{"id":11,"date":"2013-10-27T19:57:38","date_gmt":"2013-10-27T19:57:38","guid":{"rendered":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=11"},"modified":"2014-05-28T00:57:58","modified_gmt":"2014-05-28T00:57:58","slug":"como-ver-as-horas-no-milharal","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/liceobr.com\/historia\/?p=11","title":{"rendered":"Como ver as horas no milharal"},"content":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria que ouvi do Ernesto Binotto<\/p>\n<p>Eu tinha uns 16 anos. Foi a primeira vez que fui para Nova Palma, com o Tio Achiles, para a primeira missa padre Reinaldo Piovesan, a\u00ed n\u00f3s aproveitamos e ficamos uns dias por l\u00e1. Na segunda-feira est\u00e1vamos na casa do nono e o tio Achiles mencionou que gostaria de visitar a Usina Franciscana (hoje usina CELETRO) onde ele tinha trabalhado logo que casou. O nono j\u00e1 tinha ido para a lavoura carpir no meio do milho e o tio Abel estava por casa e se prontificou a nos levar at\u00e9 l\u00e1. Eu estava muito curioso porque sempre ouvia o pai falar da tal usina, o tio Achiles estava tentando reviver o passado e o tio Abel, sempre prestativo achou um meio de n\u00e3o ir carpir. Era mais ou menos dez horas quando chegamos \u00e0 usina, eu faceiro e maravilhado com aquela beleza, pois sempre fui apaixonado pela eletricidade e as coisas dela, o tio Achiles relembrando como era no tempo dele e como estavam as coisas agora e o tio Abel andando devagarinho pra l\u00e1 e pra c\u00e1. Foi uma visita de curiosidade da minha parte, de saudade da parte do tio Achiles e um passeio para o tio Abel.<\/p>\n<p>Na volta j\u00e1 bastante tempo de p\u00e9 ou caminhando o tio Abel caminhava mais devagar ainda quando est\u00e1vamos passando na frente da casa do Ernesto Binotto, que nos chamou para tomar um chimarr\u00e3o, o tio Abel adorou a ideia, ia poder descansar um pouco e o Tio Achiles certamente ia matar a saudade do antigo vizinho. Como n\u00e3o tinha op\u00e7\u00e3o acompanhei os dois. Arrastaram umas cadeiras, nos sentamos e come\u00e7aram as hist\u00f3rias do passado, as novidades, o que um e outro estavam fazendo, e por a\u00ed vai. &#8211; Quem era eu? A\u00ed tive que explicar que era filho do Lino, que meu pai estava morando em Jaboticaba, etc. e tal. A\u00ed ele quis saber do tio Abel como estava o Toni? O tio disse que estava limpando o milharal porque tinha muita milh\u00e3 e pic\u00e3o j\u00e1 altos. Foi a\u00ed que seu Ernesto come\u00e7ou com aquele seu sotaque caracter\u00edstico dos Binotto:<\/p>\n<p>\u201c- Sabe isso me lembra uma coisa, foi no ano passado, mais ou menos por esta \u00e9poca, eu quase n\u00e3o saio a p\u00e9, mas tinha ido pra Nova Palma e vinha voltando quase de meio dia, o sol estava bastante quente e eu cansado vinha devagarzinho. A\u00ed quando estava perto do milharal vi uma coisa estranha (ele falou em italiano mas n\u00e3o lembro bem as palavras), apareceu uma enxada por cima do milharal. N\u00e3o prestei muita aten\u00e7\u00e3o e continuei, dali a pouco vi de novo a mesma coisa e comecei a ficar intrigado. Como estava cansado mesmo, sentei no barranco, numa sombra e fiquei olhando o milharal para ver se aparecia a enxada de novo, demorou um pouco e apareceu de novo. Ai eu comecei a tentar imaginar o que estava acontecendo. O Toni levantava a enxada na velocidade normal, mas baixava muito devagar pra quem quer cavar fundo, logo n\u00e3o poderia ser que estava arrancando algum in\u00e7o maior, ser\u00e1 que ele levantava para ver a altura do sol para saber a hora? Aquilo foi me deixando cada vez mais intrigado, que m\u00e9todo estranho de ver as horas.<\/p>\n<p>Era um pouco longe e eu estava cansado, mas n\u00e3o aguentei a curiosidade, entrei no milharal e fui andando devagarinho at\u00e9 chegar bem perto. &#8220;<em>-Toni ghe gera drio sapare pimpianeto \u2013&#8221;<\/em> eu fiquei olhando atr\u00e1s dele para ver o que acontecia. A\u00ed ele deu uma paradinha co\u00e7ou a ponta do cabo da enxada, n\u00e3o sei se encostou no nariz ou no queixo, ergueu a enxada contra o sol, co\u00e7ou de novo a ponta do cabo e continuou a carpir. Fiquei mais curioso ainda para ver detalhadamente o m\u00e9todo de ver as horas e fiz uma volta grande pelo milho pra ele n\u00e3o me ver e fiquei pela frente para ver o que acontecia, bem quietinho. A\u00ed aconteceu de novo, ele co\u00e7ou a ponta do cabo, colocou a ponta do cabo na boca, levantou e enxada contra o sol, fez uma careta e baixou a enxada. A\u00ed eu vi, ele colocou de volta a rolha na ponta do cabo e continuou a carpir tranquilamente.\u00a0 Sa\u00ed bem quietinho e fui para casa&#8230;\u201d<\/p>\n<p>A\u00ed ele se virou para mim e completou: &#8211; eu sei que voc\u00ea sempre achou que teu pai era muito inteligente, mas esta de fazer o cabo da enxada de taquara e furar os n\u00f3s pra levar a <em>\u201ccachaceta insieme\u201d<\/em> \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o do teu av\u00f4.<\/p>\n<p>O tio Abel e eu at\u00e9 achamos engra\u00e7ado, mas o tio Achiles fez uma cara de quem achou a hist\u00f3ria um desrespeito. Foi a\u00ed que eu lembrei que o pai tinha enxadas com cabo de bambu, porque era muito f\u00e1cil de colocar e ficava forte e leve, e eu tinha visto na casa do nono, enxadas com cabo de bambu. Voltamos para casa almo\u00e7amos e sa\u00edmos e eu esqueci de verificar se a enxada do nono tinha rolha na ponta do cabo&#8230;<\/p>\n<p>Dizem at\u00e9 que era por isso que chamaram ele, por algum tempo, de \u201cToni Taquara\u201d. Outros dizem que era por causa de um garraf\u00e3o que tinha no galp\u00e3ozinho perto do rio cheio de <em>\u201ccanuchi\u201d,<\/em> mas esta \u00e9 outra hist\u00f3ria&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria que ouvi do Ernesto Binotto Eu tinha uns 16 anos. Foi a primeira vez que fui para Nova Palma, com o Tio Achiles, para a primeira missa padre Reinaldo Piovesan, a\u00ed n\u00f3s aproveitamos e ficamos uns dias por l\u00e1. 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