{"id":73,"date":"2013-11-23T23:56:14","date_gmt":"2013-11-23T23:56:14","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?page_id=73"},"modified":"2014-04-25T01:12:56","modified_gmt":"2014-04-25T01:12:56","slug":"3-lino","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/?page_id=73","title":{"rendered":"3. Lino"},"content":{"rendered":"<p>Lino Piovesan.<br \/>\nNasceu em 19 de maio de 1928 no Bom Retiro, sendo batizado em 20 de maio de 1928 tendo como padrinhos \u00c2ngelo Girardello e Rosa Rubin. Foi crismado no ano de 1928, sendo seu padrinho Serafim Bell\u00e9.<br \/>\nDois anos o nascimento de Pio veio o Lino, crian\u00e7a d\u00f3cil e ao mesmo tempo um tanto trigueiro \u2013 ningu\u00e9m sabe como ficou cego um olho. (Thereza Piovesan)<br \/>\nQuando tinha 14 ou 15 anos, segundo ele contava, um dia se machucou atesta ro\u00e7ando mato e para a m\u00e3e n\u00e3o ver, escondeu o machucado com o chapeu. Quando foi almo\u00e7ar a m\u00e3e reclamou que ele estava tapando o olho, e n\u00e3o iria enxergar direito, foi a\u00ed que ele disse que n\u00e3o enxergava daquele olho. Foi a\u00ed que ele e a fam\u00edlia se deram conta que ele era cego de uma vista.<br \/>\nO Lino sempre gostou de animais, Uma hist\u00f3ria contada pelo Liceo diz que \u201c<em>ele contava que tinha feito um parto de uma vaca do nono, quando tinha 16 ou 17 anos, ainda em Nova Palma, parece que ele viu de longe o nono falando com a nona, desesperado porque a vaca estava morrendo por n\u00e3o poder dar cria, ele entendeu os gestos do nono, que, segundo ele, \u201cfalava mais com as m\u00e3os do que com a boca,\u201d e resolveu ver do que se tratava. A\u00ed viu que a vaca estava com o terneiro atravessado e ajudou no parto salvando a vaca e o terneiro. Ele estava lavrando e tirou o ajoujo dos bois e com ele puxou o terneiro. A t\u00e9cnica consiste em passar o ajoujo ou uma corda por cima da cabe\u00e7a do terneiro e puxar junto ao focinho por baixo. Quando o nono Antonio perguntou at\u00e9 meio constrangido como ele tinha aprendido isto ele disse que tinha ouvido uma explica\u00e7\u00e3o do Tio Fioravente Bagiotto? E resolveu colocar em pr\u00e1tica o que tinha aprendido<\/em>.\u201d diz o Liceo. Tinha um cuidado muito especial com os bois de canga. Ele gostava de trabalhar com os bois principalmente lavrando ou arrastando madeira do mato, para isso precisava de bois com muita for\u00e7a e muito bem domados, por isso sempre teve as juntas de bois mais respeitadas da regi\u00e3o.<br \/>\nNa primavera de 1945, juntamente com seu irm\u00e3o Achiles, foram para a casa do tio Valentim para lavrar as terras dele, porque quase todo o gado da regi\u00e3o havia morrido por causa da raiva transmitida pelos morcegos. Da casa do tio foram indo para outras propriedades da Linha Base para lavrar terras de quem estava sem bois, foi ent\u00e3o que chegaram at\u00e9 a casa do Bortolo Trentin para lavrar suas terras e onde ficaram hospedados por alguns dias. L\u00e1, no final da tarde se reuniam o tio Valentin Piovesan, o Jorge Trentin, o Bortolo Trentin, o seu filho Gerv\u00e1sio e o Achiles para jogar cinquilho. O Lino ent\u00e3o com 17 anos, jogava com as meninas, filhas do Bortolo, foi a\u00ed que conheceu a Baselides, por causa destas jogatinas acabou levando um serm\u00e3o do irm\u00e3o mais velho Achiles, pois era muito novo para namorar. (ver mais detalhes no <a title=\"O cupido ocupado\" href=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=30\">Cupido ocupado<\/a>) Segundo ele &#8211; O Achiles tinha ci\u00fames porque tinha que jogar com os velhos enquanto ele ficava com as meninas, e nesta \u00e9poca o Achiles estava brigado com a Pierina.<\/p>\n<p>Pouco tempo depois Bortolo e fam\u00edlia se mudaram para Palmeira das Miss\u00f5es, indo morar num velho moinho na conflu\u00eancia dos arroios do Moinho e do Papagaio, hoje Distrito Trentin pertencente ao munic\u00edpio de Jaboticaba.<\/p>\n<p>O Lino e a Baselides continuaram o namoro por correspond\u00eancia. No in\u00edcio o Lino pedia uma ajuda do Pio, irm\u00e3o mais velho, para escrever as cartas para a namorada, isso durou at\u00e9 ele ir para o quartel, quando foi para S\u00e3o Borja, uma longa e demorada viagem, mas ficou l\u00e1 apenas 15 dias quando ficou comprovado que era cego de uma vista e ent\u00e3o foi dispensado da incorpora\u00e7\u00e3o. As cartas que falam desta viagem apresentam uma transi\u00e7\u00e3o, pois a partir delas as cartas se tornam mais \u00edntimas e apresentam a mesma caligrafia na escrita e assinatura.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que estes anos de amor \u00e0 dist\u00e2ncia foram formando uma personalidade muito especial, e um casal especial, at\u00e9 pelo teor das cartas podemos ver um Lino interior que sofre por ter sua amada distante e n\u00e3o ter recursos para ir v\u00ea-la, e por outro lado um Lino extrovertido que se relaciona bem com todo o mundo. Corria uma fama de namorador, pelo menos \u00e9 o que aparece nas cartas, mas no fundo ele sempre teve um objetivo, sua amada distante com quem sonhava carregando uma fotografia na carteira. Muito diferente era a Bazelides, ela era mais caseira, por isso acho que demonstrava mais seus sentimentos, numa carta de 1949, sua irm\u00e3 Rosa, convidando o Lino para vir ao seu casamento com o \u00c2ngelo Chierentin, escreve o seguinte: \u201cLino pe\u00e7o que venha sem falta, porque quem te ama anda sempre triste, as outras gurias passam o domingo com os garotinhos ao lado e ela fica pensando em quem t\u00e3o longe est\u00e1.\u201d<\/p>\n<p>Depois da mudan\u00e7a da fam\u00edlia Trentin para Jaboticaba, s\u00f3 se encontraram algumas vezes antes de casar. A primeira viagem para Jaboticaba ocorreu em maio de 1947, ele resolveu visitar a namorada que conheceu em Linha Base e agora se encontrava distante, com quem falava e somente recebia resposta ao menos uns trinta ou quarenta dias que era o tempo que demorava a resposta de uma carta.<\/p>\n<p>Se hospedou na casa do tio At\u00edlio Zanon que tinha comprado uma olaria pr\u00f3xima ao moinho do Bortolo. Quando chegou foi logo visitar a namorada e ao chegar ao moinho (na \u00e9poca as fam\u00edlias do Bortolo e seu irm\u00e3o Antonio moravam no moinho) teve uma surpresa muito grande, pois encontrou cinco mo\u00e7as muito parecidas, as irm\u00e3s Baselides, Cacildes e \u00cdria e duas primas filhas de Ant\u00f4nio Trentin, ele n\u00e3o sabia distinguir quem era a Bazelides. Saudou todas de forma igual e ficou esperando que uma sa\u00edsse para se arrumar, foi a\u00ed que descobriu qual era a namorada.<\/p>\n<div id=\"attachment_159\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/as-tres.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-159\" class=\"size-medium wp-image-159\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/as-tres-300x102.jpg\" alt=\"A esquerda a Bazelides com 17 anos, na \u00e9poca que o Lino a conheceu. Na foto da direita as tr\u00eas irm\u00e3s na \u00e9poca da visita.\" width=\"300\" height=\"102\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/as-tres-300x102.jpg 300w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/as-tres.jpg 700w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-159\" class=\"wp-caption-text\">A esquerda a Bazelides com 17 anos, na \u00e9poca que o Lino a conheceu. Na foto da direita as tr\u00eas irm\u00e3s na \u00e9poca da visita.<\/p><\/div>\n<p>Namoraram mais quatro anos, neste tempo visitou mais duas vezes a namorada, e recebeu ela em Nova Palma uma.<\/p>\n<p>Um dia anunciou para as mo\u00e7as com quem saia em Nova Palma que iria para Jaboticaba terminar o namoro, foi e terminou o namoro, casou e ficou morando no casar\u00e3o do sogro, onde j\u00e1 morava o cunhado Luiz casado com Irene Schiavinatto e os demais cunhados e cunhadas.<br \/>\nCasou-se em de abril de 1951 com Bazelides Carolina Trentin (filha de Bortolo Trentin e Maria Rossato), Nascida em Linha Base.<\/p>\n<p>Muita coisa aconteceu entre 1951 e 1959 (este conte\u00fado estar\u00e1 no livro)<\/p>\n<div id=\"attachment_177\" style=\"width: 213px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/familia1959.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-177\" class=\"size-medium wp-image-177\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/familia1959-203x300.jpg\" alt=\"Foto da Fam\u00edlia em 1959 em frente a casa nova, o rancho de madeira adquirido do seu Peixoto. Da esquerda para a direita: Leo, Liceo, Leonildo e Bazilides, gr\u00e1vida da Luiza na \u00e9poca.\" width=\"203\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/familia1959-203x300.jpg 203w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/familia1959.jpg 630w\" sizes=\"(max-width: 203px) 100vw, 203px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-177\" class=\"wp-caption-text\">Foto da Fam\u00edlia em 1959 em frente a casa nova, o rancho de madeira adquirido do seu Peixoto. Da esquerda para a direita: Leo, Liceo, Leonildo e Bazilides, gr\u00e1vida da Luiza na \u00e9poca.<\/p><\/div>\n<p>Depois de viver com o sogro por alguns anos, j\u00e1 com tr\u00eas filhos, \u00a0O Lino e a Bazilides se mudaram para uma casa pr\u00f3pria, em 1959. A morada foi adquirida do seu Floriano Peixoto mas a terra era do seu Antonio Graminha e teve que ser comprada a parte para ter a escritura. Bem na frente da porta da casa o &#8220;caminh\u00e3ozinho&#8221;, um carro de lomba feito pelo Antoninho Frikes Vaz, que protagonizou v\u00e1rias hist\u00f3rias das crian\u00e7as e consagrou o apelido do &#8220;Tio Lino&#8221;. hist\u00f3ria que ser\u00e1 relatada oportunamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong style=\"line-height: 24px;\">Os animais, o veterin\u00e1rio e a terra.<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de um porquinho, umas galinhas e os bois de ent\u00e3o, o Bonito e o Cruzeiro, a cachorra \u201cpolicia\u201d e o cachorro \u201cpitoco\u201d, t\u00ednhamos uma vaca de leite emprestada do tio At\u00edlio Zanon, padrinho do Leonildo, que era pequeno e precisava de leite. Era a vaca de leite para depois engordar para carnear a meia. A vaca dava pouco mais de uma x\u00edcara de leite por dia, esta quantia tinha que dar para as mamadeiras das crian\u00e7as, um mingau de \u00e1gua e farinha completava. A vaca \u201cLaranja\u201d era somente couro e osso e o terneiro foi criado guacho, pois n\u00e3o sobrava leite para ele, mais tarde ele j\u00e1 boizinho foi trocado pela vaca \u201cOsca\u201d, a primeira de nossa propriedade e que ficou com a fam\u00edlia mais de dez anos.<\/p>\n<p>As terras eram esgotadas, j\u00e1 n\u00e3o produziam quase nada, por isso al\u00e9m das lavouras, o pai continuava arrastando madeira para a serraria, ele sa\u00eda de madrugada de casa e s\u00f3 voltava depois do p\u00f4r do sol. Quase sempre trazia a gaiota cheia de serragem, cascas de madeira ou baga\u00e7o de cana e ia espalhando na lavoura, com isso se tornou \u2013eu acho\u2013 o primeiro a fazer aduba\u00e7\u00e3o org\u00e2nica nas lavouras na regi\u00e3o. Com isso as lavouras de milho come\u00e7aram a ficar engra\u00e7adas, no meio de um milho michado, baixinho, apareciam umas esp\u00e9cies de montanhas onde o milho crescia bem e dava bem, era onde havia sido espalhada uma carretada de serragem ou baga\u00e7o de cana no ano anterior. E assim foi recuperando a terra e a produtividade da lavoura toda.<br \/>\nNesta \u00e9poca j\u00e1 come\u00e7ava a ficar conhecido pelas suas habilidades como veterin\u00e1rio. Comprou um \u201cManual de Veterin\u00e1ria\u201d, um livr\u00e3o grosso que tinha explica\u00e7\u00e3o das diversas doen\u00e7as dos animais e como trat\u00e1-las. Juntou a isso seu conhecimento de plantas medicinais que aprendeu com o vov\u00f4 Bortolo, que era arrumador de osso quebrado, os conhecimentos do velho N\u00e9zio, um argentino bioqu\u00edmico que vivia meio como ermit\u00e3o no meio do mato e as habilidades que aprendeu com o tio Guido para diagnosticar doen\u00e7as, e come\u00e7ou a tratar os animais da fam\u00edlia, depois dos vizinhos e finalmente da redondeza.<br \/>\nComo veterin\u00e1rio era seguidamente chamado fora de hora, tarde da noite, em qualquer hor\u00e1rio e quando lhe perguntavam quanto custa sempre dizia \u2013 <em>N\u00e3o custa nada!<\/em> Isto foi outra coisa que ele aprendeu com o vov\u00f4 Bortolo.<\/p>\n<p>S\u00f3 cobrava os rem\u00e9dios que usava, quando cobrava, como isso muitas vezes tirava seu tempo de trabalho. Sua generosidade prejudicava sua renda, talvez tenha sido o \u00fanico motivo pelo qual vi a m\u00e3e reclamar dele, at\u00e9 ele aprender a dizer \u2013 <em>D\u00e1 quanto puder!<\/em> Isso n\u00e3o melhorou muito a situa\u00e7\u00e3o, mas pelo menos de vez em quando chegava um vizinho agradecido, em geral os mais pobres, com uma galinha ou um leit\u00e3ozinho debaixo do bra\u00e7o para pagar um servi\u00e7o. Outros vinham dar um dia de enxada na lavoura. Foi assim que se tornou conhecido num raio de uns trinta quil\u00f4metros de casa.<\/p>\n<p>Nos primeiros tempos utilizamos a fonte de \u00e1gua que o seu Peixoto usou por toda a vida, ficava no meio do mato, uns duzentos metros de casa. A gente <a title=\"Corrida sem obst\u00e1culos\" href=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=174\" target=\"_blank\">buscava a \u00e1gua<\/a> com dois secchios, baldes de madeira feitos de sarrafos com arcos, como se fazem as pipas, t\u00ednhamos que fazer este caminho umas tr\u00eas ou quatro vezes por dia. A m\u00e3e lavava a roupa no arroio, tamb\u00e9m uns duzentos metros de casa. As primeiras provid\u00eancias tomadas na nova morada depois da demoli\u00e7\u00e3o da cozinha velha e a constru\u00e7\u00e3o de um galp\u00e3o, com estrebaria para os bois, um puxado para a gaiota e o chiqueiro dos porcos, foi a explora\u00e7\u00e3o de \u00e1gua com forquilha, para cavar o po\u00e7o, v\u00e1rios pr\u00e1ticos estiveram l\u00e1 em casa para achar \u00e1gua, finalmente o pai come\u00e7ou a fazer o po\u00e7o com a ajuda do vizinho Luis Moreira, que veio a ser padrinho de crisma do Leonildo. Feito o po\u00e7o j\u00e1 aliviou o trabalho de buscar \u00e1gua, logo depois o pai fez o forno de pedras para fazer p\u00e3o, cercou a horta de costaneiras e construiu o galinheiro.<br \/>\nO que tinha de melhor na nova morada eram tr\u00eas laranjeiras, seis bergamoteiras e o erval, que rendia uns trocados cada ano com a erva-mate que a gente fazia. (Na <a href=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/familia1959.jpg\" target=\"_blank\">foto da fam\u00edlia <\/a>acima pode-se observar ao fundo o pl\u00e1tano, a casa e o erval) O pomar foi crescendo seguindo uma t\u00e9cnica atualmente conhecida como agrofloresta, este nome \u00e9 recente, mas a t\u00e9cnica era empregada pela minha m\u00e3e que ia plantando estrategicamente \u00e1rvores na horta, assim que elas cresciam e faziam muita sombra para as verduras a horta era mudada de lugar, assim se formou um arvoredo no entorno da casa com uma riqueza invej\u00e1vel. O ranchinho antes com uns p\u00e9s de erva mate, um pl\u00e1tano, as laranjeiras e bergamoteiras, em pouco tempo ficou cercado de um pomar variado e rico.<br \/>\nNa horta a m\u00e3e ia enterrando nos canteiros as cinzas do fog\u00e3o, do forno e os restos e cascas de frutas e verduras fazendo a compostagem e enriquecendo a terra. A horta e as frutas representavam uma grande parte de nossa alimenta\u00e7\u00e3o j\u00e1 que a lavoura nem sempre produzia bem. Logo depois do arvoredo tinha as bananeiras que n\u00e3o produziam muito, mas eram um lugar bem discreto para as necessidades fisiol\u00f3gicas antes de ser feita a patente. Mais adiante tinha uma lavourinha in\u00e7ada de alho macho que a m\u00e3e cortava bem fininho e fritava para aumentar o volume da fortaia quando n\u00e3o tinha salame \u2013 Que coisa boa!<\/p>\n<p><strong><a name=\"0\"><\/a> Casa nova<\/strong><br \/>\nVou dar um salto na hist\u00f3ria s\u00f3 para mostrar a evolu\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. As lacunas ser\u00e3o preenchidas paulatinamente, sen\u00e3o aqui, no <strong>\u201cLivro encantado dos sonhos dos descendentes do Toni Torchio\u201d<\/strong> que ser\u00e1 publicado em breve.<\/p>\n<div id=\"attachment_224\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/chimarr\u00e3o2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-224\" class=\"size-medium wp-image-224\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/chimarr\u00e3o2-300x211.jpg\" alt=\"O Leonildo e eu tomando chimarr\u00e3o na sombra em frente a casa nova rec\u00e9m consruida.\" width=\"300\" height=\"211\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/chimarr\u00e3o2-300x211.jpg 300w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/chimarr\u00e3o2-1024x720.jpg 1024w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/chimarr\u00e3o2.jpg 1434w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-224\" class=\"wp-caption-text\">O Leonildo e eu tomando chimarr\u00e3o na sombra em frente a casa nova rec\u00e9m constru\u00edda v\u00ea-se ao fundo o galp\u00e3o que serviu de casa por alguns anos.<\/p><\/div>\n<p>1973, a fam\u00edlia do Lino j\u00e1 come\u00e7ava a se folgar economicamente, era hora de construir uma casa decente. Em breves palavras a primeira morada comprada do Peixoto era um rancho de t\u00e1buas lascadas, que aparece no fundo da foto da fam\u00edlia. A segunda casa foi o galp\u00e3o novo que serviu de morada por uns oito anos e finalmente come\u00e7ou a constru\u00e7\u00e3o da casa de material. O projeto foi desenvolvido em dialogo com os da casa, cada um dando seu pitaco at\u00e9 todos concordarem com os detalhes, Os tijolos foram comprados na olaria do Tio Gerv\u00e1sio, l\u00e1 perto do Ant\u00f4nio Matias, e o pedreiro pr\u00e1tico foi o seu Zerico. Levantada a casa o acabamento ficou por conta da fam\u00edlia, coloca\u00e7\u00e3o de azulejos, pintura, divis\u00f3rias internas e o parquet, tudo obra da filharada que n\u00e3o poupou esfor\u00e7o para fazer bonito.<br \/>\nOptou-se por assentar parquet de 12,5 por 2,5 cent\u00edmetros, foi uma sugest\u00e3o maluca do tio Argemiro, na \u00e9poca se encontrava o dito parquet em cartelas de cinco colados lado a lado formando um quadradinho. S\u00f3 que a sugest\u00e3o dele era fazer os ditos cujos usando a infinidade de restos de madeira que sobravam na oficina, s\u00f3 custaria a m\u00e3o de obra e a coloca\u00e7\u00e3o poderia ser de forma art\u00edstica, formando desenhos no ch\u00e3o. Eu acreditei nele, ali\u00e1s ele foi meu guru em v\u00e1rias empreitadas, algumas em eletr\u00f4nica que contarei oportunamente. Aproveitei as minhas f\u00e9rias de ver\u00e3o de 1974 para por m\u00e3os \u00e0 obra. Gr\u00e1pia, angico, canela, cabri\u00fava e guajuvira, foram as madeiras escolhidas, nem deu muito trabalho eram somente 320 pedacinhos de madeira por metro quadrado, era s\u00f3 cortar 23.040 taquinhos de madeira e depois colar no ch\u00e3o, moleza&#8230;<\/p>\n<div id=\"attachment_225\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/anatrentin.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-225\" class=\"size-medium wp-image-225\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/anatrentin-300x202.jpg\" alt=\"haja paci\u00eancia\" width=\"300\" height=\"202\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/anatrentin-300x202.jpg 300w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/anatrentin-1024x691.jpg 1024w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/anatrentin.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-225\" class=\"wp-caption-text\">Na sala, parquet predominantemente de gr\u00e1pia com detalhes de angico e canela.<\/p><\/div>\n<p>Depois de tr\u00eas ou quatro dias picando madeira come\u00e7ou bater o desespero, mas n\u00e3o dava mais para desistir, neste particular eu sou cabe\u00e7a dura, n\u00e3o deixaria trabalho pela metade, ali\u00e1s, como at\u00e9 hoje n\u00e3o costumo deixar. Foram quase duas semanas picotando madeira, no final at\u00e9 dava um certo \u00e2nimo, ver aqueles montes de cores e texturas, ia ficar bonito, faltava apenas come\u00e7ar a coloca\u00e7\u00e3o. O piso estava todo nivelado e desempenado, o servi\u00e7o consistia em passar cola nos tacos e colocar no lugar. Na cozinha foi colocado imitando um tran\u00e7ado e ficou muito bonito, a sala deveria ser melhor, tinha que ficar perfeito. Optamos por uma imita\u00e7\u00e3o de tapete centralizado. Gastei quase um dia de planejamento e medi\u00e7\u00e3o, tinha que ser preciso sen\u00e3o n\u00e3o passaria do meio e come\u00e7aria dar erro.<br \/>\nDepois de um dia e meio de trabalho de coloca\u00e7\u00e3o passamos do meio da sala, nenhum mil\u00edmetro de erro, est\u00e1vamos salvos, da\u00ed em diante era s\u00f3 acabamento. Terminamos a sala e n\u00e3o arriscamos fazer firulas nos quartos, seria loucura. Depois de lixado a passado Cascolac, ficou uma beleza. E o melhor de tudo \u00e9 que o trabalho ficou rendendo elogios por muitos anos e isso n\u00e3o tem pre\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lino Piovesan. Nasceu em 19 de maio de 1928 no Bom Retiro, sendo batizado em 20 de maio de 1928 tendo como padrinhos \u00c2ngelo Girardello e Rosa Rubin. Foi crismado no ano de 1928, sendo seu padrinho Serafim Bell\u00e9. Dois anos o nascimento de Pio veio o Lino, crian\u00e7a d\u00f3cil e ao mesmo tempo um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-73","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/73"}],"collection":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=73"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/73\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":229,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/73\/revisions\/229"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=73"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}