{"id":163,"date":"2014-02-11T02:27:08","date_gmt":"2014-02-11T02:27:08","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=163"},"modified":"2014-05-28T00:53:24","modified_gmt":"2014-05-28T00:53:24","slug":"solo-canucchi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=163","title":{"rendered":"&#8220;Solo canucchi&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>A primeira hist\u00f3ria que sugere o apelido carinhoso de \u201cToni Taquara\u201d \u00e9 a de <a title=\"Como ver as horas no milharal\" href=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=11\">\u201cVer as horas no milharal\u201d<\/a> outra hist\u00f3ria que reporta ao apelido, tem suas ra\u00edzes num galp\u00e3ozinho que tinha atr\u00e1s da casa perto do rio, onde o nono guardava suas cachacinhas e <em>\u201cgraspas\u201d<\/em> preferidas. Aqui vai a primeira parte&#8230;<br \/>\nMuito religioso, o seu Ant\u00f4nio Piovesan costumava receber periodicamente os padres em sua casa, quando n\u00e3o era o vig\u00e1rio da Nova Palma, era algum padre Palotino, muitas vezes o padre e seus amigos, o bispo ou alguma outra autoridade religiosa que vinha para a par\u00f3quia, enfim, sempre que o vig\u00e1rio recebia alguma visita importante era praxe fazer uma visitinha ao Toni, que sempre se destacou como homem de f\u00e9, eu tinha digitado f\u00e1, a\u00ed me dei conta que poderia ser mesmo f\u00e1, sol, l\u00e1 ou qualquer outra nota. Falando em nota me lembrei do valor, enfim, ter um paroquiano como ele n\u00e3o tinha pre\u00e7o para qualquer vig\u00e1rio que passou pela par\u00f3quia da Sant\u00edssima Trindade de Nova Palma. Est\u00e1 explicado, visita-lo era uma esp\u00e9cie de coroa\u00e7\u00e3o de uma visita religiosa \u00e0 par\u00f3quia. Era visitar um exemplo de crist\u00e3o que fazia tudo com tanto amor capaz de consagrar qualquer ato cotidiano, por mais banal que fosse, at\u00e9 mesmo um jogo de chinquilho com os amigos ou padres num final de tarde de domingo.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei bem precisar as datas, pois ouvi esta hist\u00f3ria de meu pai, o Lino.<\/p>\n<p>Num domingo \u00e0 tarde, foi num domingo que havia crisma na par\u00f3quia, estando o bispo muito ocupado designou para a miss\u00e3o, se n\u00e3o me engano, o Monsenhor Vitor Batistela, rec\u00e9m sagrado monsenhor. Na missa da Crisma tudo ocorreu com a maior naturalidade, como tudo o que acontecia na par\u00f3quia, a missa, a cerim\u00f4nia da crisma, o canto&#8230; ah o canto, para os paroquianos e para o vig\u00e1rio tudo era perfeitamente normal, como acontecia todo o domingo, fosse festivo ou n\u00e3o, ali\u00e1s em Nova Palma todo o domingo \u00e9 festivo, por isso tudo foi normal. Menos para o monsenhor, nada pareceu normal, a afina\u00e7\u00e3o do coro, com a beleza das vozes, enfim, tudo parecia fruto de muito ensaio e prepara\u00e7\u00e3o, tudo parecia perfeito. No final da Missa ele n\u00e3o pode deixar de fazer elogios \u00e0 f\u00e9 e ao fervor dos paroquianos e, \u00e9 claro, dando um destaque especial ao coro, foi ent\u00e3o que o vig\u00e1rio sugeriu uma visita ao regente do coro ap\u00f3s o meio-dia. N\u00e3o precisou nem formalizar o convite que foi aceito imediatamente tanto pelo monsenhor como pelo seu s\u00e9quito.<br \/>\nDepois do almo\u00e7o, respeitada a hora da sesta, todos se dirigiram \u00e0 casa do Toni, que j\u00e1 estava esperando com um bom vinho, cartas para um chinquilho e alguns vizinhos para companhia, o Bertoldo, o Dalla-Nora, e o cunhado Aur\u00e9lio Zanon. Uma visita destas era uma oportunidade para comemorar, afinal n\u00e3o \u00e9 todo dia que vem um bispo, ou quase, na casada gente. Depois de um copo de vinho e algumas rodadas de chinquilho, o tio Aur\u00e9lio Zanon come\u00e7ou a falara das habilidades do cunhado na prepara\u00e7\u00e3o de licores especiais. Tudo destilado num alambique rudimentar feito com o panel\u00e3o, uma tampa de zinco e um cano de cobre, mas com sabores indescrit\u00edveis, claro, eram feitos por um artista das bebidas destiladas, nada mais nada menos que o cunhado, o Toni.<br \/>\nA esta altura o<em> \u201cvesco\u201d<\/em>, que j\u00e1 tinha visto o que o \u201cToni\u201d era capaz de fazer no coral, a maestria com que dirigia, a beleza da voz, estava convencido que realmente estava diante de um crist\u00e3o que buscava a perfei\u00e7\u00e3o, e pelo efeito do vinho n\u00e3o pode deixar de sugerir que gostaria de conhecer pessoalmente a perfei\u00e7\u00e3o de tais licores. O \u201cToni\u201d, j\u00e1 com o ego bem massageado pelo padre, ap\u00f3s a missa, pelo cunhado e agora pelo monsenhor, resolveu provar, na pr\u00e1tica, suas habilidades e brindar as visitas com uma <em>\u201cgraspa\u201d<\/em> especial, realmente muito especial, guardada num garraf\u00e3o l\u00e1 no fundo, bem no fundo do galp\u00e3ozinho.<br \/>\nPediu licen\u00e7a, e saiu rumo a arca do tesouro, o galp\u00e3ozinho. Retirou com cuidado v\u00e1rios garraf\u00f5es da frente e pegou aquele que guardava o tesouro, <em>\u201cquela graspeta speciale\u201d<\/em>. A\u00ed veio a primeira surpresa, o<em> \u201cgarrafonetto\u201d<\/em> estava muito leve, puxou-o para si e veio a segunda surpresa <em>\u201cil gue gera pien de canucchi\u201d<\/em> e <em>\u201csolo um poquetin de graspa al fondo\u201d<\/em>. A esta altura nada mais havia que fazer, pegou uma outra, n\u00e3o t\u00e3o perfeita e serviu para as visitas&#8230;<br \/>\n\u00c0 noite, na hora da janta, comentou com a fam\u00edlia o ocorrido.<br \/>\nPorque o garraf\u00e3o estava cheio de <em>\u201ccanucchi\u201d? &#8211;<\/em> \u00e9 a pr\u00f3xima hist\u00f3ria do Lino.<\/p>\n<p>Graspa. &#8211; Bebida destilada a partir das cascas da uva depois de separado o vinho.<\/p>\n<p>Garrafonetto. &#8211; Garraf\u00e3ozinho, ou garraf\u00e3o precioso.<\/p>\n<p>Vesco. &#8211; Bispo ou algu\u00e9m que tem sua autoridade.<\/p>\n<p>Canucchi. &#8211; Canudos de taquara utilizados para tomar \u00e1gua numa fonte ou riacho. ( O Leonildo conhece uma hist\u00f3ria bem interessante sobre isto)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira hist\u00f3ria que sugere o apelido carinhoso de \u201cToni Taquara\u201d \u00e9 a de \u201cVer as horas no milharal\u201d outra hist\u00f3ria que reporta ao apelido, tem suas ra\u00edzes num galp\u00e3ozinho que tinha atr\u00e1s da casa perto do rio, onde o nono guardava suas cachacinhas e \u201cgraspas\u201d preferidas. 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