{"id":267,"date":"2014-05-29T02:54:40","date_gmt":"2014-05-29T02:54:40","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=267"},"modified":"2014-05-29T02:54:40","modified_gmt":"2014-05-29T02:54:40","slug":"abraco-de-tamandua","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=267","title":{"rendered":"Abra\u00e7o de tamandu\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>Corria o ano\u00a0de 1910 tranquilamente o quinteto de irm\u00e3os Bepetto, \u00c2ngelo, Toni, Valentin e Augustinho aproveitavam a entrada do inverno, quando a bicharada fica mais lenta por causa do frio, para perambular pelos matos e peraus. A vantagem de morar perto da floresta estacional semidecidual, isto \u00e9 aquela onde algumas \u00e1rvores derrubam as folhas no inverno, era que no inverno era mais f\u00e1cil de circular pelo meio da mata e tamb\u00e9m mais f\u00e1cil de encontrar animais. O Bepeto j\u00e1 tinha quatorze anos e o menorzinho o Augustinho j\u00e1 ia fazer seis e j\u00e1 acompanhava a trupe, porque n\u00e3o queria ficar em casa com a m\u00e3e gravida, a irm\u00e3 e os menores o Guido e o Francisco. De qualquer forma as atividades n\u00e3o eram l\u00e1 muito perigosas para uma crian\u00e7a, n\u00e3o tinha grandes animais ferozes nos matos daqueles peraus do vale do Portela. Certamente o Valentin e o Augustinho tinham certas dificuldades para subir em \u00e1rvores pelos cip\u00f3s, mas isso n\u00e3o era o problema quando se tratava de alguma ca\u00e7ada.<\/p>\n<div id=\"attachment_268\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/peraus-do-Portela.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-268\" class=\"size-medium wp-image-268\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/peraus-do-Portela-300x170.jpg\" alt=\"Peraus da costa do Portela mais de cem anos depois ainda  cobertos de mato\" width=\"300\" height=\"170\" srcset=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/peraus-do-Portela-300x170.jpg 300w, http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/peraus-do-Portela-150x85.jpg 150w, http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/peraus-do-Portela-600x340.jpg 600w, http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/peraus-do-Portela.jpg 864w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-268\" class=\"wp-caption-text\">Peraus da costa do Portela mais de cem anos depois ainda cobertos de mato<\/p><\/div>\n<p>Domingo de manh\u00e3 o Giovanni levantava cedo para percorrer a p\u00e9 os quase dois quil\u00f4metros para cantar a missa.\u00a0A filharada ia de tarde para a catequese, pelo menos os tr\u00eas mais velhos. Neste contexto eles aproveitavam para fazer uma sa\u00edda aventuresca na parte da manh\u00e3 enquanto o pai n\u00e3o estava em casa. Uma atividade bastante divertida era <em>(castrare le bisse)<\/em>, castrar as cobras. Isso mesmo, eles chamavam assim a atividade de pegar as cobras com uma taquara apertando levemente logo atr\u00e1s da cabe\u00e7a, depois um deles pegava a cobra bem pertinho da cabe\u00e7a de tal forma que ela n\u00e3o conseguisse se virar e morder. A cobra abria a boca tentando morder e outro cortava a parte de baixo, a mand\u00edbula, da cobra que era solta e saia se debatendo desesperadamente. Isso era feito para que a cobra n\u00e3o pudesse morder mais ningu\u00e9m, segundo eles desta forma n\u00e3o matavam a cobra e eliminavam o perigo.<br \/>\nQuanto aos bugios a coisa era diferente, pois destes eles nem conseguiam chegar perto, quando se aproximavam os danados faziam as necessidades fisiol\u00f3gicas na m\u00e3o e atiravam nos agressores, e o cheiro n\u00e3o era nada bom. Por um lado era muito engra\u00e7ada a estrat\u00e9gia de defesa, por outro isso dava uma boa ideia, mas deixa pra l\u00e1 essa \u00e9 outra hist\u00f3ria. Quando a sa\u00edda \u00e9 para ca\u00e7ar tem que trazer algum animal para casa e nem cobras nem bugios eram boas ideias. Sobrava os tamandu\u00e1s, s\u00f3 que os tamandu\u00e1s tinham garras afiad\u00edssimas que podiam matar uma crian\u00e7a como eles caso desse um \u201cabra\u00e7o de tamandu\u00e1\u201d.<br \/>\nQuando um tamandu\u00e1 \u00e9 agredido ele de apoia na cauda e patas traseiras, levanta-se como se estivesse de p\u00e9, abre os bra\u00e7os e quando o agressor se aproxima joga-se contra ele abra\u00e7ando-o fortemente e cravando as unhas (garras) nas costas do agressor, podendo matar at\u00e9 mesmo um animal bem maior do que ele. Mas como falei anteriormente era frio e nesta \u00e9poca todos os animais ficam mais lentos, inclusive os tamandu\u00e1s.<br \/>\nGrandes conhecedores dos h\u00e1bitos e costumes dos animais selvagens, porque conviviam mais com estes do que com outros humanos, os irm\u00e3os Piovesan desenvolveram t\u00e9cnicas especializadas para a captura dos mais diversos animais que viviam nos matos e peraus que frequentavam. Uma era para tamandu\u00e1s.<br \/>\nA t\u00e9cnica exigia um ferramental espec\u00edfico: uma taquara com uns dois metros ou mais e um toco de madeira, meio apodrecida, de mais ou menos um metro de comprimento por uns 25 cent\u00edmetros de di\u00e2metro. A estrat\u00e9gia consistia em provocar o animal com a taquara, cutucar, assim ele assumia a posi\u00e7\u00e3o de defesa que na verdade era a posi\u00e7\u00e3o de ataque. Fazendo bastante barulho eles, menos um, ficavam na frente do animal provocando-o at\u00e9 ele ficar no ponto de atacar. O Piovesaneto que n\u00e3o ficava provocando o bicho fazia uma volta por tr\u00e1s sem ser notado carregando o toco de madeira, num determinado momento, que eles conheciam por experi\u00eancia o toco era passado sobre a cabe\u00e7a do animal e colocado em sua frente. O tamandu\u00e1 agarrava-se firmemente no toco cravando suas garras e ficando preso.<br \/>\nA piazada ent\u00e3o tomava o caminho da casa, carregando o toco com o tamandu\u00e1, inofensivo por estar abra\u00e7ado firmemente ao toco. Isso \u00e9 um abra\u00e7o de tamandu\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Corria o ano\u00a0de 1910 tranquilamente o quinteto de irm\u00e3os Bepetto, \u00c2ngelo, Toni, Valentin e Augustinho aproveitavam a entrada do inverno, quando a bicharada fica mais lenta por causa do frio, para perambular pelos matos e peraus. 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