{"id":213,"date":"2014-04-21T01:40:13","date_gmt":"2014-04-21T01:40:13","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=213"},"modified":"2017-05-31T21:56:24","modified_gmt":"2017-06-01T00:56:24","slug":"o-carreto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=213","title":{"rendered":"O &#8220;carreto&#8221;."},"content":{"rendered":"<p>Pouco tempo depois da mudan\u00e7a aconteceu um fato que mudou nossas vidas, foi a chegada de um carro de lomba especial, que se tornou protagonista de muitas hist\u00f3rias. Mais uma vez um marceneiro influindo na nossa vida.<br \/>\nMuitas vezes a hist\u00f3ria exige que se fa\u00e7a alguma incurs\u00e3o pelos arredores, quando algum elemento externo come\u00e7a a fazer parte do n\u00facleo principal. Neste momento o elemento externo \u00e9 o Antoninho Fikes Vaz, aprendiz de marceneiro na oficina do vov\u00f4 Bortolo, filho de cria\u00e7\u00e3o da tia Santina, irm\u00e3 da V\u00f3 Maria. Pois n\u00e3o \u00e9 que o Antoninho era bem criativo! Aprendendo, aprendendo, resolveu praticar o aprendido construindo um carro de lomba especial, em forma de caminh\u00e3o, com dire\u00e7\u00e3o ergon\u00f4mica que movimentava apenas as pontas do eixo dianteiro, totalmente diferente dos carros de lomba tradicionais. Com rolamentos nas rodas, molejo feito de talas de guajuvira, freio acionado pelo p\u00e9, Cabine e carroceria imitando um Mercedes cara chata, lan\u00e7ado naquele ano de 1958. Era uma verdadeira joia de marcenaria, cabia dois na cabine e uns 15 na carroceria. S\u00f3 que o aprendiz teve gastos e precisava praticar o desapego vendendo a sua cria\u00e7\u00e3o. Como ningu\u00e9m na vila tinha uma quantia razo\u00e1vel de dinheiro para desembolsar na compra de um carro de lomba, o Antoninho resolveu fazer uma rifa. Foi assim que naquele domingo de manh\u00e3 o pai ao voltar da missa encontrou o marceneiro no bolicho do Vitelio Casarin, vendendo os tr\u00eas \u00faltimos n\u00fameros da rifa para fazer o sorteio.<\/p>\n<div id=\"attachment_215\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/carreto.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-215\" class=\"size-medium wp-image-215\" src=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/carreto-300x214.jpg\" alt=\"Estacionado na frente do rancho o &quot;carreto&quot;, infelizmente n\u00e3o tenho foto melhor dele, esta foi recortada da foto da fam\u00edlia, ampliada e retocada com Photoshop.\" width=\"300\" height=\"214\" srcset=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/carreto-300x214.jpg 300w, http:\/\/liceobr.com\/historia\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/carreto.jpg 386w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-215\" class=\"wp-caption-text\">Estacionado na frente do rancho o &#8220;carreto&#8221;, infelizmente n\u00e3o tenho foto melhor dele, esta foi recortada da foto da fam\u00edlia, ampliada e retocada com Photoshop.<\/p><\/div>\n<p>Naquele dia o pai deixou de beber o seu traguinho e gastou tr\u00eas cruzeiros com os n\u00fameros da rifa, um para cada filho, nunca fiquei sabendo qual o n\u00famero sorteado, mas dizem que foi o meu. Assim, um pouco mais tarde do que de costume o pai chegou empurrando o \u201ccarreto\u201d, como ficou conhecido. Vinha empurrando pela cabine e guiando com o bra\u00e7o enfiado pela janela da porta que n\u00e3o tinha vidro. Imediatamente come\u00e7aram as aulas de dire\u00e7\u00e3o e em poucos dias est\u00e1vamos autorizados a dirigir o caminh\u00e3ozinho na estrada. N\u00e3o demorou muito e come\u00e7ou a peregrina\u00e7\u00e3o da crian\u00e7ada l\u00e1 pra casa nos domingos, pra andar de carro lomba abaixo.<br \/>\nO trajeto tradicional compreendia um trecho de mais ou menos 500 metros, da casa do seu Luiz Moreira at\u00e9 o chatinho do tio Lu\u00eds. Tinha uns 250 metros de declive suave, depois uma curva a esquerda e acentuava o declive, mais uma curva a esquerda e acentuava mais ainda, finalmente tinha uns 100 metros de plano e depois uma subidinha. No in\u00edcio do trajeto o motorista assumia seu posto com um auxiliar a gurizada dava o impulso inicial e pulava pra cima da carroceria, e come\u00e7ava a aventura. Nos primeiros cem metros a velocidade n\u00e3o tinha nada de emocionante, um guri correndo acompanhava, mas quando chegava pr\u00f3ximo da primeira curva j\u00e1 estava a uns 15 Km\/h e a\u00ed come\u00e7ava a aumentar. No final do terceiro trecho de declive creio que atingia uns 30 Km\/h ou mais e os passageiros da carroceria faziam uma gritaria incr\u00edvel, a\u00ed vinha o trecho plano onde a velocidade diminu\u00eda e parava na subidinha no fim do trecho. A\u00ed se fazia a volta, um dos menorzinhos pegava a dire\u00e7\u00e3o e a turma empurrava o caminh\u00e3o lomba acima at\u00e9 a casa do seu Luiz Moreira e tudo recome\u00e7ava.<br \/>\nMais tarde nos aventuramos a andar em outras lombas e at\u00e9 houve alguns acidentes bem interessantes. Mas o \u201ccarreto\u201d foi o respons\u00e1vel pelo apelido do<a href=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=217\"> \u201cTio Lino\u201d<\/a> que vou contar qualquer hora&#8230; O trajeto aqui mencionado faz parte do trajeto de uma outra hist\u00f3ria, a <a href=\"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=193\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">segunda parte<\/a> das aventuras da bicicleta do Padre Jo\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pouco tempo depois da mudan\u00e7a aconteceu um fato que mudou nossas vidas, foi a chegada de um carro de lomba especial, que se tornou protagonista de muitas hist\u00f3rias. Mais uma vez um marceneiro influindo na nossa vida. 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