{"id":118,"date":"2016-12-24T02:20:50","date_gmt":"2016-12-24T02:20:50","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=118"},"modified":"2016-12-27T15:46:05","modified_gmt":"2016-12-27T15:46:05","slug":"o-omega-ferradura-do-seu-domingos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=118","title":{"rendered":"O Om\u00e9ga ferradura do seu Domingos"},"content":{"rendered":"<p>Eu gosto de ouvir hist\u00f3rias&#8230;<\/p>\n<p><em>&#8220;Muitas pessoas contam hist\u00f3rias, nem todas s\u00e3o ouvidas, e muitas vezes hist\u00f3rias passam sem ter o devido cr\u00e9dito, ou por sua inverossimilhan\u00e7a ou por falta de dados comprobat\u00f3rios. Sempre que uma hist\u00f3ria contada tem algo de extraordin\u00e1rio logo \u00e9 taxada de mentira e n\u00e3o se fala mais nisso. Por isso a fun\u00e7\u00e3o do contador de hist\u00f3rias\u00a0\u00e9 buscar nos fatos ocorridos o que\u00a0de mais fundamental e b\u00e1sico d\u00e1 credibilidade a uma hist\u00f3ria e depois apresentar estes dados com coer\u00eancia e propriedade.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Na\u00a0vila Trentin e arredores \u00a0havia muitos contadores de hist\u00f3rias nem sempre acreditados, muitas vezes injusti\u00e7ados e at\u00e9 mesmo desprezados por aqueles que se julgavam mais s\u00e9rios ou mais cient\u00edficos.<\/p>\n<p>Uma destas v\u00edtimas era o seu Domingos Lereno, muitas vezes ouvi senhores de respeito taxando-o de mentiroso, mesmo que suas hist\u00f3rias tivessem fundamento l\u00f3gico. Eu mesmo ouvi algumas, sempre de terceira m\u00e3o bastante dif\u00edceis de crer, mas a do rel\u00f3gio me deixou intrigado.<\/p>\n<p>O velho Rocha e seu filho, Florinal, depois de aprontar alguma coisa que nunca descobri o que foi, foram obrigados a se exilar voluntariamente na Argentina sob pena de cumprimento de\u00a0uma amea\u00e7a de morte. Passados alguns anos o Florinal voltou, e para evidenciar a prosperidade no pa\u00eds vizinho, voltou ostentando um belo exemplar de rel\u00f3gio, n\u00e3o um destes de bolso comuns como os <em>Tissot<\/em> que alguns fazendeiros da\u00a0regi\u00e3o tinham, mas um aut\u00eantico <em>&#8220;Omega ferradura&#8221;<\/em> de pulso. J\u00e1 imaginaram que maravilha, poder olhar as horas sem levar a m\u00e3o no bolso. Principalmente para um campeiro que quando ia la\u00e7ar ficava com as duas m\u00e3o ocupadas uma nas r\u00e9deas de cavalo e a outra no la\u00e7o, bastava dar uma viradinha no pulso e podia olhar as horas sem interromper o trabalho.<\/p>\n<p>Neg\u00f3cio vai neg\u00f3cio vem, o dito rel\u00f3gio foi parar nas m\u00e3os do seu Domingos, ou melhor no pulso. S\u00f3 que tinha um probleminha, ele era canhoto e o rel\u00f3gio ficava justamente no pulso da m\u00e3o mais usada com o la\u00e7o e o ro\u00e7ar do la\u00e7o na pulseira acabava desgastando a dita, ainda bem que pertinho dali, umas duas horas a cavalo, tinha o seu Sestilio Zandon\u00e1, que al\u00e9m de boas botas fazia pulseiras novas, id\u00eanticas a original.<\/p>\n<p>Mas como o correr dos anos \u00e9 implac\u00e1vel, seu Domingos, j\u00e1 beirando os noventa anos n\u00e3o tinha mais como enfrentar a cavalgada para fazer nova pulseira e o rel\u00f3gio ficou aposentado numa gaveta, foi nesta \u00e9poca que eu e o Geraldinho ouvimos uma das hist\u00f3rias mais incr\u00edveis de nossas vidas. Foi numas f\u00e9rias de junho, 1977 se n\u00e3o me engano, quase no final do m\u00eas quando decidimos fazer uma ca\u00e7ada, munidos de bodoque e de uma espingarda\u00a0de press\u00e3o, sa\u00edmos meio sem rumo em dire\u00e7\u00e3o dos campos para ver se ca\u00e7\u00e1vamos alguma perdiz. \u00c9 claro que n\u00e3o ca\u00e7amos nada, mas no caminho encontramos o feliz propriet\u00e1rio do Omega ferradura.<\/p>\n<p>&#8211; Boa tarde seu Domingos. &#8211; disse eu.<\/p>\n<p>&#8211; Boa tarde, vejo que est\u00e3o tentando ca\u00e7ar perdiz.<\/p>\n<p>&#8211; Sim! S\u00f3 que ainda n\u00e3o vimos nenhuma&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00eas est\u00e3o no lugar errado meus filhos, perdiz a vontade pra ca\u00e7ar s\u00f3 tem na fazenda\u00a0 do Medeiros ou na do Lalo.<\/p>\n<p>&#8211; Mas e como se faz pra chegar l\u00e1? &#8211; perguntou o Geraldinho.<\/p>\n<p>&#8211; Podem atravessar a minha fazenda e depois daquele cap\u00e3o de timb\u00f3 tem um banhadinho, atravessando ele j\u00e1 est\u00e3o nos campos do Medeiros, depois da faixa fica a\u00a0do Lalo, costeando por umas duas l\u00e9guas o rio Fortaleza. Mas tomem cuidado com as cobras porque nestes campos tem muitas das grandes. (Um pequeno par\u00eantesis \u00e9 necess\u00e1rio.\u00a0Preciso esclarecer, que na regi\u00e3o, se chama fazenda uma propriedade de umas dez ou mais quadras de campo. Nem a do seu Domingos nem a do Medeiros tinham este tamanho, mas se perdoa sempre um pequeno exagero, principalmente diante de dois estudantes da cidade.)<\/p>\n<p>J\u00e1 \u00edamos tomando nosso rumo quando ele chamou: &#8211; Ser\u00e1 que n\u00e3o querem tomar um chimarr\u00e3o l\u00e1 em casa?<\/p>\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o da solicitude dele e do respeito pelos seus cabelos brancos aceitamos e l\u00e1 fomos n\u00f3s. Chegamos na casa e a chaleira j\u00e9 estava chiando, ele encilhou\u00a0o mate \u00b9) e arrastou mais um banco de tr\u00eas pernas pra\u00a0frente da casa e a nossa ca\u00e7ada terminou por a\u00ed. Ele tinha nos identificado por alto, sabia que eu era filho do Lino, o veterin\u00e1rio, mas queria saber do Geraldinho, do pai dele, e muito mais&#8230; A\u00ed ele lembrou que gostava deveras de ouvir as hist\u00f3rias do meu pai, do Ernesto Lorenzetti, do seu Chico Flores, do seu Osvaldo, do Jardelino&#8230; e foi contando uma infinidade de hist\u00f3rias, muitas \u00a0que eu j\u00e1 ouvira em tom jocoso de outras pessoas, mas ouvir dele com toda a pompa de linguagem e seriedade que era devida dava outro colorido. At\u00e9 que finalmente ele lembrou de uma hist\u00f3ria de doma do Florinal&#8230; e por sinal ele tinha um rel\u00f3gio que tinha ganho do Florinal\u00a0numa carreirada, ele apostou na \u00e9gua do Zeriquinho do Prado e venceu. Por sinal o rel\u00f3gio era uma verdadeira joia, um &#8220;Om\u00e9ga ferradura&#8221; \u00b2) &#8211; fez quest\u00e3o de carregar bem o &#8220;\u00e9&#8221; do Om\u00e9ga &#8211; e tinha uma hist\u00f3ria bem interessante:<\/p>\n<div id=\"attachment_124\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/omega.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-124\" class=\"wp-image-124 size-medium\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/omega-300x228.jpg\" width=\"300\" height=\"228\" srcset=\"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/omega-300x228.jpg 300w, http:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/omega-768x584.jpg 768w, http:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/omega.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-124\" class=\"wp-caption-text\">O Omega ferradura da hist\u00f3ria, que a partir de hoje guardo com mais carinho ainda.<\/p><\/div>\n<p><em>&#8220;Eu sempre gostei muito do rel\u00f3gio, acabei dando o meu de bolso pro Florinal, pois ele ficou sem. Voc\u00eas que est\u00e3o acostumados com rel\u00f3gios de pulso n\u00e3o sabem o significado que ele tem pra quem lida no campo. &#8211; Disse olhando pro meu Orient de a\u00e7o inoxid\u00e1vel e fundo azul. &#8211; Pensem comigo, voc\u00ea t\u00e1 na lida, digamos tem que la\u00e7ar uma r\u00eas, uma m\u00e3o est\u00e1 na r\u00e9dea do cavalo e a outra no la\u00e7o, n\u00e3o tem como ver as horas num rel\u00f3gio de bolso. &#8211; tivemos que concordar com ele &#8211; Pois foi exatamente numa destas campereadas que me aconteceu uma cousa muito estramb\u00f3lica, quando eu tava rodando o la\u00e7o ele ro\u00e7ou na pulseira, de couro leg\u00edtimo, do rel\u00f3gio\u00a0que se desprendeu, mas eu tinha que pegar aquele novilho taurino\u00a0e pensei comigo mesmo &#8211; Deixa o rel\u00f3gio cair depois eu volto e pego ele &#8211; mas n\u00e3o perdi o tiro de la\u00e7o.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Pois e n\u00e3o \u00e9 que eu me distrai com o rebelde\u00a0e olvidei\u00a0o rel\u00f3gio. Dali um tempo quando fui conferir\u00a0as horas, pra saber se tava na hora do almo\u00e7o, \u00e9 que me dei conta. A\u00ed fiquei desesperado e voltei pra campear o rel\u00f3gio, mas n\u00e3o lembrava mais do lugar, tentei triangular \u00b3) de mem\u00f3ria a posi\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o pude achar, olha, me acreditem! &#8211; Dizem que homem n\u00e3o chora mas naquele dia quase chorei, aquela joia era quase como um filho. Fiquei desconsolado, &#8211; N\u00e3o \u00e9 minha v\u00e9ia? disse se referindo a algu\u00e9m que estava dentro de casa. &#8211; \u00c9\u00e9\u00e9\u00e9&#8230; &#8211; veio uma voz l\u00e1 de dentro. <\/em><\/p>\n<p>A estas alturas j\u00e1 est\u00e1vamos\u00a0ficando curiosos&#8230;<\/p>\n<p><em>Pois eu voltei umas seis ou sete vezes a procurar o rel\u00f3gio, esquadrinhei o campo, \u00a0e nada. At\u00e9 que desisti, o campo tinha sido queimado h\u00e1 pouco e tinha aquela camada grossa de carv\u00e3o de barba-de-bode, voltei depois de uma chuva e nada.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Pois e n\u00e3o \u00e9 que o melhor da hist\u00f3ria ainda estava por acontecer.\u00a0Eu continuei a camperear\u00a0mas n\u00e3o lacei mais, quando erguia o bra\u00e7o e n\u00e3o sentia o rel\u00f3gio\u00a0me dava uma gastura e eu n\u00e3o conseguia soltar o la\u00e7o. &#8211; Voc\u00ea\u00a0me entende? <\/em>Perguntou se dirigindo ao Geraldinho que concordou com o bloqueio psicol\u00f3gico.<em> Mas como eu tava dizendo eu continuei a camperear e j\u00e1 fazia um ano que n\u00e3o la\u00e7ava mais. Numa manh\u00e3 bem cedinho no despontar do sol eu tava saindo tranquilito no meu baio pra ver o campo que tinha rec\u00e9m\u00a0sido queimado, pra ver se tinha queimado parelho, voc\u00ea\u00a0me entende? <\/em>Nesta vez se dirigiu a mim. Concordei \u00e9 claro!<em> Quando vi um lampejo de um reflexo do sol distante uns trezentos metros e fui ver o que era. Pasmem! Quando cheguei perto quase morri do cora\u00e7\u00e3o era o meu rel\u00f3gio, quase ca\u00ed do cavalo de tanta vontade que tinha de pegar ele, mas quando cheguei mais perto dei um passo atr\u00e1s, n\u00e3o poderia ser verdade, ele tava funcionando.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Fiquei encafifado! J\u00e1 imaginaram se eu saio por a\u00ed contando uma hist\u00f3ria\u00a0destas v\u00e3o me chamar de mentiroso. Fiquei em estado de choque, ali\u00a0parado olhando. Pra funcionar tinha que dar corda todos os dias, eu n\u00e3o podia acreditar que tivesse algum fantasma ou coisa parecida que dava corda. Pelo sim pelo n\u00e3o fiquei a\u00ed parado olhando quando tive mais uma baita surpresa, Uma baita cobra passou pelo meio de minhas pernas e foi em dire\u00e7\u00e3o ao rel\u00f3gio, quando eu ia puxar o revolver pra matar a dita\u00a0percebi que ela deslizava por cima do pininho de dar corda, o rel\u00f3gio estava no caminho dela, e ela devia sair todo dia da toca.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o imaginam o meu al\u00edvio, tava explicado como o rel\u00f3gio ficou um ano funcionando. Pena que eu n\u00e3o chamei o teu pai pra bater um retrato &#8211; disse voltado pra mim &#8211; pois a\u00ed eu teria como provar o que tinha visto. O Om\u00e9ga tava meio desgastado e a pulseira totalmente podre, a\u00ed como eu n\u00e3o tinha mais como ir at\u00e9 o Zandon\u00e1 pra fazer outra resolvi guardar numa gaveta, mas continuo dando corda todos os dias e ele continua ainda com a hora certa. &#8220;<\/em><\/p>\n<p>Nisto ele se dirigiu para om interior da casa e em seguida voltou com o rel\u00f3gio. O Geraldinho olhou a hora e comparou com o meu e brincou: &#8211; T\u00e1 um minuto atrasado. Quase apanhamos. N\u00e3o era o dele que estava atrasado era o meu que estava adiantado. Depois das devidas desculpas falei do meu rel\u00f3gio que n\u00e3o tinha a mesma precis\u00e3o certamente, mas que se dava corda sozinho com o balan\u00e7ar do bra\u00e7o. Ele ficou encantado e eu j\u00e1 estava de olho no Omega sugeri uma troca, j\u00e1 que o meu tinha at\u00e9 pulseira de a\u00e7o. Foi uma segunda ofensa o meu n\u00e3o chegava aos p\u00e9s do omega, e ficou por isso. Mais uma vez ele nos advertiu das cobras, grandes cobras, e fomos fazer nossa\u00a0ca\u00e7ada.<\/p>\n<p>O medo das cobras e a noite se avizinhando resolvemos voltar pra casa e mais uma vez passamos na casa de seu Domingos.<\/p>\n<p>Quando nos avistou a esposa dele pediu que esper\u00e1ssemos pois ele queria falar conosco, ele tinha ido at\u00e9 a fonte buscar \u00e1gua. Ficamos meio assustados pois ele tinha se ofendido bastante com as nossas duas \u00faltimas interven\u00e7\u00f5es sobre o rel\u00f3gio. Mas para nossa surpresa ele veio muito sorridente, nos convidou pra sentar e se dirigiu a mim com uma express\u00e3o muito carinhosa:<\/p>\n<p>&#8211; Filho! Voc\u00ea \u00e9 que \u00e9 o seminarista?<\/p>\n<p>&#8211; Sim sou eu!<\/p>\n<p>&#8211; Pois olha, devo confessar uma coisa. Eu vi quando tu olhou pro meu rel\u00f3gio e gostou dele, e eu fiquei pensando, &#8211; dos meus filhos provavelmente nenhum vai dar o valor sentimental que ele tem pra mim, tu queres ele? Eu te dou de presente. Mas \u00e9 claro que n\u00e3o posso ficar sem rel\u00f3gio, por causa das horas dos rem\u00e9dios da Chica, a\u00ed tu me d\u00e1 o teu. Mas promete que vai cuidar com carinho e dar o valor que ele merece.<\/p>\n<p>Prometi por S\u00e3o Jorge, S\u00e3o Judas Tadeu e mais uma infinidade de santos que cuidaria com muito amor aquele rel\u00edquia e fui pra casa com o rel\u00f3gio velho em troca do meu Orient, que tinha me custado uma grana.<\/p>\n<p>Usei por uns tempos e esqueci numa gaveta&#8230;<\/p>\n<p><strong>PS.: Passados quase quarenta anos, fazendo limpeza nas tralhas pra jogar fora achei o velho rel\u00f3gio e a hist\u00f3ria veio a tona. Fui buscar informa\u00e7\u00f5es: pelo numero de s\u00e9rie o rel\u00f3gio foi fabricado em 1937, caixa de a\u00e7o inoxid\u00e1vel folheado a ouro, ainda apresenta uma precis\u00e3o incr\u00edvel, mas precisa ser alimentado com corda a cada 30 horas. Quando ele contou a hist\u00f3ria ele disse que o rel\u00f3gio estava com a hora certa. Resolvi fazer alguns teste deslizando uma mangueira pl\u00e1stica de 1,20 metros , cheia de areia, \u00a0para ficar com o tamanho peso aproximado da cobra descrita, sobre o pino da corda e ele n\u00e3o chega a dar corda suficiente para um dia, neste caso a cobra deveria passar mais que uma vez sobre o rel\u00f3gio ou foi coincid\u00eancia a hora do achado ele estar com a hora certa&#8230; Eu j\u00e1 tinha ouvido muita tro\u00e7a das hist\u00f3rias dele, muitos n\u00e3o acreditavam, mas esta me deixou encafifado, para usar uma express\u00e3o dele, pela\u00a0vero semelhan\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p>\u00b9): Encilhar o mate \u00e9 colocar mais um pouco de erva mate num mate lavado deixando cair uma por\u00e7\u00e3o de erva nova para o fundo da cuia e trazendo a erva lavada para cima. Podem ver no v\u00eddeo do post <a href=\"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=103\">Guardado do seu Chico<\/a>\u00a0a partir de 2min e 6seg meu pai encilhando o mate.<\/p>\n<div id=\"attachment_125\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/encilhando.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-125\" class=\"wp-image-125 size-medium\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/encilhando-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/encilhando-300x225.jpg 300w, http:\/\/liceobr.com\/trentin\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/encilhando.jpg 416w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-125\" class=\"wp-caption-text\">Encilhando o mate &#8211; pode-se ver o v\u00eddeo no post citado acima.<\/p><\/div>\n<p>\u00b2): Omega ferradura vem duma leitura campeira do s\u00edmbolo a letra \u00f4mega, que parece uma ferradura.<\/p>\n<p>\u00b3): A triangula\u00e7\u00e3o \u00e9 um m\u00e9todo de buscar algumas referencias, como \u00e1rvores, montanhas, pedras ou qualquer outra coisa fixa para precisar um ponto. Muito usado na determina\u00e7\u00e3o de enterros de dinheiro, ou melhor &#8220;guardados&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu gosto de ouvir hist\u00f3rias&#8230; &#8220;Muitas pessoas contam hist\u00f3rias, nem todas s\u00e3o ouvidas, e muitas vezes hist\u00f3rias passam sem ter o devido cr\u00e9dito, ou por sua inverossimilhan\u00e7a ou por falta de dados comprobat\u00f3rios. 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