{"id":54,"date":"2014-05-19T01:21:01","date_gmt":"2014-05-19T01:21:01","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=54"},"modified":"2014-05-19T01:21:01","modified_gmt":"2014-05-19T01:21:01","slug":"oba-nheiro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=54","title":{"rendered":"Oba nheiro!"},"content":{"rendered":"<p>Oba nheiro! (Isso mesmo, finalmente um lugar reservado para o banho)<\/p>\n<p>J\u00e1 falei anteriormente do canal (valeta) que trazia \u00e1gua do lajeado do Moinho desde a Olaria do tio At\u00edlio Zanon, depois do Jo\u00e3o Roberval, depois do tio Gerv\u00e1sio&#8230; e foi passando de m\u00e3os, at\u00e9 a Caixa d&#8217;\u00e1gua de onde descia em duto de alta press\u00e3o (cano) at\u00e9 a usina. Tamb\u00e9m falei que ela cercava o arvoredo e a horta, dos quais falarei qualquer dia, e tinha umas passagens para pedestres, mas tinha tamb\u00e9m uma ponte por onde podia se passar de carro\u00e7a, ficava exatamente onde agora passa o caminho que leva \u00e0 gruta.<\/p>\n<p>Voltemos atr\u00e1s na Rua Ipiranga, naquela \u00e9poca rua principal, a \u00fanica da vila. Partiremos da curva \u00e0 direita. Onde agora tem a carpintaria tinha a cancha de toras, local onde ficavam as toras de madeira para serrar, \u00e0 esquerda onde tem a jabuticabeira (conheci ela pequeninha), era o pomar do v\u00f4. Um pouco mais a frente ficavam, a esquerda o moinho e a direita a serraria, no inicio tinha duas: a dos Manfio e a dos Trentin, mais tarde ficou s\u00f3 a dos Trentin. Alguns anos depois no lugar da dos Manfio foi constru\u00edda a oficina que queimou. Descendo \u00e0 esquerda antes do moinho chegava-se ao terreiro das casas, a primeira da esquerda era a do nono Serafim e da nona Rosa, depois vinha o casar\u00e3o que tinha a grande sala e os quartos de diversas fam\u00edlias, a nossa tamb\u00e9m, e as tias dormiam no s\u00f3t\u00e3o, finalmente tinha a casa da vov\u00f3 com biblioteca, o quarto deles, a sala e a cozinha comunit\u00e1rias. A\u00ed tinha um caminho que atravessava a valeta at\u00e9 o chiqueiro dos porcos. A direita do caminho atr\u00e1s do moinho e a esquerda da \u201cestrada da gruta\u201d, como cham\u00e1vamos, ficava o galp\u00e3o. Do outro lado da estrada da gruta ainda antes da valeta ficava o coberto, apenas um telhado, dos tachos de fazer a\u00e7\u00facar. Um pouco mais adiante, j\u00e1 atr\u00e1s do \u201cengenho\u201d \u2013 serraria \u2013 tinha o \u201ctorchio\u201d de ferro que servia a quase toda a comunidade. Acho que terei que fazer um mapa disso, pois vai voltar muitas vezes.<br \/>\nPassando a valeta em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 gruta tinha \u00e0 esquerda o chiqueiro dos porcos, depois os p\u00e9s de araticum, \u00e0 direita, num n\u00edvel bem mais abaixo, ficava a casa do tanque de lavar roupa e o banheiro. Uma canaleta de madeira a bica, saia da valeta e jogava \u00e1gua no tanque, um caixot\u00e3o de madeira com t\u00e1buas enormes dos dois lados onde podiam lavar roupas umas seis pessoas, tr\u00eas de cada lado. Como o tanque era alto podia-se lavar roupa de p\u00e9, posi\u00e7\u00e3o ergonomicamente muito mais confort\u00e1vel do que de joelhos no lavador do rio. Voltarei mais tarde a falar deste local que tamb\u00e9m protagonizou muitas hist\u00f3rias.<br \/>\nO assunto de hoje \u00e9 o banheiro, um quartinho fechado que tinha passando o tanque, fazendo parte do mesmo edif\u00edcio, eu disse edif\u00edcio, mas deveria dizer \u00e9 dif\u00edcil. Quando algu\u00e9m queria tomar banho era s\u00f3 encaixar um prolongamento na bica do tanque e a \u00e1gua passava a jorrar dentro do banheiro, \u00e1gua fria \u00e9 claro, mas com o conforto de ser um edif\u00edcio fechado. O que mais me arrepiava era ter que tomar banho frio, o que acontecia seguidamente, pois \u00e9ramos um tanto ativos e isso inclu\u00eda brincar na serragem, na \u00e1gua do rio, no ladr\u00e3o (comporta de nivelamento e al\u00edvio de excesso de \u00e1gua), nos matos, na cancha de toras e no potreiro. Hoje quase n\u00e3o tenho folego para narrar tudo isso, imaginem na \u00e9poca fazer.<br \/>\nO tanque era o lugar das tias, filhas do v\u00f4 Bortolo, e das primas delas, filhas do tio Ant\u00f4nio, se reunirem para lavar roupas e contar hist\u00f3rias, alguns maldosos diriam fofocar. De uma forma ou de outra era um lugar de socializar conhecimentos e descobertas. Segunda-feira era o dia de lavar roupa por excel\u00eancia, pois ap\u00f3s o domingo de festa, jogo de prenda, futebol ou outra atividade sempre tinha o que falar, digo sempre tinha roupa para lavar. Mas n\u00e3o era s\u00f3 roupa que se lavava no tanque, antes do almo\u00e7o lav\u00e1vamos as m\u00e3os na bica do tanque.<br \/>\nDepois a crian\u00e7ada toda ia para a casa da v\u00f3 onde o almo\u00e7o esperava. Almo\u00e7\u00e1vamos sempre separados dos adultos e quem nos cuidava era a nona Rosa. Dos almo\u00e7os n\u00e3o tenho muitas lembran\u00e7as, mas lembro do caf\u00e9 da manh\u00e3 muito bem, ch\u00e1-de-mate com leite, p\u00e3o e chimia, e a nona como um general a comandar \u201c- bevi matto\u201d (tomem o ch\u00e1-de-mate). \u00c0s vezes o v\u00f4 Bortolo passava e se algu\u00e9m derrubasse o p\u00e3o ele logo fazia uma previs\u00e3o, se o p\u00e3o ca\u00edsse com a chimia para baixo o derrubador ia ser pobre, pois \u201co p\u00e3o do pobre sempre cai com a manteiga para baixo.\u201d<br \/>\nO v\u00f4 Bortolo tomava o seu ch\u00e1-de-mate numa baita x\u00edcara, at\u00e9 parecia uma sopeira, com p\u00e3o torrado, eu achava aquilo o m\u00e1ximo, mas n\u00f3s nunca ganh\u00e1vamos p\u00e3o torrado.<br \/>\nDepois do caf\u00e9 o nosso trabalho era brincar o dia inteiro, exceto quando tinha algum trabalho especial para fazer como juntar feij\u00f5es, esta ser\u00e1 a pr\u00f3xima hist\u00f3ria, eu acho&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oba nheiro! 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