{"id":52,"date":"2013-11-20T22:54:24","date_gmt":"2013-11-20T22:54:24","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?page_id=52"},"modified":"2024-01-05T11:31:54","modified_gmt":"2024-01-05T14:31:54","slug":"antonio-toni-torccio","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/?page_id=52","title":{"rendered":"*Ant\u00f4nio"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ant\u00f4nio Piovesan.<\/strong><\/p>\n<p>Ant\u00f4nio nasceu em 19 de maio de 1899 sobre o lote N\u00b0141, na Linha Rigon do Soturno, hoje munic\u00edpio de Nova Palma. Sendo o terceiro filho de Giovanni Marco. Foi batizado em 20 de maio de 1899, tendo como padrinhos de batismo Marguerita Girardello e Jos\u00e9 Dalla Nora.<\/p>\n<p>Nova Palma inicialmente pertenceu ao munic\u00edpio de Rio Pardo, depois a Cachoeira do Sul, S\u00e3o Martinho e ainda a Vila Rica, hoje J\u00falio de Castilhos, como seu 5\u00ba distrito. Seu desenvolvimento foi a partir da Quarta Col\u00f4nia Imperial de Coloniza\u00e7\u00e3o Italiana, a partir de 1882, quando se formaram v\u00e1rios n\u00facleos interioranos pr\u00f3ximos a Silveira Martins.<\/p>\n<p>Dentre estes lugares, foi criado o Barrac\u00e3o, nome oriundo da constru\u00e7\u00e3o do r\u00fastico barraco, que abrigava os agrimensores e tamb\u00e9m os primeiros colonizadores. Em 1960 foi emancipada e se tornou o munic\u00edpio de Nova Palma.<\/p>\n<p>\u2013 Se contava que o pai era muito esperto \u2013 relata a tia Thereza. \u2013 Frequentou a escola por dois meses na sua inf\u00e2ncia de nove anos a escola municipal da Sede Distrital, dirigida pelo professor \u00c2ngelo Didonet, na cidade de Nova Palma.<\/p>\n<p>\u2013 Se a professora n\u00e3o o passasse de li\u00e7\u00e3o, rasgava a p\u00e1gina do livro, para n\u00e3o ter de onde repetir. Mesmo assim aprendeu a ler e escrever.<\/p>\n<p>\u2013 Ele sempre contava de uma hist\u00f3ria acontecida quando estudava em Nova Palma \u2013 continua a tia, \u2013 um fato engra\u00e7ado: Era hora do recreio e como de costume os meninos gostavam de brincar de pegar, um dos colegas estava todo \u201cendafara\u201d (sem tradu\u00e7\u00e3o) concentrado comendo uma baita batata doce que trouxera de merenda. Ant\u00f4nio dizia que estava correndo perseguido por um colega que vinha a toda atr\u00e1s dele. Ele virava para tr\u00e1s cuidando o colega para n\u00e3o ser alcan\u00e7ado e ao mesmo tempo corria com muita velocidade. Nesta corrida ele esbarrou com toda for\u00e7a no tal comil\u00e3o da batata: Agora ele pensou terei dois a me perseguir, ent\u00e3o dobrou a velocidade mais adiante se virou para tr\u00e1s para verificar a dist\u00e2ncia de seus perseguidores, qual foi sua surpresa que viu o colega agachado tentando recolher os peda\u00e7os em que a batata ficara espatifada e logo ap\u00f3s continuava degustando sua preciosa merenda como se nada mais importasse e Ant\u00f4nio a salvo dos perseguidores ficou olhando meio sem jeito&#8230;<\/p>\n<p>Como toda crian\u00e7a Ant\u00f4nio na sua inf\u00e2ncia apreciava juntamente com seus irm\u00e3os e amigos algumas brincadeiras que se os inspiravam no cotidiano deles e o que viam da natureza. Dentre essa brincadeira que gostavam podemos destacar uma: A de imitar macaco. Faziam o barulho e o ronco dos bugios, tiram as roupas e subiam nas \u00e1rvores e preparavam seus intestinos para ter combust\u00edvel necess\u00e1rio para algum desavisado que ousassem passar pelo caminho e poderiam servir de alvo \u2026<\/p>\n<p>Alfaiates mirins<\/p>\n<p>Outra hist\u00f3ria triste, mas c\u00f4mica tamb\u00e9m, aconteceu quando Giovanni Marco vi\u00favo de Roza, se viu sozinho com oito crian\u00e7as menores de 12 anos e muito criativas e com muito tempo dispon\u00edvel. Numa ocasi\u00e3o seu pai havia comprado uma pe\u00e7a de bombazina (algod\u00e3o) para fazer len\u00e7\u00f3is, com muita dificuldade, pois eram pobres. Um dia, na aus\u00eancia do chefe da fam\u00edlia que havia ido \u00e0 missa, eles encontraram este tecido e tiveram uma brilhante ideia. Repartiram na quantidade de oito peda\u00e7os para fazer um pala cada um, inspirados nos tropeiros daquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Quando o pai chegou encontrou-os montados em uma taquara fazendo de cavalos e com seus palas correndo potreiro a fora, feitos ga\u00fachos como numa gineteada felizes da vida, nem percebendo o estrago que haviam feito\u2026<\/p>\n<p>Algum tempo mais tarde a hist\u00f3ria ganhou nova interpreta\u00e7\u00e3o e depois uma nova vers\u00e3o:<\/p>\n<p>Uma prociss\u00e3o dom\u00e9stica<\/p>\n<p>Conversando com a tia Thereza ouvi que o fato n\u00e3o se deveu unicamente a um capricho da gurizada, mas a uma decorr\u00eancia l\u00f3gica da educa\u00e7\u00e3o religiosa que eles tiveram. Cresceram vendo e admirando o pai cantar nas grandes prociss\u00f5es do Sant\u00edssimo Sacramento que se realizavam mensalmente. A beleza do canto se somava ao desfile das Filhas de Maria, todas vestidas de branco, os coroinhas tamb\u00e9m de branco e o padre com aquela casula branca ricamente bordada, aquilo que era lindo!<\/p>\n<p>Sonhando com uma prociss\u00e3o destas, o grupo resolveu se paramentar para fazer uma em casa. A \u00fanica roupa branca que encontraram dispon\u00edvel foi o algod\u00e3o de fazer len\u00e7\u00f3is, e foi o que fizeram. N\u00e3o tinha grandes bordados, mas pelo menos refletia aquele ar angelical que o branco inspira.<\/p>\n<p>Cortaram a pe\u00e7a de algod\u00e3o em peda\u00e7os, fizeram um furo no meio de cada uma e se paramentaram para a prociss\u00e3o. Cruz! Precisavam de uma cruz que foi feita de taquara e l\u00e1 se foram para o espa\u00e7o livre que tinham para fazer a prociss\u00e3o, o potreiro. Ao ver aquela prociss\u00e3o a \u201cmussa vechia\u201d (mula velha) se espantou e saiu em disparada. Da\u00ed surgiu a ideia de montarem a cavalo de taquaras e seguir a brincadeira, uma prociss\u00e3o a cavalo.<\/p>\n<p>Mas como o sonho \u00e9 livre e transforma as vidas e d\u00e1 novas leituras aos fatos a hist\u00f3ria evoluiu at\u00e9 a vers\u00e3o do Lino.<\/p>\n<p>Como espertar a mula<\/p>\n<p>J\u00e1 come\u00e7ava a fazer parte da rotina das crian\u00e7as pegar a \u201cmussa vechia\u201d (mula que mal se mexia de velha) encilhar e, engarupados, o Jos\u00e9, o \u00c2ngelo o Ant\u00f4nio e ir para a escola, neste ano ia come\u00e7ar o Valentin, n\u00e3o \u00e9 que ficasse muito longe, mas a cavalo facilitava muito. A mula era muito mansa e segura para as crian\u00e7as, isto deixava o pai, Giovanni, seguro e tranquilo. Vi\u00favo e com os oito filhos para criar, com certeza n\u00e3o tinha uma vida nada f\u00e1cil, inda bem que n\u00e3o precisava se preocupar com o transporte escolar enquanto a mula dava conta do recado.<\/p>\n<p>No entanto esta n\u00e3o era a opini\u00e3o das crian\u00e7as acostumadas a ver os fazendeiros de J\u00falio de Castilhos com cavalos fogosos e, com certeza muito mais velozes. Cavalos lindos que passavam com seus ginetes montados, com o impec\u00e1vel pala branco esvoa\u00e7ando ao vento, uns marchando outros troteando, e com certeza num galope poderiam desenvolver uma velocidade emocionante para o cavaleiro.<\/p>\n<p>Isso ia muito al\u00e9m dos sonhos daquelas crian\u00e7as que somente tinham a mula, que mal se mexia para irem para a aula. Mas tudo isso ia mudar em breve.<\/p>\n<p>Muito religioso e ciente de seus compromissos com o coral, Giovanni n\u00e3o podia faltar \u00e0 missa dominical na Matriz da Sant\u00edssima Trindade.<\/p>\n<p>Ainda bem que os filhos maiores poderiam cuidar dos pequenos para dar um pouco de liberdade ao pai, agora pai e m\u00e3e daquelas nove criaturinhas. Oito em casa, pois o Benjamin, ainda beb\u00ea, estava com a fam\u00edlia do Constante Prendin, que n\u00e3o tinha filhos. Assim o pai podia cumprir suas fun\u00e7\u00f5es religiosas no domingo pela manh\u00e3 com tranquilidade, enquanto os anjinhos ficavam em casa.<\/p>\n<p>O domingo seria igual a tantos outros, mais uma vez as crian\u00e7as contemplavam maravilhadas o desfile dos fazendeiros com seus cavalos fogosos indo para a missa, com seus impec\u00e1veis palas brancos. Os tr\u00eas mais velhos, e respons\u00e1veis se perguntavam qual o segredo para ter cavalos como estes? Porque a nossa mula n\u00e3o saltita e marcha como eles?<\/p>\n<p>Enquanto uns se concentravam nos cavalos o Ant\u00f4nio teve uma ideia e dela uma conclus\u00e3o: \u2013 N\u00e3o s\u00e3o os cavalos que s\u00e3o diferentes, o que os torna lindos e ligeiros, \u00e9 o pala que os fazendeiros usam, logo se tivermos palas brancos como os deles a nossa mula vai se aligeirar e ficar como os cavalos deles.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo ent\u00e3o passou a ser a confec\u00e7\u00e3o dos palas, para isso precisavam um tecido branco, de seda seria o ideal, mas na fam\u00edlia do Giovani, pobre como era nem pensar em seda, no m\u00e1ximo um algod\u00e3o de fazer len\u00e7\u00f3is. E n\u00e3o \u00e9 que tinha em casa uma pe\u00e7a de bombazina comprada com muito sacrif\u00edcio, \u00e9 claro.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo era fazer os palas, mas como \u00e9 que \u00e9 feito um pala? Um pano com duas alturas do cavaleiro e com um furo no meio para passar a cabe\u00e7a, parece muito simples, basta ter uma pe\u00e7a de bombazina, e uma tesoura. Ent\u00e3o m\u00e3os \u00e0 obra.<\/p>\n<p>Primeiro se espicha no ch\u00e3o o algod\u00e3o, a\u00ed um pi\u00e1 se deita em cima deixando os p\u00e9s de fora, corta-se um furo para a cabe\u00e7a e se dobra de volta por cima do modelo, e se corta a outra ponta de forma que fique do mesmo comprimento da primeira, est\u00e1 feito o primeiro pala. Agora \u00e9 s\u00f3 repetir a cena at\u00e9 todos os oito estarem devidamente pilchados, at\u00e9 o Augustinho, a Maria, o Guido e o Francisco.<\/p>\n<p>Eles ainda n\u00e3o precisavam porque n\u00e3o iam para a escola, mas como a confec\u00e7\u00e3o foi feita em s\u00e9rie, n\u00e3o custava nada fazer os deles tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Todos devidamente vestidos como fazendeiros, chegou a hora de testar a solu\u00e7\u00e3o, com a corda se dirigiram ao potreiro para pegar a mula para encilhar. Nem bem viu aquele grupo a \u201cmussa vechia\u201d se p\u00f4s a correr, as crian\u00e7as, \u00e9 claro, foram atr\u00e1s, e come\u00e7ou uma intermin\u00e1vel corrida pelo potreiro.<\/p>\n<p>A turminha simplesmente n\u00e3o conseguiu pegar a mula, estava provada a teoria que o que fazia o cavalo ficar esperto era o \u201cpala branco\u201d. E foi assim quase a manh\u00e3 toda at\u00e9 que o patriarca retornou da missa e encontrou a cena&#8230;<\/p>\n<p>Os meninos cansados desistiram de pegar a mula e partiram para cavalos de taquara. Agora todos caracterizados de fazendeiros correndo pelo potreiro. Os len\u00e7\u00f3is foram feitos com muitas emendas. E a mula voltou ao seu passo tranquilo. Quanto aos anjinhos n\u00e3o sei o que aconteceu, mas certamente continuaram a ter ideias brilhantes.<\/p>\n<p>Acima tivemos o primeiro exemplo de que a hist\u00f3ria \u00e9 contada a partir da vis\u00e3o do historiador. Um mesmo fato gera v\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es. Isso n\u00e3o invalida o fato apenas agrega outros elementos do dia a dia ou relacionados.<\/p>\n<p>Apesar dos parcos recursos da fam\u00edlia sempre tiveram bastante espa\u00e7o para exercitar a inf\u00e2ncia e viver intensamente cada momento. A educa\u00e7\u00e3o e o conhecimento que iam acumulando na fam\u00edlia se complementavam com a catequese e com a escola.<\/p>\n<p>Desde bem pequenos foram aprendendo, no trabalho com o pai, as artes da agricultura, as tarefas da casa e as responsabilidades que assumiriam quando adultos. A vida social e a religi\u00e3o, que na \u00e9poca se fundiam na atividade dominical, colaboravam na forma\u00e7\u00e3o da cidadania e ajudaram a esculpir o car\u00e1ter respons\u00e1vel e brincalh\u00e3o caracter\u00edsticos da fam\u00edlia. Este aspecto particular do comportamento da gurizada \u00e9 muito bem traduzido no epis\u00f3dio que envolveu os tr\u00eas mais velhos em sua ida \u00e0 catequese.<\/p>\n<p>A mula que queria rezar.<\/p>\n<p>A partir de uma interpreta\u00e7\u00e3o do tio Lino. (Procuraremos, tanto a Silvia como eu e outros primos, a chamar nossos pais de tio Lino e tio Abel, fica mais universal)<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se o n\u00famero tr\u00eas \u00e9 m\u00e1gico, mas tem a ver com as aventuras ligadas a catequese na fam\u00edlia. Foi l\u00e1 pelo ano de 1909 (tr\u00eas vezes tr\u00eas), os tr\u00eas filhos mais velhos do Giovanni Marco j\u00e1 estavam na idade de frequentar a catequese, nesta \u00e9poca j\u00e1 moravam na costa do Portela no caminho de Linha Base. A moradia ficava uns tr\u00eas quil\u00f4metros da matriz, uma dist\u00e2ncia um pouco grande para ser percorrida a p\u00e9 pelas crian\u00e7as, da\u00ed a op\u00e7\u00e3o de ir a cavalo, ou melhor a mula. A \u201cmussa vechia\u201d era o meio de transporte dos irm\u00e3os, Beppi, \u00c2ngelo e Toni. Logo ap\u00f3s o meio dia os tr\u00eas montavam a \u201cmussa\u201d e rumavam para a igreja para as aulas de catequese.<\/p>\n<p>A \u201cmula velha\u201d era um animal extremamente pac\u00edfico e tranquilo, cobria o trajeto em aproximadamente quarenta minutos, ou seja, um pouco mais devagar do que um adulto anda a p\u00e9. A viagem era muito tranquila e permitia a contempla\u00e7\u00e3o da natureza no decorrer da mesma.<\/p>\n<p>Depois de ir e vir muitas vezes, o caminho j\u00e1 decorado, come\u00e7ava a perder a gra\u00e7a e a catequese, bem a catequese era uma obriga\u00e7\u00e3o, um compromisso, e apesar da educa\u00e7\u00e3o religiosa e rigorosa, \u00e0s vezes batia aquela vontade travessa de fazer algo diferente aos domingos \u00e0 tarde. Achar uma desculpa plaus\u00edvel e razo\u00e1vel para faltar a catequese passou a ser uma tarefa dos meninos.<\/p>\n<p>N\u00e3o demorou muito, na observa\u00e7\u00e3o do comportamento da mula eles descobriram que ela n\u00e3o gostava de ser contrariada, como por exemplo, ser acelerada, qualquer forma de instiga\u00e7\u00e3o para que andasse mais de pressa ela fazia o contr\u00e1rio, parava. Empacava, e a partir disso n\u00e3o se mexia mais e se batessem nela, baixava a cabe\u00e7a, se ajoelhava com as patas da frente e derrubava a gurizada no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo, para matar a catequese, passou a ser: apertar os calcanhares na barriga dela para que ela parrasse e a partir da\u00ed continuar tentando fazer ela andar at\u00e9 que ela decidisse derrubar o grupo, preferencialmente num lugar com barro. Sujos, n\u00e3o tinham outra roupa para vestir, a\u00ed n\u00e3o poderiam ir para a catequese, culpa da mula que tinha a mania de se ajoelhar.<\/p>\n<p>Na sua adolesc\u00eancia, Ant\u00f4nio, treinou no ex\u00e9rcito em Nova Palma, na comunidade e Linha Sete os chamados tiro de guerra, j\u00e1 na segunda turma. Subiu a cavalo junto com os companheiros pela linha cinco ficou tr\u00eas dias indo pousar na casa de Ernesto Grassi. Em 17 de julho de 1919, foi entregue a carteira de reservista a Ant\u00f4nio com a seguinte anota\u00e7\u00e3o: tiro de Guerra n\u00famero 397 aos 17\/07\/1919 submete-se a exame de reservista (Escola de Soldado) foi aprovado com grau dois, depois de feito prestar juramento a Bandeira conferiu-se a presente caderneta.<\/p>\n<p>O canto na Fam\u00edlia foi iniciado com seu pai Giovanni, que fez um curso na casa dos Buzanello, com o Pe. Valter de \u201cGeringonsa\u201d, hoje Novo Treviso. L\u00e1 aprendeu solfejo, a arte de cantar os sons a partir das notas musicais, lendo as notas musicais com seu valor e sua altura (afina\u00e7\u00e3o exata), cantando a m\u00fasica a partir de partitura. Mais tarde fez quest\u00e3o de ensinar esta arte a seus filhos.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio gostava de sentar-se na ponta da mesa da sala com suas partituras de m\u00fasica de igreja, folcl\u00f3ricas, ou italianas e ficar lendo ou assobiando e batendo com o p\u00e9 o compasso, o que mais tarde deu origem al\u00e9m de sua maestria a sua participa\u00e7\u00e3o da banda que foi formada no ano de, 1921 foi inaugurada em Nova Palma a banda municipal, trazida pelo Pe. Jo\u00e3o Zanella.<\/p>\n<p>Mais tarde tornou-se regente do coro da Igreja por longos anos, distinguindo-se por bel\u00edssimo baixo, que encantava os ouvintes de canto lit\u00fargico quanto profano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sabe-se que na Igreja cat\u00f3lica antigamente as datas religiosas eram mais comemoradas e numa delas Ant\u00f4nio, conheceu Elisabeth, que se tornou sua esposa. Numa prociss\u00e3o do Sant\u00edssimo, que acontecia todo 3\u00b0 domingo do m\u00eas, onde Elizabete, Filha de Maria, carregava o estandarte com um vestido branco. Quando ela entrou na Igreja Ant\u00f4nio, observando que ela se ajoelhava e rezava, achou-a muito devota e tamb\u00e9m muito bonita e pensou \u201cesta \u00e9 a mo\u00e7a com quem eu gostaria de casar.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_422\" style=\"width: 248px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-422\" class=\"wp-image-422 size-medium\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/casamAE-238x300.jpg\" alt=\"\" width=\"238\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/casamAE-238x300.jpg 238w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/casamAE-119x150.jpg 119w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/casamAE-768x968.jpg 768w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/casamAE-476x600.jpg 476w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/casamAE.jpg 1372w\" sizes=\"(max-width: 238px) 100vw, 238px\" \/><p id=\"caption-attachment-422\" class=\"wp-caption-text\">Foto oficial de casamento<\/p><\/div>\n<p>Casou-se em dois de setembro de 1922, com Elizabeth Zanon, ficou morando na resid\u00eancia de seu pai Giovanni por quase dois anos e posteriormente mudou-se para terras que comprou. Tiveram 11 filhos. O primeiro nasceu morto como relata a tia Thereza;<\/p>\n<p>\u2013 \u201cRelembrando o que Ant\u00f4nio e Elizabeth contavam de suas vidas. Moravam na casa do Giovanni, onde ap\u00f3s mais ou menos um ano, aguardavam ansiosos o nascimento do primog\u00eanito. Por\u00e9m a Dona \u201cIsa\u201d, tendo de recolher lenha na ro\u00e7a, para o forno de p\u00e3o e cozinha trope\u00e7ou e caiu batendo numa grande pedra. Poucos dias ap\u00f3s, com dificuldades, nascia o esperado neto \u2013 que tristeza! Estava morto.<\/p>\n<p>Diz que o av\u00f4, N\u00f4no Piovesan, tia Cec\u00edlia e tio Angelim, que tamb\u00e9m moravam juntos choraram muito. Imagino Ant\u00f4nio e Elizabeth! Mas a f\u00e9 e a juventude foram \u00e0 alavanca, pra prosseguir\u201d.<\/p>\n<p>Mais tarde, vieram o Achiles, Pio, Lino, Ignez, Abel, Thereza, Ana (viveu um dia apenas), Eul\u00e1lia, Maria e Odila.<\/p>\n<p>Casa nova<\/p>\n<p>Em 19 de maio de 1924 transferiu resid\u00eancia para as terras de v\u00e1rzea, que alugou e posteriormente comprou de Giacintho Ravanello, na Linha Bom Retiro (chamado assim desde a Revolu\u00e7\u00e3o de 1893), pagando por elas 14.000 mil r\u00e9is. Ant\u00f4nio comprou estas terras gra\u00e7as aos empr\u00e9stimos de dinheiro de vizinhos e amigos, levando 14 anos para pagar todos \u00e0queles que lhe emprestaram. Al\u00e9m disso, teve que vender uma parte de suas terras para sua madrinha Marguerita Dalla Nora para quitar com um dos que haviam lhe emprestado o dinheiro para comprar a terra e n\u00e3o quis dar um maior prazo.<\/p>\n<p>Aos 08 de agosto de 1924, nasceu o Achiles. Aos 25 de mar\u00e7o de 1926, nasceu o Pio. Em 19 de maio de 1928, nasce o Lino. Aos 29 de junho de 1930, nasce a Ignez. Em 21 de setembro de 1932, nasce o Abel. Um pouco da hist\u00f3ria de cada um ser\u00e3o contadas nos cap\u00edtulos correspondentes<\/p>\n<p>Num di\u00e1logo com a tia Thereza Piovesan e a tia Odila Piovesan Santos ouvimos mais hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>\u2013 Eu ainda n\u00e3o tinha nascido \u2013 conta a tia Thereza \u2013 O pai era pessoa que pensava e sabia fazer as reflex\u00f5es e conclus\u00f5es. Certa vez, um grande vendaval e chuva destru\u00edram as lavouras de milho e feij\u00e3o (1933). Desolado foi pedir conselho ao Sr. At\u00edlio Al\u00e9ssio, homem sensato de poucas palavras. Ap\u00f3s ter desabafado a afli\u00e7\u00e3o de ver a ro\u00e7a perdida, e como iria alimentar a fam\u00edlia e ir pagando as d\u00edvidas, o seu At\u00edlio, ap\u00f3s momentos de reflex\u00e3o e querendo ajud\u00e1-lo disse: \u201cringraccia al Signore\u201d (agrade\u00e7a ao Senhor). \u2013 Mas como? O que eu vou dar comer aos filhos pequenos? E ele pacientemente repetiu: \u201cRingraccia al Signore\u201d. Meio desconcertado se despediu, e voltava para casa tentando entender esta Palavra. Concluiu que efetivamente precisava agradecer a Deus. S\u00f3 as planta\u00e7\u00f5es foram danificadas, mas os filhos e mam\u00e3e e ele estavam vivos e com sa\u00fade. \u2013 \u201cAos pequenos \u00e9 dado compreender\u201d \u2013 conclui Thereza.<\/p>\n<p>Em 09 de novembro de 1934, nasce a Thereza. Depois teve uma gravidez da Ana que sobreviveu s\u00f3 um dia. Eul\u00e1lia Piovesan nasceu em 03 de dezembro de 1938. Maria Piovesan nasceu em 24 de maio de 1941. Em 06 de novembro de 1946 nascia Odila Lurdes Piovesan. Suas hist\u00f3rias estar\u00e3o a seguir.<\/p>\n<p>Os dons art\u00edsticos na fam\u00edlia s\u00e3o caracter\u00edsticos. Odila perguntava a seu pai como era ler as notas musicais? E ele respondia: \u201cE f\u00e1cil, \u00e9 como tu ler as letras num livro\u201d.<\/p>\n<p>\u2013 Eu n\u00e3o entendia como algo t\u00e3o complicado poderia ser t\u00e3o f\u00e1cil \u2013 dizia a tia Odila. \u2013 Ele pegava uma partitura, e ia assobiando as notas. Quando cantava na igreja, ele n\u00e3o dizia uma s\u00f3 palavra, mas s\u00f3 cantava solfejando, isto \u00e9, cantando as notas. A gente achava engra\u00e7ado&#8230;<\/p>\n<p>\u2013 Amigo e jovial era especialmente hospitaleiro com os de fora e vizinhos e passantes \u2013 conta a tia Thereza. \u2013 Sempre acolhia com bom copo de vinho, e um dedo de prosa. Conosco, os filhos, era atencioso, mas (penso que culturalmente lhe foi ensinado) pouco falava e quando o fazia era uma forma de conselho e admoesta\u00e7\u00e3o. Lembro que dizia: \u201cSe pedisse algo emprestado, se ach\u00e1ssemos alguma coisa na estrada ou na escola ou igreja, n\u00e3o nos pertencia e era para procurar o dono e devolver. Assim tamb\u00e9m se fossemos trabalhar para algu\u00e9m, n\u00e3o era para perder tempo e cuidar zelando do que faz\u00edamos e n\u00e3o estragar o que \u00e9 alheio\u201d.<\/p>\n<p>Papai era muito vers\u00e1til, esperto, amigo comunicador e muito humorista. Sabia dar um toque gracioso nos \u201ccausos\u201d ou mesmo nos fatos reais Era sempre gostoso escutar as hist\u00f3rias das ca\u00e7adas e pescarias. Fazia os \u201couvintes\u201d entrarem no enredo e ca\u00e7ar ou pescar juntos.<\/p>\n<p>\u2013 Cantava tamb\u00e9m algumas Missas em latim \u2013 como conta a tia Odila. \u2013 Isso para os dias de festa dos padroeiros e outros como Natal e P\u00e1scoa. Lembro que numa Missa de P\u00e1scoa, aquelas que eram celebradas \u00e0 meia-noite, onde se cantava o Sanctus seguido do Benedictus antes da consagra\u00e7\u00e3o. Algumas vezes, conforme a pessoa que dirigia o coro, o Benedictus era cantado depois da consagra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Houve uma ocasi\u00e3o em que o pai que cantava a voz de baixo tinha um solo no Benedictus. Naquela missa era para ser cantado depois. Um pouco por distra\u00e7\u00e3o, um pouco at\u00e9 por sono, o pai, terminando o Sanctus, come\u00e7ou com toda a for\u00e7a dos pulm\u00f5es; Be&#8230; de Benedictus&#8230; A\u00ed viu que tinha dado um fora, parou. Nem precisa dizer que aquilo virou piada; rindo da pr\u00f3pria distra\u00e7\u00e3o ele dizia que o Cordeiro (pascal) havia berrado antes da hora&#8230;<\/p>\n<p>E a tia Thereza continua&#8230;<\/p>\n<p>\u2013 Possu\u00eda uma incompar\u00e1vel voz (baixo) e quando podia nos ensinar tamb\u00e9m a cantar e solfejar \u201cbisognha imparare saver le note musicale\u201d (precisa aprender a ler as notas musicais). Quando, mais crescidos aos manos ele nos ensinava \u00e0 noite, ap\u00f3s \u201cdire la corona\u201d (rezar o ter\u00e7o), a cantar a vozes&#8230; \u2013 Tempo inesquec\u00edvel \u00e0 luz de lamparina de querosene (lume ou chiari) o Pio e a Ignez tinham 1\u00aa voz, o Abel, Lino e Thereza 2\u00aa voz, e mam\u00e3e tamb\u00e9m, que melodiosa a voz de mam\u00e3e! O Achiles fazia o baixo e o pai o contrabaixo.<\/p>\n<p>Recordo que ele falava tamb\u00e9m de \u201cDa fargue el bar\u00edtono\u201d (cantar entre o tenor e o baixo) &#8230; e n\u00f3s crescemos e as vozes da Eul\u00e1lia e Maria 2\u00aa voz e a Odila 1\u00aa voz, enfeitavam as nossas noites&#8230; Quando se reuniam os homens cantores: Albino Gardim, Aur\u00e9lio Bertoldo, Afonso e Albino Vestena, Guido Rossato, Casemiro Bertoldo, Angelim e Guido Grotto, At\u00edlio e Aur\u00e9lio Zanon, Amadeu e Jose Zanon, Celeste Pelegrim e come\u00e7avam a cantar e tomar vinho (quando tinha), o mundo, a vida, o ambiente eram de paz, alegria, uni\u00e3o&#8230; uma festa!<\/p>\n<p>Houve uma \u00e9poca (1950) \u2014 continua a tia Odila \u2013 em que veio a Nova Palma um padre para ser coadjutor (ajudante) do Padre Luiz. Era o padre Afonso Correa. O homem era m\u00fasico e come\u00e7ou a querer organizar um coral na igreja. S\u00f3 que ele era bom no assunto, tinha um repert\u00f3rio razo\u00e1vel, e come\u00e7ou a \u201cpuxar\u201d pelo pessoal. N\u00f3s; Pai, Abel, Thereza, Eul\u00e1lia, Maria e eu \u2013 o Pio j\u00e1 morava em Nova Palma \u2013 nunca falt\u00e1vamos a um ensaio o pai comprou at\u00e9 uma \u00e9gua, a Zaina, para ir.<\/p>\n<p>Ele tinha dificuldade de andar \u00e0 noite. A Zaina era um animal muito especial. Mansa, com pelo da cor de pinh\u00e3o, e onde a gente largasse as r\u00e9deas no ch\u00e3o, ela parava. Era a grande virtude dela. Tamb\u00e9m s\u00f3 comia sal. Ela era a montaria do pai.<\/p>\n<p>\u2013 Mas voltando aos ensaios, eles eram \u00e0 noite, uma ou duas vezes por semana. Num desses ensaios, o padre falou que tinha um desejo de ensinar um \u201cTantum Ergo\u201d que era particularmente dif\u00edcil. O pai j\u00e1 se sentiu curioso e provocado a apreend\u00ea-lo. O padre falou acho que n\u00e3o v\u00e3o conseguir. A\u00ed o pai fez uma aposta com o padre: \u2013 Jogo uma rapadura com o senhor que a gente aprende&#8230; Devia ser \u00e9poca de a\u00e7\u00facar&#8230; Aquele de cana&#8230; N\u00e3o precisa nem dizer que a tal m\u00fasica depois de muito ensaio saiu. Bonita por sinal e ficou conhecida como o Tantum Ergo da rapadura.<\/p>\n<div id=\"attachment_519\" style=\"width: 432px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-519\" class=\"wp-image-519 size-large\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1952-L-422x600.jpg\" alt=\"\" width=\"422\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1952-L-422x600.jpg 422w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1952-L-211x300.jpg 211w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1952-L-106x150.jpg 106w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1952-L.jpg 614w\" sizes=\"(max-width: 422px) 100vw, 422px\" \/><p id=\"caption-attachment-519\" class=\"wp-caption-text\">Em 1952, o conjunto musical da fam\u00edlia<\/p><\/div>\n<p>\u2013 A nossa alegria como crian\u00e7as eram as reuni\u00f5es familiares. Digo familiares, n\u00e3o s\u00f3 em fam\u00edlia, mas especialmente com os vizinhos e amigos. Eram reuni\u00f5es para jogar baralho, para fazer cantorias, para pescar cascudo de noite, para comer melancias quando a colheita fosse abundante, para comer batata doce cozida no forno a lenha, para comer amendoim torrado, p\u00e9 de moleque, cuca, vinho doce, comemorar anivers\u00e1rios geralmente do chefe de fam\u00edlia ou de algum jovem, mas com farras, brincadeiras e \u201csurpresas\u201d &#8230;<\/p>\n<p>Tudo era motivo de alegria. Uma dessas oportunidades de estar juntos eram os dias de colheita de uva. Os grandes trabalhavam colhendo, colocando os cestos e caixas com uva nos carrinhos e transportando para a cantina. N\u00f3s crian\u00e7as t\u00ednhamos a tarefa que eu pessoalmente n\u00e3o gostava muito: juntar os gr\u00e3os que caiam dos cachos. Peg\u00e1vamos canecas e ench\u00edamos com os gr\u00e3os. A uva \u201csampanha\u201d (uva branca de casca dura especial para fazer espumante) era muito f\u00e1cil de debulhar, ent\u00e3o a gente tinha que juntar os gr\u00e3os no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>O bom era quando nos chamavam para pisar a uva na tina. Acho que fiz isso uma ou duas vezes. Primeiro a gente lavava os p\u00e9s no rio, depois lavava num balde de madeira e entrava na tina cheia de uva. O trabalho era feito cantando, dan\u00e7ando, fazendo ritmo, e dando muita risada! \u2013 Finalizou a tia Odila.<\/p>\n<p>\u2013 Outra qualidade de Ant\u00f4nio \u2013 lembrou a tia Thereza \u2013 era o amor pela leitura legado que passou para todos seus filhos, era um ass\u00edduo leitor do jornal \u201cStafeta Riograndense\u201d \u2013 hoje Correio Riograndense, e tamb\u00e9m outros livretos e revistas, livro de como plantar parreiras que guardava sempre na \u201ccucheta\u201d (cabeceira da cama), hist\u00f3ria sagrada e almanaque.<\/p>\n<p>Ao voltar da missa, quando chegava da missa aos domingos com \u201ci dolci in scarcela\u201d (os doces no bolso). Sentava nos degraus da porta da sala e nos lhe tir\u00e1vamos as botas \u201ccavar i stivai\u201d e ele lia o jornal, enquanto mam\u00e3e preparava o \u201cbrodo\u201d (caldo) de galinha para a sopa com p\u00e3o e \u201cformagio grat\u00e1\u201d (queijo ralado). Aprendeu tamb\u00e9m a fazer contas. Creio que se fez autodidata na criatividade e na necessidade de sobreviv\u00eancia. Fazia com capricho: pipas, engenhos de moer cana, cangas para bois, moveis e casas. A cama de casal dele (02\/09\/1922) ele mesmo a fez, e depois de 90 anos, ainda existe e est\u00e1 em uso com a tia Odila e o Fernando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u2013 A casa do N\u00f4no Ant\u00f4nio e N\u00f4na Elizabete \u2013 como conta a Maristela Piovesan \u2013 Situada \u00e0s margens do Rio Soturno, era uma constru\u00e7\u00e3o de madeira de angico, separada em duas constru\u00e7\u00f5es, uma delas eram os quartos sendo em n\u00famero de quatro, separados por um corredor e na frente uma varanda que nos cham\u00e1vamos de \u201cportego\u201d, com madeira toda trabalhada feita por Ant\u00f4nio, e no final do corredor tinha uma porta para varrer a casa.<\/p>\n<p><em>Thereza com sobrinhos tendo ao fundo o \u201cportego\u201d ricamente entalhado da casa.<\/em><\/p>\n<p>\u2013 Na minha primeira visita \u00e0 casa do N\u00f4no, \u2013 complementa o Liceo \u2013 que foi por ocasi\u00e3o da primeira missa solene do padre Reinaldo, o tio Achiles e eu ficamos hospedados na casa do N\u00f4no. Para mim quase tudo era normal exceto pela porta dos fundos sem escada, eu n\u00e3o conseguia entender porque algu\u00e9m faz uma porta e n\u00e3o p\u00f5e escada. Na \u00e9poca o meu esp\u00edrito jornal\u00edstico ainda n\u00e3o estava presente, ou seja, eu era muito t\u00edmido para perguntar, e a d\u00favida ficou at\u00e9 eu ler o texto da Maristela, a porta era para varrer para fora a sujeira da casa.<\/p>\n<p>Era uma constru\u00e7\u00e3o alta, e embaixo tinha um por\u00e3o onde Ant\u00f4nio armazenava suas pipas de vinho e algumas com trigo dentro e com areia por cima. Neste local tamb\u00e9m se guardava salame e queijo, por ser um lugar mais fresco.<\/p>\n<p>A outra constru\u00e7\u00e3o funcionava a cozinha e uma sala. A cozinha era com piso de laje. Tinha uma mesa pequena pregada por um lado na parede e no outro lado tinha dois p\u00e9s onde faziam as massas (taiadelle) e o p\u00e3o. Era coberta de telha canoa sem foro.<\/p>\n<p><em>Na frente da cozinha tinha uma cal\u00e7ada e no fim da cal\u00e7ada o po\u00e7o.<\/em><\/p>\n<p>No meio da cozinha existia um fog\u00e3o (fogolaro) feito de tijolo e chapa. As telhas eram pretas, devido a fuma\u00e7a do fog\u00e3o. Tamb\u00e9m tinha uma taquara (stanga) onde eram pendurados o salame (soco\u00ed) e o toucinho (lardo) para temperar feij\u00e3o e radicchio. A esquerda do fog\u00e3o tinha uma caixa de madeira pregada na parede onde se colocava ovos, acima tinha um enorme porongo com um buraco no meio onde guardava a erva para o chimarr\u00e3o. Na outra parede tinha uma caixa onde guardava o p\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na cozinha tinha duas caixas de madeira, uma guardava farinha de trigo e a outra de milho, que quando fechadas serviam para as filhas namorarem. Os mantimentos eram guardados na \u201ccarden\u00e7a\u201d que era um tipo de arm\u00e1rio para guardar mantimentos.<\/p>\n<p>Mais atr\u00e1s tinha um tipo de pia de madeira (secchiaro), que se colocava uma bacia de madeira (gamela) para lavar a lou\u00e7a. E no lado tinha uma prateleira para empilhar os pratos e pregos para pendurar as x\u00edcaras e canecos.<\/p>\n<p><em>Cantoria na sala da casa<\/em><\/p>\n<p>A sala tamb\u00e9m tinha um assoalho de madeira de angico, o mobili\u00e1rio consistia de algumas cadeiras e uma mesa grande com um banco, nesta sala se almo\u00e7ava e se jantava sempre. Num dos cantos da sala, tinha um orat\u00f3rio com as imagens do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus e Maria, onde Elizabete todos os s\u00e1bados arrumava os guardanapos e colocava flores colhidas do jardim que ela cultivava. E um enfeite no lado que servia para pendurar os ter\u00e7os.<\/p>\n<p>A sala ainda contava com uma prateleira onde eram guardados os livros. Ali existia um rel\u00f3gio e tinha ganchos onde eram pendurados os dois viol\u00f5es e o violino. E na parede tinha quadros dos familiares.<\/p>\n<p>No ano de 1926 foi constru\u00edda a quarta pinguela, sobre o Rio Soturno, constru\u00edda com o mutir\u00e3o da comunidade no passo do Dalla Nora, onde antes a travessia era feita por barco-balsa, facilitando assim o acesso \u00e0 cidade.<\/p>\n<p>\u2013 Anos mais tarde, falando em enchente, \u2013 a tia Odila relembra. \u2013 Lembro-me de uma bem grande: a \u00e1gua vinha subindo \u201caos tombos\u201d como a gente dizia, ent\u00e3o n\u00f3s fic\u00e1vamos marcando nas pedras ou tocos da margem a rapidez e o processo da cheia e tamb\u00e9m quando a \u00e1gua parava de subir. Nessa ocasi\u00e3o, a bicharada ia fugindo da \u00e1gua e buscando lugares mais altos e secos.<\/p>\n<p>Havia perto das taquareiras um tipo vale e do outro lado uma elevada. Pois n\u00e3o \u00e9 que a \u00e1gua come\u00e7ou a descer e encher por aquela baixada, formando uma correnteza medonha. Os bichos: porcos, galinhas, cabritos, vacas, foram se refugiando naquele terreno mais elevado, que a essas alturas formava uma ilha. Pois bem, l\u00e1 se foram os homens, se n\u00e3o me engano o Aquiles, o Pio, o Abel a buscar os tais bichos. Jogavam-se na \u00e1gua, enfrentando a correnteza e procuravam trazer o que podiam. Lembro que a Maria tamb\u00e9m ajudava. Ela era bem fortona e corajosa. A bicharada era um gritedo s\u00f3: vaca mugindo, cabrito e porcos gritando, galinhas voando, imaginem s\u00f3. E os manos corajosos indo e voltando com as cargas.<\/p>\n<p>Os bichos fugiam, era um alvoro\u00e7o. S\u00f3 lembro que quando a \u00e1gua j\u00e1 estava bem alta, eles que usavam troncos como passagem, usaram uma \u201ctranqueira\u201d, isto \u00e9, umas arvores ca\u00eddas, com galhos, cip\u00f3s tudo junto, e vieram fazendo daquilo tudo uma ponte. Mas foi por pouco: estavam chegando, e foi um, barulh\u00e3o, tudo veio vindo \u00e1gua abaixo, empurrado pela for\u00e7a das \u00e1guas. Alguns animais n\u00e3o conseguiram ser salvos, e ent\u00e3o passaram uns dias na \u201cilhazinha\u201d sendo alimentados por espigas \u201cvoadoras\u201d que eram jogadas para eles. Isso at\u00e9 as \u00e1guas baixarem.<\/p>\n<p>\u2013 O Toni aprendeu a arte de trabalhar com madeira \u2013 lembra seu Aur\u00e9lio Bertoldo, j\u00e1 com 91 anos \u2013 fabricava casas, galp\u00f5es, baldes e principalmente pipas e engenhos com seu pai Giovanni Marco e com seu primo Jos\u00e9 Piovesan o \u201cBepitti\u201d, que tamb\u00e9m tinha habilidade com madeira e residia no Rinc\u00e3o de Santo Ant\u00f4nio. Tamb\u00e9m trabalhavam com o Constante Prendin, que tinha uma oficina de m\u00f3veis localizada onde hoje reside Orlando Piovesan, e cortava \u201cdogue\u201d (friso) para encaixar o fundo da pipa. Estas pr\u00e1ticas artesanais com madeira lhe renderam o apelido popular de \u201cToni Torchio\u201d. Os trabalhos que ele fazia eram muito bem feitos, muito bem acabado na casa de meu filho ainda existe um Torchio (moenda de rolos para cana) feito por ele.<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o de 1930 foi o movimento armado, liderado pelos estados de Minas Gerais, Para\u00edba e Rio Grande do Sul, que culminou com o golpe de Estado, o Golpe de 1930, que dep\u00f4s o presidente da rep\u00fablica Washington Lu\u00eds em 24 de outubro de 1930, impediu a posse do presidente eleito J\u00falio Prestes e p\u00f4s fim \u00e0 Rep\u00fablica Velha, tomando posse Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o em 09 e outubro de 1930 vem a nova ordem para que se apresentem todas as classes do tiro de guerra n\u00famero 397, de 1917 a 1935, para que fossem at\u00e9 J\u00falio de Castilhos se incorporarem a tropa, Ant\u00f4nio ent\u00e3o se reuniu, em J\u00falio Castilhos com seus companheiros, subindo a cavalo at\u00e9 a cidade. Ent\u00e3o Get\u00falio Vargas, que estava passando de trem vindo de S\u00e3o Borja e vendo todos aqueles agricultores mandou-os embora dizendo: \u201cColonos e Italianos, v\u00e3o plantar batatas. Se este ano vamos ter dificuldades por causa da guerra, o ano que vem vamos ter dificuldades por causa da falta de comida\u201d. Tinha como filhos Achiles, Pio, Lino e Ignez na \u00e9poca era beb\u00ea.<\/p>\n<p>\u2013 Quero falar algo a respeito do trabalho \u2013 diz a tia Odila. \u2013 O pai era carpinteiro e a m\u00e3e trabalhava na ro\u00e7a. E como trabalhava. Ela era sempre a mais ligeira na enxada, e quando a gente capinava ia ajudando a adiantar a fileira onde a gente estava. J\u00e1 o pai, quando preparava as lavouras de milho, por exemplo, os que ficavam mais perto da estrada, ele esticava um cord\u00e3o que servia de baliza e ia plantando as sementes naquela fileira de maneira que ficava tudo bem retinho. Os vizinhos at\u00e9 comentavam o capricho dele. No seu trabalho de carpinteiro ele fazia desde casas de madeira at\u00e9 pipas, baldes, e se tornou conhecido como fazedor de engenhos para moer cana. Disso lhe veio at\u00e9 o apelido de \u201cToni Torchio\u201d.<\/p>\n<p>As casas<\/p>\n<p>As primeiras casas que construiu no Bom Retiro \u2013 contou o tio Pio em 16\/10\/2011, em depoimento dado \u00e0 tia Odila \u2013 foi a de Jo\u00e3o Afonso Vestena e Joaquim Binotto. Al\u00e9m desta construiu a casa de seu cunhado Jos\u00e9 Zanon, com a ajuda de seu Irm\u00e3o Valentim e seu primo Bepitti, recebendo na \u00e9poca tr\u00eas Fiorini (eles chamavam de Fiorini os mil r\u00e9is) pelo servi\u00e7o. Mais tarde quando estava construindo um galp\u00e3o na casa de Guerino Rossato, caiu e fraturou todas as costelas, ficando internado por 28 dias no hospital.<\/p>\n<p>\u2013 O Pio ainda morava com o pai \u2013 complementa a Odila \u2013 foi fazer um galp\u00e3o no Guerino Rossato seu amigo e compadre. A constru\u00e7\u00e3o ficava nos fundos da casa. Os esteios foram colocados com requadros para colocar o assoalho em cima. Os construtores eram o Toni e seu filho Pio. A constru\u00e7\u00e3o era uma reforma com caibros, madeira j\u00e1 velha. O Ant\u00f4nio pregava um dos \u00faltimos barrotes a uma altura de quatro metros do ch\u00e3o. Nisso a ponta quebrou e ele caiu com os bra\u00e7os abertos em cima de um barrote do alicerce: Primeiro de frente e depois com a for\u00e7a do impacto tombou para tr\u00e1s. O Pio que estava o seu lado veio correndo por cima dos caibros e desceu a escada e agarrou o Pai que gritava de dor. A\u00ed a Dona \u00c2ngela chegou apavorada e o Pio pediu instintivamente para trazer ch\u00e1 com mate com cacha\u00e7a. Nisso chega Guerino que foi a toda pressa, montado num cavalo em pelo, a galope buscar a camionete do Cirilo Tomazi que era a ambul\u00e2ncia da cidade. O pai foi conduzido sentado no lado do Pio que apoiava a cabe\u00e7a no seu ombro. A camionete mal se movia na estrada, pois a cada solavanco o pai apertava a m\u00e3o do Pio para o motorista diminuir a velocidade, porque o pai n\u00e3o conseguia respirar. Tamb\u00e9m pudera, o diagn\u00f3stico foi: Todas as costelas quebradas do lado esquerdo. O Pio contava que no hospital ficaram cuidando do pai dia e noite sem dormir por tr\u00eas dias e tr\u00eas noites: a m\u00e3e, o Pio, o tio Valentim. Ao final desses tr\u00eas dias o pai come\u00e7ou a escarrar sangue, muito sangue coagulado o que foi sinal de esperan\u00e7a para os que assistiam.<\/p>\n<p>Ficou hospitalizado por 28 dias e dizia sempre. \u201cNo st\u00e9 mover-me\u201d (n\u00e3o me mexam). Quando puderam trocar as roupas de trabalho por uma adequada ao hospital se depararam com quase todo o equipamento de um carpinteiro como: Pregos de caibros, l\u00e1pis de carpinteiro e at\u00e9 o metro no bolso da cal\u00e7a. O martelo ca\u00edra no ch\u00e3o por que sen\u00e3o at\u00e9 esse viria junto.<\/p>\n<p>\u2013 Em casa \u2013 fala a Odila \u2013 em 1947, quando vimos a camionete passar na estrada come\u00e7amos a chorar. O Pio e a Clementina moravam l\u00e1 em casa nessa \u00e9poca. Quando a m\u00e3e foi acompanhar o pai ao hospital n\u00f3s ficamos com a Clementina \u201cde m\u00e3e\u201d. \u00c0 noite nos reunimos no quarto deles chorando e rezando para um santinho do Vicente Palotti. A Clementina nos consolava. Que duros momentos!<\/p>\n<p>\u2013 Certo dia, \u2013 conta o Luiz Zanon, 87 anos, \u2013 o tio Ant\u00f4nio foi fazer compras em Santa Maria foi numa \u00e9poca que n\u00e3o podia falar em italiano e o tio esqueceu, falou e foi preso, ele e Jos\u00e9 Barato. L\u00e1 na cadeia passou um homem vendendo p\u00e3o e salame e eles compraram, como ficaram pouco tempo na cadeia, sa\u00edram e deixaram o p\u00e3o e o salame para um rapaz alem\u00e3o que foi preso por mandar uma carta para seu pai escrita em alem\u00e3o. Veio embora de \u00f4nibus, e no caminho pediu para o \u00f4nibus parar e ele desceu entrou no bar e falou em Portugu\u00eas. \u201cBota um aperitivo que estou com sede\u201d.<\/p>\n<p>Sempre foi uma pessoa muito religiosa, rezando o ter\u00e7o todas as noites ap\u00f3s a janta e pela manh\u00e3 rezava juntamente com sua fam\u00edlia o oferecimento do dia em frente a imagem do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus e Maria. Sempre antes das refei\u00e7\u00f5es rezavam Angelus Domini (O Anjo do Senhor), mais tarde mudou-se um pouco com o incentivo da Odila come\u00e7ou-se a cantar antes das refei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u2013 O ter\u00e7o \u00e0 noite relata Odila em um depoimento eram os momentos de religiosidade. \u2013 \u201cFalando de religiosidade, um costume que era praticado diariamente era a reza do ter\u00e7o\u201d. Terminada a janta, todos se ajoelhavam no assoalho da sala, com os bra\u00e7os apoiados no assento da cadeira. O pai na ponta da mesa, de costas para o tal do orat\u00f3rio, a m\u00e3e seguindo a roda, depois Eul\u00e1lia, Maria, eu, a Thereza ajoelhada com o corpo reto, os cotovelos apoiados sobre a mesa e o Abel na ponta da banca ajoelhado no ch\u00e3o. O Pai puxava, a gente respondia. A m\u00e3e sempre arrastava as palavras, com a voz cansada e anasalada. Eu olhava para a Thereza. Ela era a \u00fanica que rezava com as palavras bem pronunciadas, n\u00e3o dormia, o olhar elevado para aqueles quadros de Jesus e Maria&#8230; O pai espiava por baixo dos encostos das cadeiras para ver se a turma rezava&#8230; Eu cuidando tudo: com uma piedade&#8230; S\u00f3 lembro que dificilmente passava do terceiro mist\u00e9rio. Ladainha, ent\u00e3o, era uma can\u00e7\u00e3o de ninar&#8230; \u2013 complementa a Odila<\/p>\n<p>E continua<\/p>\n<p>\u2013 Fam\u00edlias muito religiosas n\u00e3o deixavam nunca de ir \u00e0 missa dominical. Numa dessas enchentes onde a \u201csanga\u201d \u2013 um bra\u00e7o do rio que enchia nessas ocasi\u00f5es \u2013 essa sanga havia \u201catacado\u201d, isto \u00e9 coberto a estrada o que impedia a passagem. Os homens da casa creio que na ocasi\u00e3o tratava-se do pai, Pio, Abel n\u00e3o tiveram d\u00favida: tiraram toda a roupa, fizeram uma trouxa e colocaram-na sobre a cabe\u00e7a e passaram a tal da sanga com \u00e1gua at\u00e9 o peito. Do outro lado, bem limpos e \u201cfrescos\u201d, se vestiram e foram a tal Missa. Que f\u00e9 hein!<\/p>\n<p>Por volta de 1939, come\u00e7ou a dirigir o coral naquela localidade e era composto por: Jo\u00e3o Zanon, Aquiles Zanon, Pio Piovesan, Thereza Piovesan, Casemiro Bertoldo, Aur\u00e9lio Zanon, Albino Gardin, Aur\u00e9lio Bertoldo, Vitorino Rossato, cantando principalmente na igreja.<\/p>\n<p>Sempre foi uma pessoa que incentivou a comunidade, sendo ele doador de um terreno para a constru\u00e7\u00e3o da escola Nossa Senhora Aparecida no Bom Retiro, Nova Palma. Hoje neste mesmo local est\u00e1 alocado um capitel em homenagem Nossa Senhora Aparecida padroeira da comunidade. Os santos foram doados por Augusto Vestena, Feruchio Salvieri e Ant\u00f4nio Piovesan.<\/p>\n<p>No ano de 1941 numa reuni\u00e3o as fam\u00edlias da comunidade resolveram fazer uma escola para seus filhos estudarem e n\u00e3o terem que caminhar para t\u00e3o longe, a comiss\u00e3o era composta por: Guerino Rossato, Gerolimo Canzian, Jos\u00e9 Zanon, \u00c2ngelo Girardello, Augusto Vestena, Feruchio Salvieri, Romano Bertoldo, C\u00e2ndido Dalla Nora, Agostinho Rossato, Afonso Vestena, Albino Vestena e Ant\u00f4nio Piovesan, entre outros. Ent\u00e3o tiraram toras e levaram na serra de Agostinho Rossato fazendo o material necess\u00e1rio para a constru\u00e7\u00e3o. E constru\u00edram uma escola que poderia tamb\u00e9m ser usada como capela. Fizeram-na alta do ch\u00e3o e com madeira dupla para se resguardar do frio. Ap\u00f3s a escola estar pronta ent\u00e3o procuraram uma professora para trabalhar. Encontraram uma mo\u00e7a no col\u00e9gio das Irm\u00e3s que se chamava Rita Rossato que era \u00f3rf\u00e3. Quem a acolheu em sua casa foi Agostinho Rossato e sua esposa Doralina. Foram escolhidos por que havia mais estrutura em sua casa e o restante da comunidade ajudavam a manter a professora.<\/p>\n<p>\u2013 Durante a quaresma \u2013 continua a tia Odila \u2013 se fazia a Via-Sacra na Escola, que servia de capela. O pai ia puxando as ora\u00e7\u00f5es sempre acompanhado com tr\u00eas ajudantes: um com a cruz e dois com velas acesas, um de cada lado. L\u00e1 iam eles percorrendo as esta\u00e7\u00f5es e rezando e cantando. A m\u00e3e se orgulhava do pai dizendo que ele, apesar da idade, fazia as genuflex\u00f5es bem retinhas. Eita! mulher apaixonada pelo seu \u201cVechio\u201d! (velho) Lembro do Alfonso Vestena que sempre ia cantando os refr\u00f5es, com voz forte. Eu notava que ele sempre come\u00e7ava um mil\u00e9simo de tempo antes dos demais, tipo puxando&#8230; A gente, como crian\u00e7a vai observando as coisas&#8230;<\/p>\n<p>Toni chegando b\u00eabado.<\/p>\n<p>Aos domingos ap\u00f3s a missa em Nova Palma iam ao bar de Raimundo Al\u00e9ssio onde hoje este localizado Restaurante Barracon se encontrava com os amigos para tomar a sopa de mondongo. Mais tarde come\u00e7aram a frequentar o bar do H\u00e9lio Rossato e tomava um aperitivo chamado tr\u00eas diabos que era composto por: cacha\u00e7a, bitter e undenberger, chegando \u00e0 casa sempre alegre.<\/p>\n<p>\u2013 Quando o N\u00f4no vinha meio alto, como ele dizia \u2013 conta a Maristela \u2013 ele parava do outro lado da pinguela e a N\u00f4na via. Mandava uma de n\u00f3s ir ajudar ele a atravessar a pinguela que sacudia. Ele dava balas pra n\u00f3s e pedia pra n\u00e3o contar pra N\u00f4na. A\u00ed ele chegava em casa e ela o xingava que ouvia tudo calado.<\/p>\n<p>\u2013 Outro apelido que deram pro pai era \u201cToni de brague fate s\u00fa\u201d (Toni das cal\u00e7as arrega\u00e7ada) \u2013 diz a tia Odila. Por ter uma personalidade marcante, hoje eu vejo como o pai era autentico: at\u00e9 demais! Ele tratava do mesmo jeito as pessoas importantes e as pessoas mais simples como os mendigos a quem se dirigia chamando de senhor. Se ele tinha que ir na subprefeitura, na \u00e9poca, ou no escriv\u00e3o, ou onde quer que fosse, ele ia de p\u00e9 no ch\u00e3o, e com e \u201cbrague fate s\u00fa\u201d (cal\u00e7as arrega\u00e7adas at\u00e9 abaixo do joelho). E n\u00e3o tinha vergonha de ningu\u00e9m, e tratava bem quem quer que viesse l\u00e1 em casa. Ele j\u00e1 pedia \u201cTch\u00f3 vecchia, v\u00e1 torme um bule de vin\u201d (\u00d2 velha, vai buscar um bule de vinho). E assim ele recebia as pessoas e ficavam conversando muitas horas, geralmente \u00e0 tardinha. Apesar de sua simplicidade, ou por causa dela ele tinha muitos amigos. Lembro que quando ele ficou hospitalizado por ter quebrado as costelas, os dois \u2013 o pai e a m\u00e3e \u2013 contaram nos dedos as pessoas de Nova Palma que n\u00e3o haviam ido visit\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Quase tudo que se dizia ou se fazia na fam\u00edlia tinha sempre uma explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica ou um complemento explicativo que passava por uma hist\u00f3ria do Pio, do Lino ou do Abel.<\/p>\n<p>\u2013 Aos domingos ap\u00f3s a reza do ter\u00e7o ou da via sacra, gostava de cantar com os amigos, \u2013 como conta a vizinha \u00c2ngela Marzzari Binotto, 91 anos, \u2013 para jogar bocha, cinquilho, encerrando sempre em sua casa com polenta, salame, radicchio e vinho. O Joaquim e o Ant\u00f4nio eram amigos e compadres uma vez at\u00e9 uma casa eles compraram em sociedade, mas depois resolveram vender e repartiram o dinheiro, e aos domingos jogavam cartas, bocha e tomavam um trago juntos. Ent\u00e3o uma vez o m\u00e9dico disse pro Ant\u00f4nio que ele s\u00f3 podia tomar um trago quando se molhava para n\u00e3o se gripar, ent\u00e3o ele se molhava de prop\u00f3sito para poder beber.<\/p>\n<p>Certo dia Ant\u00f4nio foi fazer uma consulta e o m\u00e9dico recomendou que ele n\u00e3o podia beber. Da\u00ed Ant\u00f4nio disse, mas s\u00f3 um pouco, mas bem pouquinho s\u00f3 pra abrir o apetite. A\u00ed o m\u00e9dico disse tudo bem, mas s\u00f3 um pouquinho. A\u00ed ele disse e carne de porco lesa (cozida na panela) pode? O m\u00e9dico disse n\u00e3o, e Ant\u00f4nio, mas um peda\u00e7o bem pequenino? O m\u00e9dico t\u00e1 bem, mas bem pequeno. E meio copinho de vinho no almo\u00e7o? N\u00e3o diz o m\u00e9dico. Mas bem pouco vinho nem meio copo n\u00e3o pode? T\u00e1 bem diz o m\u00e9dico, mas s\u00f3 meio copo. Ant\u00f4nio saiu de l\u00e1 satisfeito e disse \u201cesse que \u00e9 m\u00e9dico bom\u201d.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio gostava muito de pescar e mais tarde com os filhos crescidos Elizabeth come\u00e7ou a acompanha-lo nessa divertida empreitada, um pouco para suprir as necessidades de alimenta\u00e7\u00e3o ou mesmo por gostar.<\/p>\n<p>Conforme relato de sua filha Odila: \u201cO pai era pescador quase di\u00e1rio. \u00c0 tardinha l\u00e1 ia ele, com um banquinho trip\u00e9, linha, minhocas e uma sacolinha para trazer os peixes. Ah quase esqueci o companheiro fiel: um gato daqueles que adivinhava os pensamentos, que estava sempre a postos para ganhar um petisco, e quando o pai se arrumava para a pescaria, o gato j\u00e1 \u201cse convidava\u201d tamb\u00e9m. Numa ocasi\u00e3o eu pedi pro pai se ele me ensinava a pescar com linha. Claro, eu s\u00f3 pescava com cani\u00e7o, e de dia. Quase ia me esquecendo; a pescaria era em cima da ponte. O pai, como estava dizendo, todo paciencioso, colocou a isca no anzol, jogou a linha no melhor ponto e disse para eu segurar. A\u00ed ele me ensinou: Vai escutando, se \u201cpinic\u00e1\u201d (beliscar) tu presta aten\u00e7\u00e3o&#8230; Vai cuidando&#8230; Se o peixe corre tu d\u00e1 linha, n\u00e3o maltrata o peixe, n\u00e3o maltrata\u2026 A\u00ed quando corre mesmo, tu fisga e depois puxa com jeito&#8230;<\/p>\n<p>A m\u00e3e tamb\u00e9m l\u00e1 pelas tantas da vida virou pescadora. Ela ia com o pai, ou sozinha, mas na maioria das vezes os dois iam junto. Era um ritual. Lembro-me que se abrigavam bem para n\u00e3o serem picados pelos mosquitos. Muitas vezes iam no \u201cbevarauro dei porqui\u201d (bebedor dos porcos). A\u00ed acontecia algo engra\u00e7ado, no m\u00ednimo. \u2013 Para n\u00e3o perder a pesca, a m\u00e3e puxava os peixes com um \u201ccolpo\u201d (golpe) e com \u201ctutta a voia\u201d (toda a for\u00e7a) para tr\u00e1s. S\u00f3 lembro que muitas vezes, no dia seguinte, l\u00e1 ia o Bernardo ou o Caco, apanhar os peixes que haviam ficado em cima das \u00e1rvores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Foto do casal em 1975<\/em><\/p>\n<p>Ant\u00f4nio gostava muito de pescar e o que vamos contar agora \u00e9 um fato acontecido no Rio Soturno, na comunidade do Bom Retiro onde o rio fazia a divisa de suas terras: Uma das atividades prazerosas e costumeiras da fam\u00edlia era \u201ctropear cascudo\u201d. Esta atividade dependia da lua, da esta\u00e7\u00e3o do ano como o ver\u00e3o, da transpar\u00eancia da \u00e1gua, e se o rio estivesse baixo. Convidavam-se os parentes como: genros, noras, netos. Preparava-se o Juqui\u00e1, que era em forma de um cone grande feito de taquara partida ao meio: os feixes de taquara seca para iluminar a pescaria; as lan\u00e7as de ferro com cabo de madeira em forma de garfo de dois ou tr\u00eas dentes; os sacos para recolher os frutos da pescaria e muita disposi\u00e7\u00e3o e anima\u00e7\u00e3o. Antes de iniciar a \u201ctropeada\u201d era armado o juqui\u00e1; escolhia-se uma correnteza estrat\u00e9gica onde era feita uma taipa com pr\u00f3prias pedras do rio em forma de V. No centro do V firmado pelas pedras era armado o juqui\u00e1 para esperar os peixes.<\/p>\n<p>Os componentes da pescaria ficavam posicionados um ao lado do outro com os fogos acesos e as lan\u00e7as nas m\u00e3os, quanto mais perto poss\u00edvel um do outro para os peixes n\u00e3o voltarem, durante a pescaria o comandante recomendava fazer barulho, mexer as pernas para os peixes n\u00e3o voltarem. Quando algu\u00e9m via um peixe chamava um dos lanceiros para fisga-lo com sua lan\u00e7a e dela para o saco.<\/p>\n<p>O \u00e1pice da pescaria era a chegada dos peixes na boca do juqui\u00e1 onde os peixes come\u00e7avam a pular e bater nas pernas querendo voltar, e os participantes fazendo aquela festa empurrando para dentro. Ao final os homens assumiam o comando pegando o juqui\u00e1 pela boca levantando-o e levando para fora para ver o resultado da fa\u00e7anha. Numa destas pescarias estavam esperando perto juqui\u00e1 os policiais. N\u00e3o sei se era a lei ou a \u00e9poca era proibida para a pesca. Uma den\u00fancia de uma pessoa provavelmente conhecida p\u00f4s fim a pescaria, os policias confiscaram tudo, fac\u00e3o, lan\u00e7a e o juqui\u00e1. Abel e Pio que estavam presente na pescaria foram intimados a acompanhar os policiais at\u00e9 a cidade, e dar depoimento do ocorrido levando nas costas o juqui\u00e1 que ficou de p\u00e9 exposto em frente da delegacia. No dia seguinte Ant\u00f4nio foi at\u00e9 a cidade dar o seu depoimento pelo ocorrido, e ao sair da delegacia avistou o Senhor Vendrusculo que morava em frente e sabia do ocorrido e para provocar o Ant\u00f4nio perguntou: Tch\u00f3 Toni, que Z\u00e9 quela roba davantti la delegacia? (o que \u00e9 aquilo na frente da delegacia?) E Ant\u00f4nio muito depressa respondeu: \u201cQuela roba li z\u00e9 el canon della Russia.\u201d (Aquela coisa \u00e9 o canh\u00e3o da R\u00fassia)<\/p>\n<p>Aos 02 de julho de 1962 na cidade de Nova Palma na pra\u00e7a Pe. Jo\u00e3o Zanella reuniram-se os trabalhadores rurais para tratar da funda\u00e7\u00e3o do Sindicato dos trabalhadores rurais. Ant\u00f4nio foi um dos s\u00f3cios fundadores desta institui\u00e7\u00e3o, pois acreditava na defesa da coletividade.<\/p>\n<p>Aos 03 dias do m\u00eas de fevereiro de 1963, na cidade de Nova Palma (RS) aconteceu uma reuni\u00e3o para organizar uma cooperativa com objetivo de conseguir melhores pre\u00e7os pelos seus produtos bem como o n\u00e3o pagamento de ICMS. Ent\u00e3o 28 agricultores acreditaram nesta ideia lan\u00e7ada primeiramente pelo Pe. Luizinho e fundaram a Camnpal. Primeiramente vendeu-se s\u00f3 fumo e feij\u00e3o, pois a soja s\u00f3 veio na d\u00e9cada de 70. Aur\u00e9lio Bertoldo, conta que no in\u00edcio tiveram muitas dificuldades, pois n\u00e3o tinha pessoas capacitadas com cursos de administra\u00e7\u00e3o, mas que mesmo assim conseguiram em 08 de fevereiro de 1976 construir o primeiro pr\u00e9dio da referida institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 03 de fevereiro de 1988, foi feito comemora\u00e7\u00e3o de 25 anos de funda\u00e7\u00e3o da Camnpal, com a presen\u00e7a dos s\u00f3cios fundadores, estavam presentes 27 s\u00f3cios porem uma cadeira estava vazia pela aus\u00eancia de Ant\u00f4nio que j\u00e1 havia morrido, o que causou muita tristeza nos familiares ent\u00e3o a homenagem foi recebida pelo seu neto Bernardo Piovesan.<\/p>\n<p>Em 02 de setembro 1972 \u2013 relembra a Odila \u2013 foram comemoradas as Bodas de ouro do casal Ant\u00f4nio e Elizabeth, foi feita uma festa: \u2013 A turma se organizou e fizemos uma bela missa as 16h 30min.<\/p>\n<p>Solenizadas por seus filhos cantores na Igreja Matriz Sant\u00edssima Trindade, e depois teve um jantar com churrasco, risoto, cuca, etc.<\/p>\n<p>E continua o relato.<\/p>\n<p>\u2013 Os dois entraram na igreja bem arrumada, o pai com uma alian\u00e7a emprestada, a m\u00e3e com um coque banana e um vestido de tecido brilhoso. No final da cerim\u00f4nia, eu cheguei por tr\u00e1s deles e fui dirigindo-os para o cortejo de sa\u00edda. O pai empacou, se virou para o lado dos cantores, botou os \u00f3culos no alto da cabe\u00e7a e come\u00e7ou a cantar junto. Depois disse: \u201cGue mancava um basso\u201d (faltava um baixo). S\u00f3 depois deu o bra\u00e7o pra m\u00e3e que estava ansiosa para desfilar no corredor da igreja \u201ca braceto\u201d (de bra\u00e7o dado) com o pai. \u00c9 claro que ela n\u00e3o largava dele, afinal era o grande dia. As pessoas fizeram fila para os cumprimentos na porta da igreja. O pai olhou a fila e lascou essa: \u2013 \u201cVarda que f\u00falmine de iente, no i se finice mai&#8230;\u201d (Olha que monte de gente&#8230; A fila n\u00e3o acaba mais&#8230;)<\/p>\n<p>Depois ele falou pra m\u00e3e: \u201cQuesta lian\u00e7a l\u00e1 me struca el deo, bisonha que gue passe la cacha\u00e7a per tirarla fora\u201d (a alian\u00e7a est\u00e1 muito apertada e precisa passar uma cacha\u00e7a para ela sair do dedo). E a m\u00e3e sempre do lado, quando dava, de bra\u00e7o com ele. A\u00ed ele se saiu com essa: \u201cTch\u00f3 vecchia, no te me assi pi, gueto pa\u00fara doppo de tutti sti ani, que te asso&#8230;\u201d (\u00d3 velha, tu n\u00e3o me deixas mais, t\u00e1 com medo que, depois de todos esses anos, eu te deixe&#8230;)<\/p>\n<p>A doen\u00e7a de Ant\u00f4nio teve in\u00edcio em mar\u00e7o de 1976 e durou at\u00e9 outubro do mesmo ano, a doen\u00e7a fazia com que tivesse muita tosse e sentia tamb\u00e9m muita falta de ar, e nos \u00faltimos meses perdeu totalmente a voz, numa festa da fam\u00edlia de dia das m\u00e3es o Padre Luiz foi at\u00e9 a resid\u00eancia para mostrar uns cantos que haviam feito algum tempo antes e foi colocado a grava\u00e7\u00e3o e Ant\u00f4nio tentou cantar, e n\u00e3o conseguia. Foi um momento muito triste para seus filhos que estavam presentes, pois ver um homem que cantou uma vida toda n\u00e3o poder fazer o que mais gostava.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio faleceu no dia 30 de outubro de 1976, era de tarde mais ou menos \u00e0s 17 horas. Na presen\u00e7a da esposa e da filha Thereza. Thereza conta que foi a primeira pessoa que viu falecer. Como era s\u00e1bado muita gente s\u00f3 ficou sabendo do falecimento na missa do domingo. Como ele era muito conhecido, praticamente toda a comunidade se fez presente nos funerais. Fizeram quest\u00e3o de carregar o caix\u00e3o nas costas, do sal\u00e3o at\u00e9 o cemit\u00e9rio tal era o carinho com que a comunidade o tratava. O reconhecimento por uma vida dedicada \u00e0 comunidade.<\/p>\n<p>\u2013 Em julho, nas minhas f\u00e9rias \u2013 conta o Liceo \u2013 fui visitar eles. Na primeira manh\u00e3 ele ficou conversando comigo muito tempo depois do caf\u00e9. No in\u00edcio percebi que a voz dele falhava e ele ficava muito nervoso at\u00e9 nem queria mais falar, mas a\u00ed comecei a falar com ele cochichado sem for\u00e7ar as cordas vocais. Acho que ele notou que eu queria ouvi-lo, a\u00ed parece que relaxou e tivemos uma longa conversa. Foi o \u00faltimo encontro que tive com ele tamb\u00e9m na ocasi\u00e3o tirei uma foto do casal na escada da casa. \u00c9 a foto que ilustra a capa deste livro.<\/p>\n<p>Elizabete faleceu em 27 de janeiro de 1992, quando foi at\u00e9 o parreiral da fam\u00edlia pegar uvas e sentiu-se mal, tendo um infarto fulminante e faleceu na hora.<\/p>\n<p>\u2013 E mam\u00e3e contava \u2013 conta a Odila \u2013 que a N\u00f4na gostava que as filhas estivessem bem vestidas e soubessem fazer um pouco de tudo em casa e na ro\u00e7a. Ela era vaidosa dentro das possibilidades. Gostava de usar colar ou correntinha e coque com presilhas. Era uma lutadora, verdadeira hero\u00edna para dar conta das lidas da casa, filhos, lavouras e cria\u00e7\u00e3o. Tenho vaga lembran\u00e7a da casa, no meu tempo de crian\u00e7a: Uma casa com sala com assoalho e cozinha de ch\u00e3o batido, e para cozinhar a comida um \u201cfogolaro\u201d (fogo de ch\u00e3o) e uma \u201ccadena\u201d (corrente) onde pendurava a panela do feij\u00e3o ou para a polenta etc., que trabalheira, buscar lenha na ro\u00e7a, tirar \u00e1gua do po\u00e7o, lavar a roupa no rio (e o lavador &#8230; que figura), fazer o p\u00e3o e tirar leite.<\/p>\n<p>Um anivers\u00e1rio e tanto.<\/p>\n<p>Era anivers\u00e1rio do Ant\u00f4nio. Dia 19 de maio 1949. Os amigos resolveram fazer aquela festa. O N\u00f4no Piovesan, Giovanni, vizinhos e a Banda composta por 18 pessoas entre eles: Angelim Girardello, Afonso Vestena, Albino e Augusto Vestena, Feruchio Salvieri, Guerino Rossato, Amadeu Zanon, Valentim Piovesan, Jos\u00e9 Zanon, Agostinho Piovesan. Combinaram de fazer uma festa surpresa para Ant\u00f4nio. Ent\u00e3o Angelim Girardello, Afonso Vestena, Guerino Rossato e Amadeu Zanon que foram os organizadores com Valentim Piovesan. Cada um foi encarregado de \u201croubar\u201d uma coisa na casa do aniversariante: Um leit\u00e3o, seis ou oito galinhas, cucas e bolachas etc.<\/p>\n<p>Os organizadores marcaram um local para se encontrarem que era no po\u00e7o do rio da ponte. Ap\u00f3s todos chegarem, soltaram foguetes a ponto de assustarem a mula do tio Valentim. Na estrada que entrava na casa de Ant\u00f4nio a banda come\u00e7ou a tocar. O N\u00f4no Piovesan (Giovanni) vinha \u00e0 frente dando o tom e a banda logo atr\u00e1s tocando uma marcha. Depois dos comprimentos, foram procurar a mula do tio Valentim, finalmente encontraram. Dentro de um buraco que haviam feito para pegar capivara tipo armadilha (essas armadilhas eram feitas tipo uns buracos fundos e largos camuflados por galhos e folhas, para as capivaras que comiam milho da lavoura ca\u00edrem), fizeram um grande esfor\u00e7o para tirar a mula, Com cordas e a for\u00e7a dos homens conseguiram pux\u00e1-la para fora. Apesar deste pequeno acidente a festa foi um verdadeiro sucesso, Ant\u00f4nio muito alegre com a homenagem feita pela banda e principalmente por seu pai ter-lhe dado tamanha honra com a banda sendo comandada por ele.<\/p>\n<p>\u2013 O pai n\u00e3o deixava passar nenhuma data festiva \u2013 conta a Maria \u2013 os anivers\u00e1rios em especial eram comemorados com maestria. Era muito dif\u00edcil de pegar ele desprevenido.<\/p>\n<p>Um vizinho muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Um dia Ant\u00f4nio como de costume estava podando o pereiral, e nisso chega o seu vizinho Arc\u00e2ngelo Mazzaro. Este cidad\u00e3o era conhecido por ter certa dificuldade no relacionamento, ao exigir seus direitos. Ant\u00f4nio por sua vez era uma pessoa de f\u00e1cil conviv\u00eancia at\u00e9 a hora que \u201clhe pisassem nos calos\u201d. Acompanhe o dialogo dos dois:<\/p>\n<p>\u2013 Arc\u00e2ngelo \u2013 Mi son vinhesto qua par nantri se acertare. (Eu vim para a gente se acertar).<\/p>\n<p>O N\u00f4no deve ter pensado qual era a encrenca.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00f4no \u2013 Ma acertarse de cossa? (Mas se acertar de qu\u00ea?)<\/p>\n<p>\u2013 Arc\u00e2ngelo \u2013 El tuo can bianco me g\u00e1 copa el me agnelo da semensa. (O teu c\u00e3o branco matou o meu cordeiro reprodutor).<\/p>\n<p>O N\u00f4no surpreso responde.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00f4no \u2013 Ma mi no go nhanca can, go solo una canha. (Mas eu n\u00e3o tenho um c\u00e3o, s\u00f3 tenho uma cadela)<\/p>\n<p>\u2013 Arc\u00e2ngelo \u2013 Me cato que la gera na canha bianca. (At\u00e9 eu acho que era uma cadela)<\/p>\n<p>O N\u00f4no deve ter pensado minha cadela virou cachorro.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00f4no \u2013 Ma la me canha la z\u00e9 meda daleta. (Mas a minha cadela \u00e9 amarelada).<\/p>\n<p>O homem querendo arrumar um culpado e n\u00e3o se dando por vencido falou:<\/p>\n<p>\u2013 Arc\u00e2ngelo \u2013 Ma me par que la gera meda daleta. (\u00c9, me parece que era mesmo meia amarelada)<\/p>\n<p>O N\u00f4no n\u00e3o gostou de ouvir tais palavras foi saindo do pereiral, vendo que o caldo ia entornar disse:<\/p>\n<p>\u2013 No no \u2013 Prima el gera um can bianco, dopo la z\u00e9 vegnesta na canha bianca, dopo la z\u00e9 vegnesta daleta, e mi cato que gera el dem\u00f4nio, vuto vedere que colore que era? Ma varda que qua no te cati i Pelegrini. (N\u00e3o, n\u00e3o \u2013 primeiro era um c\u00e3o branco depois virou uma cadela branca depois ficou amarelada, eu acho que era o dem\u00f4nio, queres ver que cor era ela? Mas olha que aqui n\u00e3o achas um Pelegrin) (Pessoas que seguido se incomodavam com Arc\u00e2ngelo, pois eram lindeiros). E levantou o bra\u00e7o esquerdo para bater no Arc\u00e2ngelo. Como o outro n\u00e3o reagia o N\u00f4no foi baixando o bra\u00e7o devagarzinho e quando o N\u00f4no terminou de baixar o bra\u00e7o, os dois em sil\u00eancio se encaminharam em dire\u00e7\u00e3o a casa e l\u00e1 chegando o Anc\u00e2ngelo, vendo que tinha se livrado de uma surra, com a maior cara de sonso diz:<\/p>\n<p>\u2013 Arc\u00e2ngelo \u2013 Ma Toni, me par que te ghe anca inrabia. (Mas Toni, me parece que voc\u00ea ficou enraivecido).<\/p>\n<p>Uma do Bepi Boton.<\/p>\n<p>Conta a Pierina:<\/p>\n<p>\u2013 Esse tal de Bepi que era amigo de Ant\u00f4nio e marido da Gusta B\u00e9rtola passavam sempre aos domingos, depois da missa l\u00e1 em casa para tomar chimarr\u00e3o, beber um vinho e jogar uma conversa fora atualizando os assuntos.<\/p>\n<p>Enquanto isso Elizabeth e Pierina ficavam preparando o \u201cdinare\u201d \u2013 almo\u00e7o.<\/p>\n<p>Elizabeth: \u2013 Tch\u00f3 Toni andemo dinare? (Toni vamos almo\u00e7ar?)<\/p>\n<p>O Boton disse: \u2013 Bem, bem, mi v\u00f3 casa. (Bem, eu vou para casa).<\/p>\n<p>O Ant\u00f4nio insiste: Vien mangiare, que lora quel laoro li teo fato. (Vem almo\u00e7ar, que o trabalho j\u00e1 est\u00e1 feito)<\/p>\n<p>Ent\u00e3o o Boton aceitou o convite e foram almo\u00e7ar.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio disse para sua mulher Elizabeth pegar u peda\u00e7o de toucinho e fritar para temperar o radicchio, ela fez e durante o almo\u00e7o Ant\u00f4nio sem que a visita percebesse pegou o \u201ccorinho\u201d do toucinho frito e escondeu debaixo do prato, terminando o almo\u00e7o, Ant\u00f4nio colocou o corinho na boca e come\u00e7ou a mascar.<\/p>\n<p>O Boton olhou o amigo e perguntou o que ele estava mastigando, Ant\u00f4nio querendo aplicar uma no amigo simpl\u00f3rio disse:<\/p>\n<p>\u2013 Estou remoendo (ruminando). Tu n\u00e3o remoe?<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, respondeu o tal amigo.<\/p>\n<p>Intrigado ao sair para casa, o Bepi ia pensando e ao encontrar os amigos dizia:<\/p>\n<p>O Ant\u00f4nio remoe, tu sabia?<\/p>\n<p>E a tal fama ia correndo&#8230;. Quem engolia a tal est\u00f3ria engolia.<\/p>\n<p>Os banhos de Ant\u00f4nio<\/p>\n<p>Falando em \u00e1gua, lembro-me dos banhos do pai: sempre no rio, embaixo da ponte, sem roupa, \u00e9 claro. O engra\u00e7ado era que quando ele chegava \u00e0 casa a m\u00e3e perguntava como tinha sido e ele sem nenhum pudor dizia que tinha se lavado t\u00e3o bem que \u201cel\u201d, se referindo \u00e0s partes intimas, acho \u201cg\u00e1 fatto crec&#8230;crec&#8230;\u201dde t\u00e3o limpo&#8230;<\/p>\n<p>Ele sempre deixava o sab\u00e3o para o banho numa \u00e1rvore a beira do rio.<\/p>\n<p>O gato escaldado<\/p>\n<p>Quero contar uma hist\u00f3ria engra\u00e7ada do pai. J\u00e1 falei que ele tinha um gato daqueles manhosos, mas de ra\u00e7a bem ordin\u00e1ria. O tio Benjamim que na \u00e9poca era juiz de paz, \u00e0s vezes trazia os \u201cdoutores\u201d da cidade para um chimarr\u00e3o e umas conversas com o pai. L\u00e1 no terreiro, formavam a roda com as cadeiras e ficavam contando causos e escutando o pai.<\/p>\n<p>Ele contava que o tal do gato ficava sempre deitado no ch\u00e3o embaixo dos p\u00e9s do pai. Como acontecia \u00e0 tardinha, nessas rodas, havia vinho tamb\u00e9m e o pai ficava bem alegrinho. Um dia, o tio trouxe um m\u00e9dico bem gr\u00e3-fino. O pai foi servindo o chimarr\u00e3o, com a chaleira preta, e como n\u00e3o enxergava bem, era \u00e0 tardinha, ele ia despejando a \u00e1gua bem quente, na cuia enquanto cuidava o tal gato deitado bem embaixo. Quando a \u00e1gua ca\u00eda no gato, este chispava pra longe, assustado. A\u00ed o pai servia o chimarr\u00e3o, com a cuia molhada e tudo. O tal \u201cdotore\u201d pegava com as pontas dos dedos, sorvia o mate encurvado sobre as pernas abertas, o mate devia estar bem quente, e depois entregava a cuia com as pontas dos dedos; ent\u00e3o, puxava um \u201cfaccioletino\u201d bianco\u201d (um lencinho branco) e se secava os dedos dizendo: \u201cBrigado\u201d.<\/p>\n<p>O gato nessas alturas j\u00e1 havia se acalmado do susto e da queimadura, e j\u00e1 voltava para o seu posto. Esse sim \u00e9 o que se pode dizer: Era o verdadeiro gato escaldado&#8230;<\/p>\n<p>Enterrado vivo.<\/p>\n<p>Um dia Elisabeth que, na \u00e9poca, s\u00f3 tinha os filhos Achiles e Pio ainda pequenos, foi \u00e0 ro\u00e7a. Deixou os dois a sombra de uma macega e tocou o que podia no trabalho. Absorvida pelo trabalho quando se deu conta foi olhar os meninos e se deparou com a seguinte cena: O Pio que era mais novo coberto de terra e agitando os bracinhos com dificuldades de respirar e o Achiles que havia se entretido com a brincadeira de jogar terra no irm\u00e3o, andou a esmo at\u00e9 ser encontrado dormindo no meio da capoeira.<\/p>\n<p>Um barbeiro atrapalhado.<\/p>\n<p>Pio contou que era costume do Jer\u00f4nimo Canzian, depois da missa do domingo passear l\u00e1 em casa para cortar os cabelos com ele. Este tinha duas maquinas: Uma, n\u00famero 01, e a outra 00 (dois zeros).<\/p>\n<p>O Jer\u00f4nimo esperou pelo Pio e este custou a chegar. Ent\u00e3o ele j\u00e1 cansado disse para o Pai: \u201cTai\u00e9 vu, Toni\u201d (corta tu, Toni). O pai que era canhoto examinou o caso experimentou as m\u00e1quinas, e acabou usando a 00. Com a canhota dele, come\u00e7ou a trabalhar, pegou o embalo e foi subindo, pelo lado, atr\u00e1s da orelha, fazendo uma \u201cestradinha\u201d desde o pesco\u00e7o at\u00e9 o cocuruto da cabe\u00e7a. Nisso o Pio chegou e ao ver seu pai levantar a m\u00e1quina viu tamanho do estrago. Agora s\u00f3 restava ir arrumando como dava de um lado e do outro tentando consertar o preju\u00edzo para deixar a \u201cbarbeiragem\u201d um pouco menos desastrosa.<\/p>\n<p>Uma das viagens at\u00e9 Santa Maria<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio e mais quatro amigos entre eles Jos\u00e9 Barato e um Rubin, iam uma vez por m\u00eas a Santa Maria receber a aposentadoria, uma vez que n\u00e3o tinha como receber em Nova Palma. O Rubin levava os seus documentos num saco de sal. Ap\u00f3s receber o dinheiro ele comprava um uma penca de banana e colocava no mesmo saco que ele guardava os documentos e Ant\u00f4nio tinha que segurar o saco, mas nunca ganhava uma banana sequer.<\/p>\n<p>Uns dias estavam esperando o \u00f4nibus para voltar quando passou um \u00f4nibus pensaram que era o deles, entraram nem perguntaram para onde ia. Andaram um tempo e quando o cobrador chegou no Jos\u00e9 Barato e para cobrar a passagem pediu o destino e ele disse Nova Palma e o cobrador respondeu:\u00a0 Mas este \u00f4nibus vai para Restinga Seca, ent\u00e3o, Barato desceu e n\u00e3o avisou os outros. E em cada um que o cobrador ia descobriam que estavam no \u00f4nibus errado desceram no meio da estrada e esperaram que o \u00f4nibus que ia pra Nova Palma passasse ent\u00e3o todos chegaram em casa naquele dia, menos o Burin que s\u00f3 conseguiu chegar em casa tr\u00eas dias depois.<\/p>\n<p>Com esse fato ocorrido para n\u00e3o haver mais enganos e perdas de pessoas o Milvo Cancian motorista do \u00f4nibus e que conhecia os aposentados, combinou que eles esperassem sempre no mesmo lugar e que s\u00f3 entrassem no \u00f4nibus que ele estivesse dirigindo.<\/p>\n<p>\u201cRecordando tio Ant\u00f4nio e tia Eliza, \u2013 conta o Vendelino Piovesan, um dos sobrinhos, filho de Guido Piovesan e Marcelina Savegnago \u2013 pessoas muito queridas que tive o prazer de conhecer. Cat\u00f3licos fervorosos dedicados a fam\u00edlia, a comunidade e a igreja. O tio Ant\u00f4nio era contador de hist\u00f3rias sempre rodeados de amigos que o escutavam com aten\u00e7\u00e3o, por que mesmo se repetidas sempre tinham detalhes novos e interpreta\u00e7\u00f5es primorosas gesticulando com a m\u00e3o esquerda. A tia Iza, muito paciente fazia observa\u00e7\u00f5es, colocando ou tirando detalhes e riam juntos alegres. Para mim eles eram exemplos de pessoas muito boas, tios queridos, estimados e respeitados por todos. O tio Ant\u00f4nio era titular no toque do sino na Igreja matriz, nos dias de festa, toque original dos sinos (dim, dem, dom), com intervalos primorosamente sincronizados entre o agudo, o m\u00e9dio e o grave. O tio foi cantor, diretor e mastro do coral da Igreja por muitos anos. E sinto-me honrado em participar desta recorda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_422\" style=\"width: 248px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-422\" class=\"size-medium wp-image-422\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/casamAE-238x300.jpg\" alt=\"\" width=\"238\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/casamAE-238x300.jpg 238w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/casamAE-119x150.jpg 119w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/casamAE-768x968.jpg 768w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/casamAE-476x600.jpg 476w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/casamAE.jpg 1372w\" sizes=\"(max-width: 238px) 100vw, 238px\" \/><p id=\"caption-attachment-422\" class=\"wp-caption-text\">Foto oficial de casamento<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_420\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-420\" class=\"wp-image-420 size-medium\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/tonitorccio-300x202.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"202\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/tonitorccio-300x202.jpg 300w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/tonitorccio-150x101.jpg 150w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/tonitorccio-768x516.jpg 768w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/tonitorccio-600x403.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-420\" class=\"wp-caption-text\">\u00daltima foto do casal tirada em julho de 1976 (foto de Liceo Piovesan)<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f4nio Piovesan. Ant\u00f4nio nasceu em 19 de maio de 1899 sobre o lote N\u00b0141, na Linha Rigon do Soturno, hoje munic\u00edpio de Nova Palma. Sendo o terceiro filho de Giovanni Marco. Foi batizado em 20 de maio de 1899, tendo como padrinhos de batismo Marguerita Girardello e Jos\u00e9 Dalla Nora. Nova Palma inicialmente pertenceu ao [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-52","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/52"}],"collection":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=52"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/52\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":520,"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/52\/revisions\/520"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=52"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}