{"id":464,"date":"2020-03-29T21:56:03","date_gmt":"2020-03-30T00:56:03","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=464"},"modified":"2020-03-29T21:56:03","modified_gmt":"2020-03-30T00:56:03","slug":"a-roseta-e-as-pitangas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=464","title":{"rendered":"A roseta e as pitangas"},"content":{"rendered":"\n<p>No finalzinho do inverno, l\u00e1 na encosta ao lado do est\u00e1dio do &#8220;Sport Club Sanga Funda&#8221;, quase no que poderia se chamar de arquibancada. Se descortinava um bel\u00edssimo gramado que se estendia at\u00e9 a borda do mato acima onde vicejavam pitangueiras, guabijuzeiros, ingazeiros e cerejeiras. Uma paisagem deveras atrativa para crian\u00e7as que praticavam a coleta de frutos silvestres ap\u00f3s o almo\u00e7o diariamente. <\/p>\n\n\n\n<p>No entanto um dos empecilhos naturais afora a subida \u00edngreme se espalhava pelo ch\u00e3o junto a grama. Eram as rosetas, cientificamente conhecida como <strong><em>Soliva pterosperma<\/em><\/strong>, tem como caracter\u00edsticas b\u00e1sicas, crescer nos gramados, produzir muitas flores a consequentemente muitas sementes que tem um pequeno espinho voltado para cima, mecanismo de difus\u00e3o da esp\u00e9cie, que se prende a um p\u00e9 descal\u00e7o, por exemplo para ser espalhada. <\/p>\n\n\n\n<p>Resumindo: depois do caminho para a ro\u00e7a que passava ao lado do campinho tinha um potreiro que terminava num pequeno cap\u00e3o de mato na divisa com os Schiavinato, que tinha uma boa variedade de \u00e1rvores frut\u00edferas nativas. No entanto para chegar l\u00e1, em especial na \u00e9poca de pitangas tinha que se passar pelo gramado infestado de rosetas. Isto tornava a coleta de pitangas um tanto dif\u00edcil, em especial para as crian\u00e7as que n\u00e3o tinham cal\u00e7ado.  Eu nunca tive este problema naquele lugar, pois sempre que \u00edamos l\u00e1 era no domingo e neste dia a gente sa\u00eda de chinelo ou alpargata. No entanto os primos e primas que ainda n\u00e3o iam na escola, pois os que iam para a escola j\u00e1 tinham chinelos, s\u00f3 conseguiam ir \u00e0s pitangas arrastando os p\u00e9s e isso s\u00f3 valia at\u00e9 as sementes amadurecerem porque depois, bem! Depois era um inferno. Milhares de min\u00fasculos espinhos de cravavam na sola dos p\u00eas dando uma dor terr\u00edvel e depois uma coceira, a menos que&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A menos que o pai e a m\u00e3e resolvam ir tirar uma sesta apos o almo\u00e7o, a\u00ed a gente pega os chinelos deles, vai comer pitangas e depois volta a tempo de devolver os chinelos ao lado da cama antes eles acordarem. Esta t\u00e1tica funcionou normalmente por um bom tempo at\u00e9 que um dia o chinelo da m\u00e3e ficou brincando e atrasou&#8230; <br>&#8211; Dove z\u00ea e miei cinele? Gritou a dona Pierina.<br>Passados alguns minutos apareceu a filha muito sem jeito. <br>&#8211; M\u00e3e, eu vi que as chinelas da senhora estavam sujas a\u00ed aproveitei para ir na fonte lavar&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/maisveljhos-397x600.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-470\" width=\"205\" height=\"310\" srcset=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/maisveljhos-397x600.jpg 397w, http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/maisveljhos-199x300.jpg 199w, http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/maisveljhos-99x150.jpg 99w, http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/maisveljhos-768x1160.jpg 768w, http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/maisveljhos-1017x1536.jpg 1017w, http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/maisveljhos.jpg 1224w\" sizes=\"(max-width: 205px) 100vw, 205px\" \/><figcaption>Visita dos primos  isto foi antes desta hist\u00f3ria. Logo que o tio Achiles veio de Nova Palma.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Essa foi a nossa realidade por muito tempo cal\u00e7ado era um luxo para poucos a gente ia se virando como podia e os cal\u00e7ados passavam de m\u00e3o em m\u00e3o, ou melhor de p\u00e9 em p\u00e9, at\u00e9 n\u00e3o dar mais. <\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 em casa n\u00e3o tinha pitangueira, mas tinha o arvoredo que tamb\u00e9m tinha a dita plantinha a\u00ed a criatividade tinha que imperar.  O mais comum era fazer as pernas de pau de taquara. Se cortava duas taquaras de mais ou menos um metro e meio e depois, acima do primeiro n\u00f3 se faziam dois furos um de cada lado e se travessava um &#8220;caitcho&#8221;, um pauzinho capaz de suportar o peso da gente. deixando uma ponta pra fora de uns dez cent\u00edmetros e depois era s\u00f3 subir neles e ir andando. Outra t\u00e9cnica era a de furar as bordas do fundo de uma latinha e atar uma corda. a\u00ed a gente subia nas latinhas e com as m\u00e3os segurava a corda pra latinha n\u00e3o cair do p\u00e9 enquanto caminh\u00e1vamos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No finalzinho do inverno, l\u00e1 na encosta ao lado do est\u00e1dio do &#8220;Sport Club Sanga Funda&#8221;, quase no que poderia se chamar de arquibancada. Se descortinava um bel\u00edssimo gramado que se estendia at\u00e9 a borda do mato acima onde vicejavam pitangueiras, guabijuzeiros, ingazeiros e cerejeiras. 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