{"id":122,"date":"2013-12-28T00:05:21","date_gmt":"2013-12-28T00:05:21","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?page_id=122"},"modified":"2013-12-28T00:05:21","modified_gmt":"2013-12-28T00:05:21","slug":"9-odila","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/?page_id=122","title":{"rendered":"9.Odila"},"content":{"rendered":"<p><b>Odila Lurdes Piovesan.<\/b><\/p>\n<p>Nascida em 06 de novembro de 1946\u00a0 em Bom retiro. Foi Batizada em 07 de novembro de 1946 sendo seus padrinhos Benjamim Piovesan e Olanda Al\u00e9ssio. Entrou no convento no dia 02 de fevereiro de 1973 em Gravatai e egressou em 02 de fevereiro de 1976.\u00a0 Casou-se com Fernando Grispin Biazzeto Santos em 05 de janeiro de 1979 na igreja Nossa Senhora da Gloria\u00a0 em Porto Alegre.<\/p>\n<p>Passou-se quase 6 anos e mam\u00e3e engravidou novamente (tinha sofrido um aborto espont\u00e2neo neste meio tempo). Quando a gravidez seguia seu curso , mam\u00e3e engordou e n\u00e3o serviam mais os vestidos para ir a missa, naquela \u00e9poca n\u00e3o se expunham o recato fazia parte do respeito a nova vida que vinha chegando. Ent\u00e3o papai comprou um tecido estampado: saia e bata e ele dizia aos amigos: &#8211;<em>\u201cVarda La me vecchia que bela que la z\u00ea, someia um legoro\u201d<\/em> ela estava com 45 anos &#8230; e nasceu a rapa do tacho, diziam. E como escolher o nome? Ganhou dois: Odila Lourdes! N\u00f3s outros irm\u00e3os, fic\u00e1vamos contentes porque t\u00ednhamos mais um beb\u00ea \u2013 at\u00e9 seus 4 ou 5 anos vivia mais no colo dos irm\u00e3os do que no ch\u00e3o, e lhes faziam muitas vontades, e ela sabia aproveita-se desta \u201cfraqueza\u201d dos irm\u00e3os. Sempre que tinham um dinheirinho compravam presentes. At\u00e9 chupeta (bico) trouxeram um para agradar\u00a0 e mam\u00e3e dizia: &#8211;<em>&#8220;Valtri la costume male e dopo vedaremo que persona viem a \u00e9ssere\u201d<\/em>, j\u00e1 que os outros filhos n\u00e3o tiveram as mesmas regalias.<\/p>\n<div id=\"attachment_123\" style=\"width: 196px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/ritrato.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-123\" class=\"size-medium wp-image-123\" alt=\"Varda solo el ritrato!\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/ritrato-186x300.jpg\" width=\"186\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/ritrato-186x300.jpg 186w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/ritrato-638x1024.jpg 638w, https:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/ritrato.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 186px) 100vw, 186px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-123\" class=\"wp-caption-text\">Varda solo el ritrato!<\/p><\/div>\n<p>O Pio tinha na \u00e9poca uma \u201cmaquina fotogr\u00e1fica&#8221; \u2013 \u201cbisonhava\u00a0 tirargue ritrato\u201d\u00a0 e la z\u00e9 uma bela bambina. \u201cUm dia mam\u00e3e disse que eu lhe ensinasse as ora\u00e7\u00f5es e cuidasse dela. Era ela esperta e inteligente, e aprendia facilmente, e tamb\u00e9m me fazia tantas perguntas sobre qualquer assunto que lhe viesse a mente curiosa. Eu procurava responder certo, conforme meus parcos conhecimento e saberes daquela \u00e9poca .<\/p>\n<p>Recordo um episodio pitoresco: Certo dia papai e mam\u00e3e foram \u201cin paese\u201d e voltariam a tardinha, ap\u00f3s colher os ovos nos ninhos, separar os terneiros, dar comida aos porcos e fazer fogo &#8220;no fogolaro&#8221;, tendo antes rachado\u00a0 e cortado lenha, fui dar banho na Odila. Procurei fazer\u00a0 como via minha m\u00e3e fazer, por\u00e9m ela j\u00e1 tinha 3 meses. Eu achei que estava fazendo o \u201cm\u00e1ximo\u201d, ap\u00f3s o banho, coloquei a fralda \u201cpanezei\u201d e enfaixei bem apertadinha para ficar esticada reta, ficava em p\u00e9 sem dobrar os joelhos, bonito de se ver. Quando mam\u00e3e chegou riu ao ver o nen\u00ea como um \u201csocol\u201d, como um presunto ensacado, e me disse que j\u00e1 n\u00e3o precisava mais enfaixar que estava grande. (Thereza Piovesan)<\/p>\n<p>A nossa inf\u00e2ncia foi muito humilde, mas sempre tivemos bons exemplos, t\u00ednhamos que ir \u00e0 escola, quando a aula era \u00e0 tarde, o pessoal ia trabalhar bem cedo e mais tarde a gente ia levar a &#8220;marenda&#8221;-Polenta brustolada, peixe frito, fortaia, queijo e caf\u00e9 com leite. N\u00e3o tenho certeza se era caf\u00e9 ou matto com late. O Abel era aquele da\u00a0 polenta e leite. Me\u00a0\u00a0 lembro que ele ganhou do tio Celeste um \u201ccanecoto\u201d esmaltado\u00a0 de presente de casamento, para saborear o seu prato favorito.<\/p>\n<p>Falando em escola, eu comecei a frequentar as aulas do Pio, mas s\u00f3 olhava as figuras dos livros. Quem me alfabetizou foi a Thereza. Ela \u00e0s vezes me botava de castigo, porque eu sempre tinha assunto, e ent\u00e3o, falava pelos cotovelos&#8230; Eu gostava de ir com o Pio, porque ele me levava na garupa da bicicleta. S\u00f3 nos dias das \u201csabatinas\u201d eu tinha que ir a p\u00e9 porque ele levava materiais, livros, sei l\u00e1.<\/p>\n<p>A gente se vestia de maneira muito simples: na escola era \u201cavental\u00e3o\u201d por cima da roupa- um tipo guarda-p\u00f3, com o nome da escola bordado, n\u00e3o t\u00ednhamos cal\u00e7ado, pelo menos n\u00e3o lembro. Sei que quando cresci mais, tipo adolescente, j\u00e1 tinha uns gurizotes que queriam \u201cvir junto\u201d isto \u00e9, acompanhar principalmente nos domingos, depois do ter\u00e7o. Eu ficava com vergonha porque sentia que era chato estar de p\u00e9s descal\u00e7os&#8230;<\/p>\n<p>Quanto a roupa de \u201cfesta\u201d como a m\u00e3e dizia, lembro que o pai ia na venda, do Canzian ou do Grotto, e comprava tudo da mesma pe\u00e7a; se era liso o tecido, ele pegava uns tons parecidos, ou estampados semelhantes. Havia tamb\u00e9m os mascates que vendiam de casa em casa os \u201cfaldos\u201d, assim a gente falava, de roupas. A gente n\u00e3o tinha muita escolha e ficava bem contente por ter ganhado uma roupa nova. Quem costurava os modelitos era a Thereza.<\/p>\n<p>Cal\u00e7ados? Bom, eu estava na quarta s\u00e9rie em Nova Palma no col\u00e9gio das irm\u00e3s e ficava envergonhada com o barulho dos tamancos, aqueles com solado de madeira, porque acho que eu j\u00e1 tinha o senso do rid\u00edculo. Depois ganhei uma \u201csete vidas\u201d que era uma alpargata com sola de borracha. Como &#8220;gue tenhea de conto&#8221;- cuidava pra que durasse bastante. Aos domingos, a gente quando tinha sapatos, ia de p\u00e9 ao ch\u00e3o at\u00e9 o Rio Portela e l\u00e1 lavava os p\u00e9s, secava com um paninho que a gente escondia no mato e colocava os sapatos para ir \u00e0 missa. Na volta, se fazia o inverso: chegava ao Portela, tirava os sapatos e ia de p\u00e9 no ch\u00e3o at\u00e9 em casa.<\/p>\n<p>Quero falar agora da minha primeira comunh\u00e3o. Foi numa \u00e9poca em que havia ocorrido uma enchente daquelas em que a ponte se fora&#8230; O \u00fanico lugar para passar era pelo rio, que estava ainda razoavelmente alto. Para passar s\u00f3 a cavalo e n\u00e3o havia barragem ainda. Ent\u00e3o, provavelmente por perceberem que o tempo estava ainda pra chuva, a m\u00e3e e a Angelina do Joaquim combinaram de ir a Nova Palma na sexta-feira anterior ao dia da primeira comunh\u00e3o. Lembro de n\u00f3s passando pelo rio alto, montadas nos cavalos, nas garupas, bem agarradas nas nossas m\u00e3es. A Lorena era a filha da Angelina. Que alegria, ir passear! Recordo vagamente que dormimos em casa de parentes, n\u00f3s fomos ao Tio Benjamim que era meu padrinho de batismo.\u00a0 No domingo a tarde come\u00e7amos a viagem de volta. Havia chovido muito e o rio estava cheio. Claro que a essas alturas, dever\u00edamos voltar a p\u00e9. Passamos provavelmente pela ponte do Antero e subimos pelo rinc\u00e3o\u00a0 de Santo Antonio fazendo a volta por cima, l\u00e1 pelo Tio Beppi. Era uma caminhada e tanto. Eu tinha na \u00e9poca menos de 6 anos. Mas era tanta alegria, imagina, t\u00ednhamos bolachinhas &#8211; aquelas de polvilho &#8211; doces, isto \u00e9 balas, \u00edamos olhando as flores na beira da estrada e tamb\u00e9m algum ninho de passarinhos. E nossas m\u00e3es junto. Nem sentimos a caminhada: Quando chegamos na altura da capela pelo outro lado, estavam os homens jogando bochas na cancha. Guardo essa lembran\u00e7a: o pai, ao nos ver, largou as bochas, o jogo e veio direto ao nosso encontro. Abaixou-se e passou os bra\u00e7os ao redor de mim e disse emocionado: Hoje tu recebeu o Jesus&#8230;Eu estava meio sem gra\u00e7a, mas percebi l\u00e1grimas nos olhos dele&#8230;<\/p>\n<p>Penso que herdamos algo bem significativo dos pais: seu amor pelas coisas de Deus. Jamais era tolerada uma falta de responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o igreja, compromissos, ensaios. T\u00ednhamos um amor\u00a0 por tudo isso! Acho bem adequado aquele verso de Prov\u00e9rbios que diz: O JUSTO ANDA NA SUA INTEGRIDADE; FELIZES LHE S\u00c3O OS FILHOS DEPOIS DELE (Pv.20,7)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Odila Lurdes Piovesan. Nascida em 06 de novembro de 1946\u00a0 em Bom retiro. Foi Batizada em 07 de novembro de 1946 sendo seus padrinhos Benjamim Piovesan e Olanda Al\u00e9ssio. 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