, tamb\u00e9m a mochila ficava mais leve compensando o cansa\u00e7o dos dias pedalados. Em menos de tr\u00eas semanas estava na casa dos pais curtindo as merecidas f\u00e9rias, infelizmente deveriam ser abreviadas em umas tr\u00eas semanas devido ao transporte escolhido. L\u00e1 no Baril, descobriu que em seu caminho tinha passado a menos de dois quil\u00f4metros da casa do primo Lino, o filho do tio Antoninho. Na volta n\u00e3o podia de deixar de fazer uma visitinha. Calculado o tempo de volta, p\u00e9 na estrada de novo, e desta vez com uma parada obrigat\u00f3ria na Vila Trentin, que na \u00e9poca ainda n\u00e3o tinha nome, era um vilarejo pertencente ao ent\u00e3o distrito de Seberi, pr\u00f3ximo da capela de Jaboticaba. O ponto de refer\u00eancia para localiza\u00e7\u00e3o era a parada de \u00f4nibus, mais ou menos uma esta\u00e7\u00e3o na esquina da Boa Vista, na bodega do seu Possid\u00f4nio Padilha. Beleza! Era s\u00f3 ir pedindo de bodega em bodega at\u00e9 descobrir a do Possid\u00f4nio e l\u00e1 pedir informa\u00e7\u00f5es. No segundo dia de volta j\u00e1 estava na casa do primo, recebido com honrarias dignas de um santo, como acontecia sempre que um padre visitava a comunidade. Apesar de ainda n\u00e3o ser padre pouco importava, sempre era uma honra ter um homem de f\u00e9 como visita.<br \/>\nA narra\u00e7\u00e3o da aventura da viagem causou um enorme impacto, mas mais do que isso, uma bicicleta que podia andar lomba acima, com certos limites, \u00e9 claro, mas podia. Foi a\u00ed que terminou a aventura cicl\u00edstica do Jo\u00e3o Justo, o primo apaixonou-se pela bicicleta, juntou os trocados, <em>\u201ctrenta fiorini\u201d<\/em>, e comprou a bicicleta, provavelmente a primeira bicicleta de ferro do munic\u00edpio de Palmeira das Miss\u00f5es. Agora os p\u00e9s do Lino criaram asas! Podia ir a Jaboticaba em quinze minutos, as dist\u00e2ncias encurtaram. Saindo cedo dava pra ir num domingo at\u00e9 a Guabiroba, hoje S\u00e3o Pedro das Miss\u00f5es, pela estrada da cordilheira, encomendar um par de botas no Zandon\u00e1 e voltar no mesmo dia.<\/p>\n<p>Esta hist\u00f3ria \u00e9 fundamental para entender o apelido &#8220;Tio Lino&#8221; que meu pai ganhou alguns anos mais tarde. (ela vem a\u00ed)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais um \u00a0peda\u00e7o da vida do Lino Trabalhando na sociedade juntamente com os cunhados, o sogro, a fam\u00edlia do tio Ant\u00f4nio Trentin e o patriarca Serafim Trentin e a nona Rosa, tendo como vizinhos seu Artur Oliveira, \u00c2ngelo Fassini, At\u00edlio Zanon pertencentes \u00e0 nova comunidade de italianos que se radicaram no local, o Lino come\u00e7ava [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-180","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-tio-lino"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/180"}],"collection":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=180"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/180\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":450,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/180\/revisions\/450"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=180"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=180"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=180"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}