{"id":63,"date":"2013-11-23T01:05:34","date_gmt":"2013-11-23T01:05:34","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?page_id=63"},"modified":"2024-01-05T15:12:19","modified_gmt":"2024-01-05T18:12:19","slug":"pio","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/?page_id=63","title":{"rendered":"2. Pio"},"content":{"rendered":"<h1>Pio Piovesan.<\/h1>\n<p>Nascido aos 25 de mar\u00e7o de 1926 em Bom Retiro. Batizado em 28 de mar\u00e7o de 1926, tendo como padrinhos Giralomo Girardello e Ana Zanon. Foi crismado em 1928, sendo seu padrinho de crisma Agostinho Piovesan.<\/p>\n<p>\u201cDois anos ap\u00f3s o nascimento de Achiles veio o Pio, recebeu o nome por ser curto e f\u00e1cil de escrever, pois historicamente havia certa descrimina\u00e7\u00e3o e rejei\u00e7\u00e3o das autoridades para com os imigrantes estrangeiros.\u201d \u2013 Conta a Thereza Piovesan.<\/p>\n<p>Em 1932 come\u00e7ou ser alfabetizado aos seis anos de idade na escola C\u00e2ndida Zasso que na \u00e9poca situava-se na Rua Silvio Grotto mais menos onde hoje est\u00e1 o supermercado do Pippi. Sendo C\u00e2ndida Zasso sua primeira professora.<\/p>\n<p>Em 1936 foi estudar no col\u00e9gio das Irm\u00e3s Palotinas e estudava em per\u00edodo integral, ao meio dia os alunos almo\u00e7avam em casa, mas como era muito longe para ir at\u00e9 o Bom Retiro, Ignez sua irm\u00e3 vinha de casa trazendo seu almo\u00e7o que geralmente era um peda\u00e7o de p\u00e3o e um pote de mel. Pois Ignez tamb\u00e9m estudava no contraturno.<\/p>\n<p>Em 1939 ingressou no semin\u00e1rio em Vale V\u00eaneto onde pretendia ser padre, mas devido a uma doen\u00e7a erup\u00e7\u00f5es org\u00e2nica-ps\u00edquica (psor\u00edase) n\u00e3o pode continuar. Voltou para a resid\u00eancia paterna e ajudava seu pai nas constru\u00e7\u00f5es de casa e galp\u00f5es, pois devido a sua doen\u00e7a n\u00e3o podia trabalhar na ro\u00e7a, tinha que se resguardar da poeira, orvalho e sol. Melhorou gra\u00e7as ao aparecimento da penicilina.<\/p>\n<p>O Pio \u201cliterato\u201d esteve um ano no semin\u00e1rio em Vale V\u00eaneto, \u2013 conta a Thereza Piovesan, \u2013 mas por causa de sa\u00fade teve que voltar para casa. Gostava de comer bem e ler. Numa tarde de ver\u00e3o ficou em casa da ro\u00e7a, para cuidar dos menores e estudar e \u00e0 tardinha regar a horta e as flores (recomenda\u00e7\u00e3o da m\u00e3e). Mas descobriu, na \u201cadega\u201d conserva de ameixa ou uva na cacha\u00e7a. N\u00e3o deu outra experimentou e deu um pouco para os irm\u00e3ozinhos era doce, que logo deitaram e dormiram por a\u00ed e ele sentindo-se senhor continuou a comer as frutinhas e ler, mas, &#8230; os olhos ficaram emba\u00e7ados buscou os \u00f3culos do pai para ajud\u00e1-lo a ver. Nisso se lembrou de molhar a horta mal chegou ao \u201cportelo\u201d (port\u00e3o) come\u00e7ou a tarefa, mas&#8230; dizia que via tudo escuro e caiu debaixo da roseira&#8230; e dormiu. Qual n\u00e3o foi a surpresa de mam\u00e3e chegando da lavoura &#8230; e tudo sil\u00eancio em casa (todos dormiam) chamou o Pio, mas cad\u00ea? Encontrou-o \u201cnos bra\u00e7os de Morfeu\u201d com os \u00f3culos e tudo, o balde do lado j\u00e1 sem \u00e1gua e ele molhado no lugar das flores! Uma cena digna de um ritrato (fotografia)!<\/p>\n<p>Em 31 de janeiro de 1943 matriculou-se no Tiro de Guerra. Em 21 de outubro de 1943 prestou compromisso a bandeira recebendo o certificado de reservista de segunda categoria.<\/p>\n<p>Em janeiro de 1945, foi convocado para compor a fileira do ex\u00e9rcito para combater a segunda Guerra mundial, que foi um conflito militar global que durou de 1939 a 1945, envolvendo a maioria das na\u00e7\u00f5es do mundo \u2013 incluindo todas as grandes pot\u00eancias \u2013 organizadas em duas alian\u00e7as militares opostas: os Aliados e o Eixo.<\/p>\n<p>Foi a guerra mais abrangente da hist\u00f3ria, com mais de 100 milh\u00f5es de militares mobilizados. Em estado de \u201cguerra total\u201d, os principais envolvidos dedicaram toda sua capacidade econ\u00f4mica, industrial e cient\u00edfica a servi\u00e7o dos esfor\u00e7os de guerra, deixando de lado a distin\u00e7\u00e3o entre recursos civis e militares. Marcado por um n\u00famero significante de ataques contra civis, incluindo o Holocausto e a \u00fanica vez em que armas nucleares foram utilizadas em combate foi o conflito mais letal da hist\u00f3ria da humanidade, com mais de setenta milh\u00f5es de mortos, assim Pio, atendendo o chamado se dirigiu ent\u00e3o para Santa Maria e onde come\u00e7ou a receber as instru\u00e7\u00f5es e estava se preparando para ir para guerra, quando veio a not\u00edcia de que a guerra havia acabado.<\/p>\n<p>Herdou o carisma da Fam\u00edlia do Canto e da M\u00fasica, porem jamais teve meios materiais para frequentar qualquer escola especializada, assim como seus irm\u00e3os, mas em 1945 foi fundado um conjunto musical chamado Jazz Aurora, onde tocavam m\u00fasicas populares da \u00e9poca nas festas de igreja onde nada ou pouco ganhavam. Pio na \u00e9poca contava com 19 anos e tocava saxofone. Faziam parte deste conjunto tamb\u00e9m seu irm\u00e3o Abel que tocava viol\u00e3o, a professora Carolina Marin &#8211; violino e gaita, Adelino Bell\u00e9 &#8211; violino, Rui Antonio Zasso &#8211; gaita, Benno Hensch &#8211; bateria e pandeiro, Elizeu Zasso &#8211; gaita. O conjunto acabou em 1954.<\/p>\n<p><em>Jazz Aurora<\/em><\/p>\n<p>Pio sempre foi uma pessoa religiosa ensinamentos esses herdada de seus pais, indo \u00e0 missa todo domingo, e cantando no coral da igreja e mais tarde com a morte de seu pai assumiu a reg\u00eancia do coral da igreja.<\/p>\n<p>Segundo Ovidio Bertoldo na semana santa, \u201cnas ditas fun\u00e7\u00f5es\u201d at\u00e9 hoje lembro e me arrepio quando cant\u00e1vamos juntos a m\u00fasica \u201cpopulli mei\u201d (meus povos) esta \u00e9 uma recorda\u00e7\u00e3o que ficou na minha mem\u00f3ria at\u00e9 os dias de hoje e levarei comigo para sempre.<\/p>\n<p>Fez um concurso municipal em J\u00falio de Castilhos para ser professor onde tirou 4\u00b0 lugar, em primeiro de mar\u00e7o de 1952 foi nomeado professor e assumiu a escolinha rural em Bom Retiro. Trabalhou como professor por tr\u00eas ou quatro anos, tendo um sal\u00e1rio mensal de 50.000 mil reis.<\/p>\n<p>A primeira vez que Pio viu Clementina foi numa ocasi\u00e3o em que foram tocar numa festa na linha Rigon, estava acompanhado das irm\u00e3s Maria e In\u00eas e Arlindo e viu aquela bela mo\u00e7a, e ela levantou e foi embora. Em uma festa Pio mandou um bilhete de T\u00f4mbola e ela nem respondeu, pois segundo Pio ela tinha recebidos muitos bilhetes. Numa prociss\u00e3o ao redor da pra\u00e7a num domingo Pio avistou Clementina e ocorreu \u201cuma linhada\u201d (olhada e um sorrisinho), e neste dia Pio achou que ele ia conseguir namorar. A Clementina tinha outros pretendentes, Pio teve que saber se impor para conquist\u00e1-la. Depois de muitas lutas Pio encontrou o pai de Clementina no bar de Lu\u00eds Rossato perto do Hotel Nova Palma e pediu o consentimento para namor\u00e1-la recebendo a resposta positiva. Quando seu sogro saiu do bar o outro pretendente de Clementina foi pedir para namor\u00e1-la ent\u00e3o Pedro disse agora j\u00e1 dei o consentimento para o Pio.<\/p>\n<div id=\"attachment_526\" style=\"width: 192px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-526\" class=\"wp-image-526 size-medium\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Casamento-Pio-182x300.jpg\" alt=\"\" width=\"182\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Casamento-Pio-182x300.jpg 182w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Casamento-Pio-365x600.jpg 365w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Casamento-Pio-91x150.jpg 91w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Casamento-Pio.jpg 614w\" sizes=\"(max-width: 182px) 100vw, 182px\" \/><p id=\"caption-attachment-526\" class=\"wp-caption-text\">Casamento de Pio e Clementina<\/p><\/div>\n<p>Casou-se com Clementina no dia 06 de setembro de 1952, com quem teve os filhos: Elena, Lucila, Cec\u00edlia, Tarc\u00edsio, Or\u00e1cio, Marta, Mercedes, Carlos, M\u00e1rio e Janine.<\/p>\n<p>\u2013 O Pio foi meu professor \u2013 diz Maria Piovesan Pegoraro, sua irm\u00e3 \u2013 era um educador mesmo, aprendi muita coisa com ele, os bons modos, ele era respeitado pelo pai por ser mais estudado e ter uma certa lideran\u00e7a na comunidade pelo fato de ser professor. Ele tamb\u00e9m lia muito. Na v\u00e9spera do casamento, eu e a Eul\u00e1lia fomos posar no Joanim Rossato cuja esposa, Virginia, era doceira de m\u00e3o cheia e cozinheira da festa. \u00c0 noite depois de uma janta bem gostosa fomos dormir num quarto do sobrado numa cama de casal com \u201cleto de pena\u201d (colch\u00e3o de pena). Lembro, diz a Maria, que chovia e travejava naquela noite. Ent\u00e3o a Eul\u00e1lia disse: \u201cPoe p\u00edovere fin que el vol, e nantri mai pi un leto bom companho de questo\u201d. (Pode chover quanto quiser, nos jamais deixar\u00edamos de dormir numa cama boa como esta).<\/p>\n<p>De manh\u00e3, como rio estava alto, fomos levando os doces, tortas, cucas, bolachinhas, todo mundo carregado, levando a p\u00e9 l\u00e1 pr\u00e1 casa. O Olinto levava o bolo dos noivos. L\u00e1 na farinha seca, a farinha seca era uma \u00e1rvore bem alta, um ponto de refer\u00eancia, pois ficava numa encruzilhada onde, uma ia para a Linha um, pertencente a Nova Palma, e a outra se descia at\u00e9 o rio Soturno e depois a casa dos Piovesan e seguia para o Bom Retiro. Ele se adiantou dos demais e colocou a torta no ch\u00e3o para pregar uma pe\u00e7a, quando viram aquilo, as gurias, acho que a Rita e a Aur\u00e9lia come\u00e7aram a gritar porque acharam que ele tinha ca\u00eddo com o bolo. Ele, por\u00e9m, ficou de lado se fazendo de assustado com a maior cara de pau, rindo delas.\u201d<\/p>\n<p>Em 1955 ap\u00f3s uma ventania onde caiu uma casa onde hoje mora o professor Araiba, e Pio foi ajudar a desmanchar e ele foi pular para baixo e embaixo tinha um pacote de prego j\u00e1 usado e cravou um prego no calcanhar. Pio n\u00e3o foi ao m\u00e9dico e o sintoma apareceu 10 dias depois. Ent\u00e3o se dirigiu ao m\u00e9dico para fazer o teste e n\u00e3o tinha m\u00e9dico para fazer. Da\u00ed foi pra casa e foi cortar cabelo do Bruno Pippi quando sentiu o seu pesco\u00e7o duro.<\/p>\n<p>Foi pra casa tomou banho e foi levado para Faxinal do Soturno chegando l\u00e1 ele se encontrava totalmente duro, da\u00ed encontraram o m\u00e9dico e o m\u00e9dico pediu como iam pagar e disseram pelo INPS o m\u00e9dico disse que pelo INPS ele n\u00e3o atendia e que podiam levar ele de volta.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Ot\u00e1vio Zanon disse eu pago. Pio ficou seis dias em semi coma, n\u00e3o podia fazer qualquer barulho. Nem o m\u00e9dico acreditava na sua recupera\u00e7\u00e3o. Mas o Pe. Breno fez romaria pedindo a cura de Pio. Ap\u00f3s seis dias ele come\u00e7ou a reagir. Ficou internado por 28 dias.<\/p>\n<p>Deixou de ser professor para trabalhar na malharia do Claudio Langone, nesta \u00e9poca ainda trabalhava durante o dia como professor e a noite na malharia. Quando deixou de ser professor e s\u00f3 trabalhar na malharia no ano de 1956, foi morar na casa de Carolina Marin em troca do aluguel ficou respons\u00e1vel pela comida. Sa\u00edram da\u00ed um ano depois e foram residir, na casa de Benjamin Zanon ao lado da oficina de m\u00f3veis Piovesan.<\/p>\n<p>Em 1958 trocaram de local de moradia para uma casa localizada na Rua Frederico Librelotto de propriedade de Luis Fr\u00e9o, onde hoje est\u00e1 localizada a casa de Eg\u00eddio Piovesan.<\/p>\n<p>Em 1962 foi morar na casa pertencente a Francisco Pellegrin localizada na Rua Zero Hora, e em 1970 vieram morar perto do rio Portela na casa de Jose Redin.<\/p>\n<p>Quando a malharia fechou trabalhou como fotografo e mais tarde na oficina de seu primo Eliot Piovesan, como passatempo arrumava espingardas. Segundo Ovidio Bertoldo, Pio numa certa feita foi arrumar o tim\u00e3o de engenho na casa deles, levando sua espingardinha 40, que ap\u00f3s a tarefa cumprida foi ca\u00e7ar \u201cnambu\u201d e voltou com tr\u00eas. Ele gostava de arrumar espingardas.<\/p>\n<p>Na oficina de seu primo Eliot trabalhou desde 1970 at\u00e9 sua aposentadoria por tempo de trabalho. Eliot ajudou muito Pio na constru\u00e7\u00e3o de sua casa. Primeiramente Pio comprou o terreno de seu tio Benjamim Piovesan por cinco mil contos de reis e o projeto foi feito por Pio e seus filhos Tarc\u00edsio e Or\u00e1cio. Eliot foi fiador na compra de materiais e m\u00e3o de obra pra fazer a casa de Pio. Foram morar na resid\u00eancia nova em 02 de abril de 1978. Eliot disse para Pio se tu conseguires pagar a sua casa em 10 anos pode atirar o chap\u00e9u pra cima. E Pio e sua fam\u00edlia pagou em apenas tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Pio como uma pessoa pol\u00edtica ajudou e organizou e fez parte de um grupo chamado grupo dos 11, no ano de 1964. Este grupo tinha que trabalhar no mais absoluto sigilo, a lista destes nomes foi guardada embaixo do assoalho da casa. Mas devido a uma den\u00fancia an\u00f4nima Pio e seus companheiros foram presos. Pio foi preso no dia 17 de maio de 1964, domingo do Espirito Santo, que ap\u00f3s solene celebra\u00e7\u00e3o na Matriz Sant\u00edssima Trindade, com missa cantada e dirigida por Pio e tocada por Carolina Marim, apareceu um furg\u00e3o e Jeep do ex\u00e9rcito, trazendo o Capit\u00e3o Gallo com a escolta, com ordem de prender, e levar para Santa Maria. O comandante do grupo da brigada local, com o delegado de pol\u00edcia Pery Berbigier, comprometeram-se a garantir a seguran\u00e7a dos detidos no sal\u00e3o da delegacia local, em casa alugada, com resid\u00eancia no fundo, a Rua Siqueira Couto onde ficaram incomunic\u00e1veis com o pessoal de fora e seus familiares. Junto com ele foram presos os seguintes companheiros: Valdir Crauss, Bruno e Renato Pippi, Venino M. Crauss, Lu\u00eds Zanon, Ant\u00f4nio Bonaldo, Vanderlei Pippi, Arnaldo e Vilson Rossato, \u00c2ngelo Grotto e Willy Pessamosca.<\/p>\n<p>O grupo dos onze consistia na organiza\u00e7\u00e3o de &#8220;grupos de onze companheiros&#8221; (como em um time de futebol) ou &#8220;comandos nacionalistas&#8221; liderados por Leonel Brizola, em fins de novembro de 1963. Em outubro de 1963, Leonel de Moura Brizola, ent\u00e3o governador do Rio Grande do Sul, considerava que o Brasil estava vivendo momentos decisivos e que, rapidamente, se aproximava o desfecho que poderia colocar o pa\u00eds numa nova linha pol\u00edtica. Sucessivamente, em 19 e 25 de outubro, Brizola fez inflamados pronunciamentos \u00e0 na\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s dos microfones de uma cadeia de esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio liderada pela Mairink Veiga, que detinha, na \u00e9poca, o maior percentual de ouvintes das classes m\u00e9dia e baixa. Nesses pronunciamentos, conclamou o povo a organizar-se em grupos que, unidos, iriam formar o &#8220;Ex\u00e9rcito Popular de Liberta\u00e7\u00e3o&#8221; (EPL). Comparou esses grupos com equipes de futebol e os 11 &#8220;jogadores&#8221; seriam os &#8220;tijolos&#8221; para &#8220;construir o nosso edif\u00edcio&#8221;. Estavam lan\u00e7ados os &#8220;Grupos dos Onze&#8221; (G-11) que, para Brizola, constituir-se-iam nos n\u00facleos de seu futuro ex\u00e9rcito, o EPL.<\/p>\n<p>Pio Piovesan, nos interrogat\u00f3rios, assumiu ter sido o formador do grupo, mas, n\u00e3o lembra, ter enviado lista a r\u00e1dio de Mairink Veiga. Desconfia que tenha sido denuncia partida de Nova Palma, que desencadeou a busca. Sabendo-se, por\u00e9m, que em lugares circunvizinhos, como J\u00falio de Castilhos, tais listagens foram subscritas, e encontradas nos est\u00fadios da emissora.<\/p>\n<p><em>Coral Toni Torcchio.<\/em><\/p>\n<p>Pio Piovesan tendo herdado a maestria de seu pai Ant\u00f4nio, ap\u00f3s a sua morte continuou cultivando este legado juntamente com seus irm\u00e3o Abel, Eul\u00e1lia e Maria em Nova Palma. Em meados dos anos 90, decidiram formar um coral para manter vivo a cultura da m\u00fasica italiana. O nome do coral Toni Torchio, foi em homenagem a Ant\u00f4nio. Faziam apresenta\u00e7\u00f5es em jantares, festas, festivais e missas. Com a morte de Pio, a maestria foi passada para seu sobrinho Bernado. Hoje o grupo se re\u00fane esporadicamente em fil\u00f3s e festa da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A Ignez Piovesan Bell\u00e9 conta que \u201cgost\u00e1vamos de ir para festas juntos, de estudar, cantar, ele queria um mundo diferente \u2018era um sonhador\u2019, por\u00e9m com os p\u00e9s no ch\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Quando Pio casou, \u2013 conta a Maria Piovesan Pegoraro \u2013 ele fez no dia seguinte dia 07 de setembro, uma festa para os alunos. Havia as mesas ainda armadas do dia do casamento embaixo das laranjeiras, nas quais foi servido o ch\u00e1 com os doces que havia sobrado em quantidade, dizia o Ovidio Bertoldo, h\u00e1 pouco tempo, ele que fora aluno do Pio e convidados portanto no tal banquete dos alunos feito um dia ap\u00f3s o casamento, que nunca mais ele comeu doces t\u00e3o gostosos e com tanta fartura como naquela ocasi\u00e3o. Falando em Ovidio, um dia, conversando com Pio, A Z\u00e9lia e Adelia Zanon, contaram que, no 5\u00b0ano, onde tamb\u00e9m fazia parte da turma o Euclides Vestena, a Z\u00e9lia ficava com raiva do Ovidio, porque era sempre ele que tirava o 1\u00b0 lugar nas sabatinas.<\/p>\n<p>O Pio, \u2013 comenta a Odila Lourdes Piovesan Santos, \u2013 bom esse foi o irm\u00e3o estudado, foi meu professor como j\u00e1 mencionei, mas s\u00f3 de coisas boas, me deixava livre na aula, como se eu estivesse num Jardim ou pr\u00e9. Brincava com os alunos e estes n\u00e3o deixavam por menos. Uma vez o Euclides Vestena (Tico) trouxe uma batata-doce cozida, acho que pesava perto de quilo, e colocou sobre a mesa dele&#8230; N\u00e3o sei at\u00e9 que ponto aquilo era amor de aluno ou goza\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, o Euclides n\u00e3o era flor, como se diz&#8230; Lembro tamb\u00e9m das bergamotas que os alunos iam trazendo para ele ao entrar na sala. Ele as empilhava sobre a mesa como fazem os feirantes bem alinhadas. A gente olhava aquilo&#8230; Ele fazia parte de uma banda l\u00e1 em Nova Palma e tocavam al\u00e9m de festas religiosas, tamb\u00e9m em outras festas. Foi o Pio e o Abel que insistiram com o pai para que eu estudasse, quando eu queria para na terceira s\u00e9rie, porque n\u00e3o havia outra escola por perto. Foi com sacrif\u00edcio que comecei a estudar em Nova Palma, pois al\u00e9m de ir sozinha eu tinha pela frente aqueles tr\u00eas quil\u00f4metros todos os dias a fazer a p\u00e9. No inverno e com chuva me lembro que tinha que me esfor\u00e7ar para ir.<\/p>\n<p>A Am\u00e9lia Binotto Fagan conta:<\/p>\n<p>\u2013 O Pio era um professor inteligente e gostava que as atividades escolares fossem bem feitas. Muito disciplinado n\u00e3o gostava de conversas paralelas no qual sempre os corrigia com conselhos ou dependendo com castigo. Os castigos da \u00e9poca era ficar fora da sala olhando pra estrada, ficar olhando pro quadro de costas pros colegas, e dependo da gravidade da infra\u00e7\u00e3o ficavam ajoelhados em cima de pedrinhas. A sala era multisseriada, isto \u00e9, v\u00e1rias s\u00e9ries na mesma sala onde geralmente os alunos das classes mais avan\u00e7adas ajudavam os alunos das s\u00e9ries iniciais colaborando com o professor que n\u00e3o podia atender a todos, pois a turma era grande em m\u00e9dia 25 ou 30 alunos.<\/p>\n<p>Pio foi meu professor, \u2013 comenta o Ovidio Bertoldo \u2013 era um bom professor explicava bem e eu gostava de ir \u00e0 escola! Arrependo-me de n\u00e3o ter estudado mais. \u201cSegundo Pio eu era o aluno mais inteligente daquela classe\u201d.<\/p>\n<p>Uma gaita por uma batata.<\/p>\n<p>Numa primeira sexta-feira do m\u00eas o Pio, foi a missa do sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Neste dia todos iam a missa e para comungar era necess\u00e1rio estar em jejum. Pio neste dia levou para merenda uma batata doce assada, pois ap\u00f3s a missa, ele iria \u00e0 aula. Ent\u00e3o perto do santu\u00e1rio que havia ao lado da Igreja de Nova Palma, Pio pegou sua batata para saciar sua fome. A\u00ed apareceu o C\u00e9lio Descovi fazendo a seguinte proposta: \u201cTroco minha gaita de boca pela sua batata\u201d. E Pio sem pensar disse \u201ctroco\u201d e o neg\u00f3cio foi feito cada um satisfazendo sua necessidade. Pio com fome de m\u00fasica e C\u00e9lio que naquela hora estava com fome, preferiu negociar sua gaita de boca por uma bela batata assada.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser um batalhador pela justi\u00e7a social tamb\u00e9m sempre se preocupou com seus filhos para que a honestidade, a humildade e a dedica\u00e7\u00e3o ficassem gravadas no car\u00e1ter de cada um. Sempre disposto a ajudar quem quer que fosse, s\u00f3 n\u00e3o sabia cobrar pelo seu servi\u00e7o como diz o filho M\u00e1rio, \u201cele dizia sempre \u201cAh! Paga o que voc\u00ea acha que vale.\u201d<\/p>\n<p>\u2013 Sempre incentivou os filhos serem respons\u00e1veis \u2013 diz a filha Elena.<\/p>\n<p>\u2013 Sempre atento e corret\u00edssimo \u2013 diz o Or\u00e1cio \u2013 n\u00e3o deixava escapar nada e sempre se preocupava com o bem estar de cada um dos filhos.<\/p>\n<p><em>Fam\u00edlia do Pio por ocasi\u00e3o das bodas de ouro do casal<\/em><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m sempre se preocupou que cada um aprendesse um pouco de canto, pois valorizava muito o canto em fam\u00edlia tanto religioso como profano. Nas bodas de ouro vimos um belo exemplo disso quando os filhos entoaram a Ora\u00e7\u00e3o pela fam\u00edlia do Padre Zezinho, n\u00e3o houve quem n\u00e3o chorasse na igreja.<\/p>\n<p>Pouco antes dele falecer eu o visitei, apesar de estar com uma certa dificuldade para respirar ainda tocamos gaita de boca juntos. Ele me contou um sem n\u00famero de hist\u00f3rias e neste dia tamb\u00e9m me falou que era ele que escrevia as cartas de meu pai para a namorada, pelo menos at\u00e9 a ida dele para o quartel. Creio que depois de meu pai ele tenha sido o meu melhor exemplo e justamente por uma qualidade que muitos achavam um defeito, \u201co Pio \u00e9 um \u2018bona voia\u2019 (bonach\u00e3o)\u201d. Para ele tudo estava sempre bem e se n\u00e3o estivesse com certeza ficaria, sempre me identifiquei com este otimismo incorrig\u00edvel. Sempre me disseram que ele n\u00e3o gostava muito de fazer for\u00e7a, para isso tinha que ser inteligente o bastante para fazer o que tinha que ser feito de uma forma mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Dia 04 de dezembro de 2011 ap\u00f3s algum tempo acamado, o Pio faleceu, mas as hist\u00f3rias engra\u00e7adas que o acompanharam por toda a vida ainda se fizeram ouvir na noite do vel\u00f3rio. Os sobrinhos presentes fizeram jus ao esp\u00edrito alegre dele.<\/p>\n<p>Para o Carlos \u2013 \u201cO pai foi aquele que se eu pudesse escolher escolheria ele, parceiro de pescarias, ca\u00e7adas e longas conversas \u00e0 beira do Soturno. Amante da natureza, \u00e9tico e respeitoso para com todas as pessoas. O pai que qualquer filho sonha ter.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pio Piovesan. Nascido aos 25 de mar\u00e7o de 1926 em Bom Retiro. Batizado em 28 de mar\u00e7o de 1926, tendo como padrinhos Giralomo Girardello e Ana Zanon. 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