{"id":504,"date":"2023-11-03T20:13:23","date_gmt":"2023-11-03T23:13:23","guid":{"rendered":"https:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=504"},"modified":"2023-11-03T20:35:06","modified_gmt":"2023-11-03T23:35:06","slug":"sventolon","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=504","title":{"rendered":"Sventolon"},"content":{"rendered":"\r\n<p>Algumas m\u00e1quinas a gente nunca esquece, em especial as que fazem barulho, giram em alta velocidade e fazem m\u00e1gicas. Do meu av\u00f4 Trentin lembro de tr\u00eas, O rebolo movido a pedal que tinha polias para aumentar a velocidade, a m\u00e1quina de debulhar milho e o ventilador para separar gr\u00e3os, separava por vento o componente menos denso de uma mistura formada por s\u00f3lidos de diferentes densidades. Exemplo: separar a palha do gr\u00e3o de feij\u00e3o.<\/p>\r\n<p>Cada detalhe do sventolon tinha seu prop\u00f3sito, o eixo da manivela tinha umas ranhuras, uns valinhos&#8230; Ah! o eixo ficava no fundo de um reservat\u00f3rio com as laterais inclinadas de forma que o produto ali colocado deslizasse para o fundo onde estava o eixo, as ranhuras do eixo iam derrubando o produto, neste caso feij\u00e3o com palha, aos poucos, mas esta n\u00e3o \u00e9 a parte mais fascinante do mecanismo, at\u00e9 porque n\u00e3o se v\u00ea.\u00a0<\/p>\r\n<p>Por fora tem uma enorme engrenagem de madeira com dentes meticulosamente talhados que toca outra engrenagem, muito menor presa ao eixo do vento. Este, quadrado dentro da m\u00e1quina, tem quatro p\u00e1s de madeira leve e fina que giram livremente dentro de uma c\u00e2mara arredondada. Do outro lado da engrenagem o eixo esta preso a uma travessa com o mancal e tem buracos por onde se podem ver as p\u00e1s, quando est\u00e1 parado. Quando gira s\u00f3 se ouve o uuu&#8230; do vento entrando. Logo abaixo do eixo da manivela, aquele que tem ranhuras, uma fresta deixa escapar o vento com bastante press\u00e3o. <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-511\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/sventolon-300x260.jpg\" alt=\"\" width=\"186\" height=\"162\" srcset=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/sventolon-300x260.jpg 300w, http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/sventolon-600x519.jpg 600w, http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/sventolon-150x130.jpg 150w, http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/sventolon-347x300.jpg 347w, http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/sventolon.jpg 690w\" sizes=\"(max-width: 186px) 100vw, 186px\" \/><\/p>\r\n<p>Assim que o mecanismo atinge uma certa velocidade come\u00e7a a cair feij\u00e3o com palha, a\u00ed o vento sopra as palhas pra longe, fazendo uma poeira infernal, deixando cair o feij\u00e3o limpinho no recipiente abaixo. Parecia uma m\u00e1gica ou n\u00e3o, deixa-me ver era m\u00e1gica de verdade, pelo menos esta \u00e9 a opini\u00e3o do menino Maur\u00edcio que est\u00e1, com a irm\u00e3 Isabel, passando uns dias de f\u00e9rias na casa do v\u00f4.<\/p>\r\n<div id=\"attachment_508\" style=\"width: 388px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-508\" class=\" wp-image-508\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/feriaas-no-nono1-300x168.jpg\" alt=\"F\u00e9rias na casa do nono\" width=\"378\" height=\"218\" \/><p id=\"caption-attachment-508\" class=\"wp-caption-text\">Crian\u00e7ada de f\u00e9rias na casa dos nonos.<\/p><\/div>\r\n<p>Na casa dos av\u00f3s tudo \u00e9 m\u00e1gico, tem aqueles mecanismos de ir enrolando o fumo de corda que parece uma corda preta. De tempos em tempos tem que desenrolar de um rolo e ir apertando e enrolando noutro, at\u00e9 ficar bem firme e curado para fazer os palheiros, como os da hist\u00f3ria da <a href=\"https:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=135\">Gusta Bertola<\/a>. O maquin\u00e1rio era interessante mas n\u00e3o chegava a ser m\u00e1gico, magico mesmo era o sventolon.<\/p>\r\n<p>O nono levava at\u00e9 a sombra das laranjeiras, (at\u00e9 tinha uma hist\u00f3ria que a nona teria ca\u00eddo uma vez delas quando subira para colher frutas par as crian\u00e7as, mas n\u00e3o temos mais dados da hist\u00f3ria) l\u00e1, quase fora do terreiro instalava a m\u00e1quina m\u00e1gica e come\u00e7ava a girar a manivela m\u00e1gica. A\u00ed fazia um ru\u00eddo que parecia um temporal, acho que era o redemoinho do saci, a\u00ed saia uma poeira danada e depois ele tirava de baixo da caixa m\u00e1gica uma lata de feij\u00e3o preto limpinho.<\/p>\r\n<p>Se o v\u00f4 faz m\u00e1gica porque o neto tamb\u00e9m n\u00e3o pode fazer? Foi assim que o Maur\u00edcio pensou. L\u00e1 foi ele girar a manivela m\u00e1gica, e n\u00e3o \u00e9 que fazia a ventania igualzinho o nono, s\u00f3 n\u00e3o fez a poeira e nem saiu feij\u00e3o por baixo, at\u00e9 depois de soltar a manivela continuava a girar. Era m\u00e1gico mesmo, mas alguma coisa estava errada. O uuu do vento continuava, mas olhando pelos buracos n\u00e3o se via as p\u00e1s, foi a\u00ed que ele resolveu conferir e enfiou o dedo. Ui! N\u00e3o saiu feij\u00e3o mas come\u00e7ou sair sangue do dedo. A\u00ed a m\u00e1gica aconteceu, todos correram para ele, pegaram no colo, cuidaram e principalmente fizeram um belo curativo.<\/p>\r\n<p>De recorda\u00e7\u00e3o ficou uma cicatriz e a hist\u00f3ria pra contar pros netos quando eles vierem visitar a casa m\u00e1gica do v\u00f4.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algumas m\u00e1quinas a gente nunca esquece, em especial as que fazem barulho, giram em alta velocidade e fazem m\u00e1gicas. 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