{"id":103,"date":"2016-05-24T00:18:18","date_gmt":"2016-05-24T00:18:18","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=103"},"modified":"2023-02-13T07:28:23","modified_gmt":"2023-02-13T10:28:23","slug":"o-guardado-do-seu-chico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/liceobr.com\/trentin\/?p=103","title":{"rendered":"O guardado do seu Chico"},"content":{"rendered":"<p>A grande Palmeira das Miss\u00f5es, hoje dividida numa dezena ou mais munic\u00edpios sempre foi uma terra muito f\u00e9rtil, nela se encontravam riquezas como: gado, erva mate e ouro. Inicialmente era a barba de bode,\u00a0<em>Aristida pallens<\/em>,\u00a0que cobria os campos e fornecia alimento ao gado, principal riqueza da regi\u00e3o. Em segundo lugar vinha a erva mate, <em>Ilex paraguariensis,<\/em> em especial a do talo amarelo, com as nervuras das folhas mais claras, que tinha fama de mais suave e que produzia mate mais gostoso. Sem contar com o ouro, este um pouco mais raro mas que tamb\u00e9m dava em abund\u00e2ncia na regi\u00e3o. Na mesma ordem que foram citados tamb\u00e9m ficava a ordem de facilidade de colheita.<\/p>\n<p>O gado era necess\u00e1rio apenas andar a cavalo pelos campos o dia todo pastoreando e na \u00e9poca certa tropear para o abatedouro ou carnear, convenhamos, um processo simplificado e f\u00e1cil de realizar.<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tSX1jEggjdg\" width=\"420\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><br \/>\nJ\u00e1\u00a0a erva mate exigia mais trabalho, bastava ficar chimarreando \u00e0 sombra por uns seis ou sete meses enquanto os galhos cresciam e depois&#8230; Depois \u00e9 que come\u00e7ava o trabalho, desgalhar as \u00e1rvores, sapecar a s folhas, enfeixar e levar para o barbaqu\u00e1 onde ficava secando por dez ou mais dias. Depois era cancheada, quebrada em pequenos peda\u00e7os, para finalmente ir para o soque onde era transformada em erva, o p\u00f3 de folhas cheio de pequenos pauzinhos, que na regi\u00e3o se chamam de paraguais. O gado se criava naturalmente nos campos, as vacas produziam bezerrinhos que cresciam pastando barba de bode e depois eram tropeados e vendidos. A erva mate era plantada pelos p\u00e1ssaros que comiam os frutos e depois espalhavam as sementes pelos matos j\u00e1 devidamente adubadas. Como vimos, a riqueza brotava das terras da Palmeira naturalmente.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0Ah! eu ia esquecendo o ouro.<\/p>\n<p>O ouro \u00e9 outra hist\u00f3ria. Reza a lenda que riqu\u00edssimos Jesu\u00edtas, que perambulavam pela prov\u00edncia na \u00e9poca das revolu\u00e7\u00f5es e guerras, vendo-se amea\u00e7ados pelos revolucion\u00e1rios, tanto maragatos como chimangos, iam plantando, suas riquezas\u00a0&#8211;\u00a0ouro \u00e9 claro\u00a0&#8211;\u00a0em lugares estrat\u00e9gicos que pudessem ser encontrados mais tarde quando as guerras findassem. Em geral estes guardados eram feitos pr\u00f3ximo a alguma \u00e1rvore ou outro acidente natural relevante ou ainda, plantavam uma \u00e1rvore para demarcar o lugar. Segundo alguns historiadores, aqueles que contam hist\u00f3rias, al\u00e9m do ouro tamb\u00e9m era enterrado um escravo ou \u00edndio, cuja alma ficaria cuidando o tesouro para seu dono. Ainda segundo o Seu Florinal Novaes Rocha, um historiador com quem convivi na minha inf\u00e2ncia, eles deixavam em cada &#8220;guardado&#8221; um mapa com informa\u00e7\u00f5es dos anteriores. Logo quem achasse um teria o roteiro para encontrar outros, os que foram guardados anteriormente. Assim um mapa destes poderia valer uma fortuna.<\/p>\n<p>Outra corrente, a qual pertencia o seu Francisco Flores, vulgo Chico Flores, n\u00e3o eram os Jesu\u00edtas, mas &#8220;fazendeiros ricos que, com medo de serem assaltados pelos revolucion\u00e1rios, enterravam seus pertences de maior valor como j\u00f3ias, talheres de ouro e prata e pe\u00e7as de arreios de prata como argolas, estribos e passadores de cordas e moedas \u00e9 claro!&#8221; Outros ainda como o Zeriquinho, o velho Patroc\u00ednio e o Mimoso Louco contavam hist\u00f3rias em que fazendeiros ricos que se desgostavam com os filhos, vagabundos, \u00a0enterravam suas riquezas para evitar que eles gastassem as riquezas\u00a0amealhadas com\u00a0seu trabalho suado. Independente da fonte o certo \u00e9 que havia muito ouro enterrado em Palmeira, bastava descobrir o local e cavar, tomando certas precau\u00e7\u00f5es, \u00e9 claro.<\/p>\n<p>Dois locais eram bastante cotados na regi\u00e3o da Vila Trentin: a aroeira dos fundos da Escola Roque Gonzales e os camboat\u00e3s do seu Lino. Outros, menos prov\u00e1veis, eram os camboat\u00e3s do seu Chico e a aroeira do potreiro do seu \u00a0Pomp\u00edlio Pereira. Tanto camboat\u00e3s como aroeiras eram arvores relativamente raras na regi\u00e3o o que aumentava a probabilidade de serem marcas de enterros de dinheiro. O local exato dos guardados se encontrava fazendo um certo n\u00famero de c\u00e1lculos e triangula\u00e7\u00f5es a partir das marcas e acidentes\u00a0naturais significativos.<\/p>\n<p>Vamos ao que interessa. Nos meses de maio ou junho sempre \u00e9 prop\u00edcio para esta tarefa pois a queda das folhas de algumas \u00e1rvores permite com mais facilidade tra\u00e7ar as linhas imagin\u00e1rias dos tri\u00e2ngulos que d\u00e3o os pontos com precis\u00e3o. \u00a0Para os conhecedores da regi\u00e3o fica f\u00e1cil de visualizar algumas destas referencias destas linhas. Vamos por partes: A\u00a0grande figueira na casa dos crentes que moravam na curva da estrada da Jaboticaba,\u00a0a\u00a0aroeira do matinho da escola, a do potreiro de seu Pomp\u00edlio e o coqueiro do seu Jardelino, que deu nome a Linha do Coqueiro, formavam uma linha quase reta. Tinha tudo pra ser um indicativo duas \u00e1rvores n\u00e3o muitos comuns na regi\u00e3o a figueira e um coqueiro an\u00e3o bem no alto, duas aroeiras quase alinhadas a primeira 15 passos a oeste e a segunda 15 passos a leste da linha imagin\u00e1ria. Como estava dizendo no outono ou inverno quando os timb\u00f3s derrubam as folhas d\u00e1 pra ver a linha tanto do coqueiro como da estrada de Jaboticaba pr\u00f3ximo a figueira. Os camboat\u00e3s do Lino e do Chico ficam fora, mas este \u00e9 outro caso, a linha deles fecha com a tapera do finado Agenor com a do velho Germano. Nem o Lino nem o Chico acreditavam muito nestas riquezas por isso n\u00e3o tinha como acessar estes tesouros. Os que estavam mais f\u00e1ceis eram exatamente os das aroeiras.<\/p>\n<p>Na aroeira da escola tinha um foguinho que aparecia quando se olhava da estrada, quase em frente a escola, mas que desaparecia assim que algu\u00e9m tentasse se aproximar. No potreiro do Pomp\u00edlio as vacas gostavam de saltar e correr quando pr\u00f3ximas da dita \u00e1rvore, estes ind\u00edcios eram mais que evidentes que havia algo de especial no local. \u00a0Foi assim \u00a0que&#8230;<\/p>\n<p>Num cair de tarde frio de maio de&#8230; deve ter sido l\u00e1 pelo ano de 1971 ou 72&#8230; tr\u00eas&#8230; vamos chamar de amigos que batalhavam para encontrar o ouro se reuniram na encruzilhada pr\u00f3ximo ao seu Germano para uma jornada de trabalho n\u00e3o muito regular. Eram o seu Pomp\u00edlio, dono da propriedade, o Verceli, filho do seu Ant\u00f4nio Graminho, conhecido como Tat\u00e3o e o Serafim da Libana, conhecido por gostar de uma pinga e que tinha a mula que se ajoelhava para montar quando estava meio passado. Munidos de cavadeira, p\u00e1, picareta e evidentemente uma purinha pra espantar o frio. Ao cair da tarde rumaram para o local. Aqui \u00e9 preciso ressaltar que v\u00e1rias precau\u00e7\u00f5es devem ser tomadas quando se procura ou se cava um guardado. 1 &#8211; Ningu\u00e9m al\u00e9m dos escavadores pode ver o trabalho. 2 &#8211; Tem que ser sempre um n\u00famero \u00edmpar de cavadores pois um deve ser o parceiro da alma penada que guarda o tesouro, este deve ficar s\u00f3 olhando, sempre tem um n\u00famero par trabalhando e uma pessoas observando. 3 &#8211; As medidas s\u00e3o sempre em passos ou bra\u00e7as, seguindo as dire\u00e7\u00f5es dos pontos cardeais a partir das refer\u00eancias. 4 &#8211; Nunca se deve levar luz artificial, archote, lanterna ou qualquer coisa que o valha quando o servi\u00e7o for feito \u00e0 noite. 5 &#8211; Os hor\u00e1rios mais indicados para libertar o esp\u00edrito guardi\u00e3o s\u00e3o o meio dia e a meia noite. 6 &#8211; O achado n\u00e3o pode ser dividido no local, a divis\u00e3o deve ser feita num cemit\u00e9rio, de preferencia em noite de lua cheia.<\/p>\n<p>De posse destas informa\u00e7\u00f5es nossos amigos rumaram para o potreiro onde come\u00e7aram a fazer os c\u00e1lculos a partir da aroeira, 15 passos exatamente a oeste. Cada um mediu os quinze passos e depois foi feita uma m\u00e9dia para ter maior precis\u00e3o do local onde deveria ser cavado. Decidido o local come\u00e7ou a tarefa que deveria\u00a0ser conclu\u00edda antes da meia noite, destapar a urna do tesouro que deve ser aberta exatamente a meia-noite e depois fechada novamente at\u00e9 a divis\u00e3o, que pode ser feita na mesma noite ou noutra, num cemit\u00e9rio, desde que fique ao abrigo da luz do sol.<\/p>\n<p>A noite \u00e9 fria e \u00famida, mesmo sendo noite de lua, est\u00e1 escura devido \u00e0s nuvens. O trabalho \u00e9 cansativo, mas a recompensa promete. De vez em quando uma rodada no bico da garrafa reanima os cavadores que se revezam no uso das ferramentas. O bom \u00e9 que a terra est\u00e1 \u00famida e a cavadeira rende bastante, em alguns momentos at\u00e9 com a p\u00e1 d\u00e1 pra cavar, a picareta foi desnecess\u00e1ria pois n\u00e3o tem pedra. Depois de mais de hora no trabalho de escava\u00e7\u00e3o, no turno do Serafim ficar de parceiro do guardador, como ele era fumante resolveu acender um pito. Isso foi a ru\u00edna da empreitada.<\/p>\n<p>Seu Chico, homem de sono leve que morava a uns trezentos metros do local, acordou com um barulho pouco habitual e foi at\u00e9 a porta da cozinha para ver o que era. O ru\u00eddo vinha do potreiro do vizinho e exatamente neste momento o fumante dava uma tragada, sendo assim seu Chico viu uma luzinha. Ficou olhando e constatou que o piscar da luzinha se repetia mais ou menos regularmente. Vestiu-se para verificar o que era, quando chegou ao passo do arroio reconheceu os vizinhos e ficou observando a tarefa. Assim foram quebradas pelo menos tr\u00eas regras: mesmo que muito fraco o cigarro era uma luz, uma pessoas que n\u00e3o participava da escava\u00e7\u00e3o viu o trabalho e uma quarta pessoa presente quebra a regra do \u00edmpar.<\/p>\n<p>Chegou a meia noite e nem sinal da arca do tesouro, o fumante foi acusado de ter tra\u00eddo o grupo, acender o cigarro quebrou uma regra e o guardador deve ter confundido eles para que n\u00e3o achassem o tesouro. Uma pequena discuss\u00e3o quase que aos cochichos p\u00f4s fim a aventura, a equipe se dispersou mas a aventura ainda teria desdobramentos.<\/p>\n<p>No outro dia<\/p>\n<p>Seu Chico costumava levantar bem cedo, munido de uma velha \u00e2nfora de barro quebrada se dirigiu at\u00e9 o escavado. Na parede oeste do buraco, que tinha mais de metro de profundidade, cavou quase na superf\u00edcie, um buraco mais ou menos com a forma da \u00e2nfora quebrada. Assentou a pe\u00e7a no buraco e pressionou bem para que ficasse bem marcado o lugar como se ela estivesse a\u00ed por muito tempo. Bateu com o cabo da cavadeira at\u00e9 quebrar a cer\u00e2mica e deixou os cacos ca\u00edrem no fundo do buraco. Tudo isso enquanto a chaleira aquecia a \u00e1gua para o chimarr\u00e3o. Voltou para casa e sentou-se na cozinha para cumprir o ritual de chimarrear at\u00e9 o nascer do sol como costumava fazer diariamente. \u00a0N\u00e3o sorvera ainda o segundo chimarr\u00e3o quando uma visita interrompe a cerim\u00f4nia, \u00e9 o Verceli.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0Bom dia seu Chico.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0Bom dia! Veio chimarrear comigo?<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0Na verdade vou at\u00e9 o armaz\u00e9m do seu Germano buscar a\u00e7\u00facar pro caf\u00e9, mas acho que anda n\u00e3o abriu, \u00e9 inverno. Sabe?<\/p>\n<p>De fato seu Germano n\u00e3o costumava levantar muito cedo e muito menos nos dias frios, foi ent\u00e3o que seu Chico sugeriu que poderia emprestar uma x\u00edcara ou duas de a\u00e7\u00facar, mas o Verceli insistiu que iria at\u00e9 seu Germano. Tinha que comprar fumo e tamb\u00e9m outras coisinhas. Falava sempre olhando em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 estrada ou melhor ao potreiro do vizinho onde podia se ver uma mancha avermelhada da terra cavada destacando-se do verde do gramado. Seu Chico j\u00e1 havia percebido que o rapaz queria descobrir se ele vira alguma coisa na noite anterior, mas se fez de desentendido, at\u00e9 que olhando para o potreiro exclamou:<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0Nossa! Olha l\u00e1 Verceli, parece que o Pomp\u00edlio esta lavrando o potreiro.<\/p>\n<p>O\u00a0Verceli, que tinha uma vis\u00e3o mais jovem e melhor, completou:<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0Acho que n\u00e3o \u00e9 lavrado parece um buraco. Vamos l\u00e1 ver o que \u00e9!<\/p>\n<p>Era a deixa que ele queria para ir at\u00e9 l\u00e1 com o rapaz, e se foram os dois. No caminho o Verceli questionava porque algu\u00e9m iria querer\u00a0fazer um buraco no potreiro. Seu Chico falou que poderia ser o Pascoal, o Florinal ou o Daciano que diziam que tinha por a\u00ed um enterro de dinheiro. E nessa conversa chegaram ao buraco&#8230;<\/p>\n<p>Como chegaram pelo lado oeste n\u00e3o viram, num primeiro momento, a &#8220;casa&#8221; da \u00e2nfora, somente o buraco, que media mais ou menos um metro e meio por um metro e meio e uns seis ou sete palmos de profundidade. Chegando mais perto viram os cacos de cer\u00e2mica no fundo do buraco e seu Chico ent\u00e3o quebrou o sil\u00eancio:<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0\u00c9, pelo jeito tiraram um guardado! Mas pelo que se pode ver n\u00e3o era dos maiores.<\/p>\n<p>O Verceli tremia, o velhote entrou no buraco e come\u00e7ou a revirar os cacos de cer\u00e2mica de onde discretamente tirou um patac\u00e3o de ouro que levara nas m\u00e3os.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0Olha aqui! Deixaram cair uma moeda.<\/p>\n<p>o rapaz estendeu a m\u00e3o para pegar, mas o Chico recuou:<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0Esta estava destinada para mim, veja s\u00f3. Vou mandar rezar uma missa para a alma do guardador.<\/p>\n<p>Reviraram mais uma vez a cacaria de cer\u00e2mica e foram cada um pro seu lado.<\/p>\n<p class=\"western\"><span style=\"color: #444444;\"><span style=\"font-family: Georgia, 'Bitstream Charter', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O Rapazola que iria buscar a\u00e7\u00facar no Germano foi direto a casa do parceiro de escava\u00e7\u00e3o para relatar o ocorrido, juntos fora ter com o Serafim para ver que atitude tomariam a partir do evento. A esta altura j\u00e1 tinham certeza que o velho Chico tinha encontrado o ouro, s\u00f3 n\u00e3o tinham como provar. Decidiram que ficariam atentos a todo e qualquer movimento, e n\u00e3o deu outra. Na visita do vig\u00e1rio \u00e0 capela dos Tr\u00eas M\u00e1rtires seu Chico, que n\u00e3o era nem um pouco religioso, foi a missa e pediu ora\u00e7\u00f5es nas inten\u00e7\u00f5es de sua fam\u00edlia. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #444444;\"><span style=\"font-family: Georgia, 'Bitstream Charter', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211;\u00a0Era esta a prova que faltava, tinha sido ele.-\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #444444;\"><span style=\"font-family: Georgia, 'Bitstream Charter', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Passado algum tempo as crian\u00e7as do Lino descobriram que o velho tinha alguns documentos antigos que ele mostrava de longe para as crian\u00e7as mas n\u00e3o deixava tocar. Ele sabia que os guris do Lino brincavam com o Verceli e o irm\u00e3o dele. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #444444;\"><span style=\"font-family: Georgia, 'Bitstream Charter', serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Alguns anos mais tarde eu soube que ele foi sondado se queria vender os documentos hist\u00f3ricos que guardava, mas ele desconversou.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><em>Esta \u00e9 uma das muitas hist\u00f3rias que ouvi do velho Chico Flores numa das tardes que pass\u00e1vamos com ele admirando suas inven\u00e7\u00f5es, como o riacho que passava por dentro de sua cozinha.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A grande Palmeira das Miss\u00f5es, hoje dividida numa dezena ou mais munic\u00edpios sempre foi uma terra muito f\u00e9rtil, nela se encontravam riquezas como: gado, erva mate e ouro. 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